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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Em diversas cidades do Brasil trabalhadores pedem a saída de Eduardo Cunha

 

INTERSINDICAL CENTRAL DA CLASSE TRABALHADORA

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Foto Capa: Nelson Ezídio

Milhares de trabalhadores tomaram as ruas de diversas cidades do país neste domingo (8) para se manifestar contra o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), contra os ajustes fiscais, entre outras medidas antipopulares.

As manifestações foram convocadas pela Frente Povo Sem Medo, formada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Intersindical Central da Classe Trabalhadora, entre outras entidades sindicais, estudantis e de movimentos sociais. Apena em São Paulo, estima-se que 60 mil pessoas tenham participado da atividade que iniciou no MASP, na Avenida Paulista.

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A Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, em SP, ficou tomada por trabalhadores (Foto: Alexandre Maciel)

“Este ato está acontecendo no país todo. Já fizemos mobilizações no período da manhã em BH, em Uberlândia, em Curitiba e em Brasília, onde temos companheiros acampados até que caia o Eduardo Cunha”, explicou Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST. Na parte da tarde ainda estavam acontecendo manifestações em outros 12 estados pelo Brasil.

“O Presidente da Câmara representa o avanço do conservadorismo, ataque aos direitos das trabalhadoras e o retrocesso aos direitos socais”, definiu Edson Carneiro Índio, Secretário Geral da Intersindical.

Segundo ele, “é preciso demitir o Joaquim Levi, mudar a política econômica atual e impor um modelo de geração de empregos, de crescimento da economia e fortalecimento dos serviços públicos”.

Eduardo Cunha

Pauta de reivindicação principal, o pedido pela saída de Eduardo Cunha se dá por motivos concretos. Apenas este ano já vimos diversos projetos antipopulares pautados na Câmara, que colocam em risco direitos sociais, políticos e civis, como a Lei das Terceirizações, a Redução da Maioridade Penal, o Estatuto da Família, a PEC da Corrupção/Contrarreforma política e, recentemente, o PL 5069/2013 que ataca o direito das mulheres.

Além destes, está previsto para este mês de novembro a votação do orçamento na Câmara, em que já está sinalizado o core de programas sociais, como o Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, por exemplo. “Se na votação do orçamento houver cortes nas áreas sociais, este país vai pegar fogo de norte a sul. A Câmara já não tem função social a muito tempo e, por isso, se for preciso, ela vai ser ocupada”, garante Boulos.

Não aos ajustes fiscais

Outras demandas também foram motivos das manifestações, como os ajustes fiscais impostos pelos Governos Federais e Estaduais, que também atacam direitos sociais como o seguro desemprego, o fundo de pensões e ainda ameaçam atacar a aposentadoria.

As milhares de pessoas nas ruas deixaram claro que não aceitam o retrocesso de seus direitos, em detrimento de uma conta que deveria ser cobrada da elite financeira do país, que nunca teve suas fortunas reguladas e são os verdadeiros responsáveis pela crise econômica. ” O Governo Dilma vai ser derrotado nas ruas, porque o povo brasileiro não aceita essa política econômica”, disse Índio.

Ele explicou que “é necessário que esteja na agenda do país uma reforma tributária que taxe os mais ricos e também fazer uma reforma nos meios de comunicações, para acabar com o monopólio dos atuais donos da mídia”.

Geraldo Alckmin

Recentemente diversas manifestações de estudantes secundaristas estão acontecendo pelo estado de São Paulo devido ao projeto de reorganização escolar imposto pelo Governo Geraldo Alckmin, que quer fechar diversas escolas. De acordo com o MTST, a cada escola que for fechada será ocupada, com o objetivo de retornar seu funcionamento.

A manifestação seguiu da Avenida Paulista até no Ibirapuera, no Monumento aos Bandeirantes, símbolo da colonização portuguesa, que escravizou e matou milhares de índios e negros, em sua espoliação incessante das riquezas naturais da América Latina.

Albúm de Foto: Fonte: Imprensa Seeb Santos e Região

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Todos e todas às ruas neste domingo, em São Paulo e diversas cidades!

Por: Intersindical Central da Classe Trabalhadora

Fora Cunha! Não ao ajuste fiscal!
Todos e todas às ruas dia 8 de novembro!

O Povo Sem Medo estará nas ruas neste 8/11, mês da Consciência Negra e Zumbi dos Palmares. Serão mobilizações populares em várias cidades brasileiras exigindo o Fora Cunha e contra o ajuste fiscal aplicado pelo Governo Federal e pelos Governos Estaduais.

Um dos grandes representante das atuais políticas conservadoras é o presidente da Câmara Eduardo Cunha. Não bastassem as medidas que retiram direitos da classe trabalhadora, juventude, mulheres, negras e negros, LGBTs e indígenas, Cunha está sendo investigado por corrupção. Já há provas claras de milhões de dólares em contas na Suíça, para completar a galeria de escândalos que o envolve, desde os desvios na Telerj no governo Collor. É um ladrão blindado, por isso ainda não caiu. Não entregaremos nossos direitos em nome de nenhuma governabilidade, e, por isso exigimos nas ruas o Fora Cunha.

Além disso, defenderemos as saídas populares para a crise econômica e política que estamos vivendo:

– Nenhuma saída à direita. Aqueles que historicamente governaram o Brasil e sempre contra a maioria do povo, agora colocam-se na condição de apresentar soluções para a crise. A mudança que propõem é com Michel Temer, Cunha/Renan e o PSDB. Está em curso uma agenda de retrocessos, que colocam em risco direitos sociais, políticos e civis, como a Lei das Terceirizações, a Redução da Maioridade Penal, o Estatuto da Família, a PEC da Corrupção/Contrarreforma política e o PL 5069/2013 que ataca o direito das mulheres. Não têm autoridade política e moral para isso. Não aceitaremos saídas à direita.

– O povo não pode pagar pela crise. A política de ajuste fiscal do Governo Federal e dos estados joga a conta da crise nas costas dos trabalhadores. Não podemos aceitar que a “crise fiscal” seja resolvida com ataque a direitos e cortes em áreas sociais, como a moradia e educação. Nem com uma política que aumenta juros, gera desemprego e arrocho salarial. Muito menos com concessões e privatizações do patrimônio público. No caso de alguns estados, como São Paulo, governos anunciam o absurdo de fechar escolas como parte do ajuste. Escola fechada será ocupada! A conta da crise deve ser paga por aqueles que mais ganharam no período da bonança, inclusive com subsídios públicos e desonerações: os ricos, grandes empresários e banqueiros. A crise deve ser paga pelo andar de cima, não pelo de baixo. Cortando privilégios, não direitos!

– A saída é com mais direitos e aprofundamento da democracia. A democracia brasileira é ainda limitada e precisa ser radicalizada. Este é o nosso desafio. Transformar o atual sistema político, que é aberto aos grandes interesses econômicos e fechado às demandas populares e lutar por democracia econômica, com mais direitos e distribuição de renda. Além disso, o aprofundamento da nossa democracia passa por garantir os direitos de manifestação, organização e de greve, atualmente ameaçados por várias inciativas – políticas e judiciais – como a Lei antiterrorismo, de iniciativa do Governo aprovada pelo Senado. Se há terrorismo no Brasil é aquele praticado pelas forças policiais no genocídio da juventude pobre, negra e periférica. Não há democracia com extermínio e autos de resistência. Por tudo isso, estaremos nas ruas!

Aqui está o Povo Sem Medo!

Cidades confirmadas:
SÃO PAULO – Masp, as 14hs.
FORTALEZA – Praça de Messejana, as 17h30
BRASÍLIA – Do Eixão (102 Sul) até o Congresso, as 10hs.
GOIANIA – Instituto Federal de Goiânia, as 8hs.
RECIFE – Marco Zero, as 15hs.
CURITIBA – Pça Águas do Passaúna (CIC), as 9h30.
BELO HORIZONTE – Pça. da Liberdade, as 10hs.
UBERLÂNDIA – Pça. Sérgio Pacheco (Terminal central), as 9hs
RIO DE JANEIRO – Atividade “surpresa” – 15hs.
PALMAS – Av. Juscelino Kubitschek, as 9hs.
SALVADOR
FLORIANÓPOLIS
NATAL

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Manifesto: Tomar as ruas por direitos, liberdade e democracia!

Por: Intersindical Central da Classe Trabalhadora

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Manifesto nacional: Tomar as ruas por direitos, liberdade e democracia! Contra a direita e o ajuste fiscal!

Estaremos nas ruas de todo o país neste 20 de agosto em defesa dos direitos sociais, da liberdade e da democracia, contra a ofensiva da direita e por saídas populares para a crise.

– Contra o ajuste fiscal! Que os ricos paguem pela crise!

A política econômica do governo joga a conta nas costas do povo. Ao invés de atacar direitos trabalhistas, cortar investimentos sociais e aumentar os juros, defendemos que o governo ajuste as contas em cima dos mais ricos, com taxação das grandes fortunas, dividendos e remessas de lucro, além de uma auditoria da dívida pública.

Somos contra o aumento das tarifas de energia, água e outros serviços básicos, que inflacionam o custo de vida dos trabalhadores. Os direitos trabalhistas precisam ser assegurados: defendemos a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e a valorização dos aposentados com uma previdência pública, universal e sem progressividade.

– Fora Cunha: Não às pautas conservadoras e ao ataque a direitos!

Eduardo Cunha representa o retrocesso e um ataque à democracia. Transformou a Câmara dos deputados numa Casa da Intolerância e da retirada de direitos. Somos contra a pauta conservadora e antipopular imposta pelo Congresso: terceirização, redução da maioridade penal, contrarreforma política (com medidas como financiamento empresarial de campanha, restrição de participação em debates etc.) e a entrega do pré-sal às empresas estrangeiras. Defendemos uma Petrobrás 100% estatal.

Além disso, estaremos nas ruas em defesa das liberdades: contra o racismo, a intolerância religiosa, o machismo, a LGBTfobia e a criminalização das lutas sociais.

– A saída é pela Esquerda, com o povo na rua, por Reformas Populares!

É preciso enfrentar a estrutura de desigualdades da sociedade brasileira com uma plataforma popular. Diante dos ataques, a saída será pela mobilização nas ruas, defendendo o aprofundamento da democracia e as Reformas necessárias para o Brasil: Reforma Tributária, Urbana, Agrária, Educacional, Democratização das comunicações e Reforma democrática do sistema político para acabar com a corrupção e ampliar a participação popular.

Leia também: Resolução da INTERSINDICAL: Dia 20/08 – tomar as ruas por direitos, liberdade e democracia. Contra a direita e o ajuste fiscal

A rua é do povo!
20 de agosto em todo o Brasil!

Clique aqui para o evento no Facebook. Convide seus amigos!

ASSINAM:

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) / Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) / Central Única dos Trabalhadores (CUT) / Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) / Intersindical – Central da Classe Trabalhadora / Federação Única dos Petroleiros (FUP) / União Nacional dos Estudantes (UNE) / União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) / Rua – Juventude Anticapitalista / Fora do Eixo / Mídia Ninja / União da Juventude Socialista (UJS) / Juntos / Juventude Socialismo e Liberdade (JSOL) / Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG) / Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet) / União da Juventude Rebelião (UJR) / Uneafro / Unegro / Círculo Palmarino / União Brasileira das Mulheres (UBM) / Coletivo de Mulheres Rosas de Março / Coletivo Ação Crítica / Bloco de Resistência Socialista / Coletivo Cordel / Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras) / Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM)

PARTIDOS QUE APOIAM O ATO:
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) / Partido Comunista do Brasil (PC do B)

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sábado, 8 de agosto de 2015

Frente de Resistência Urbana dá ultimato ao governo Dilma

Postado: Intersindical Central da Classe Trabalhadora

PROTESTO MTST

Em jornada realizada ontem (6) em 11 capitais do país, a Frente de Resistência Urbana deixou claro que se o governo federal não realizar novas contratações de moradias no lançamento do programa “Minha Casa, Minha Vida 3”, previsto para o dia 10 de setembro, o “Brasil vai parar” em atos e ocupações.

Em São Paulo, os manifestantes convergiram o protesto para uma negociação ocorrida no escritório da Presidência da República em São Paulo, na esquina da avenida Paulista com a rua Augusta, com uma comissão de líderes do movimento.

Diante da atenção dos 10 mil manifestantes vindos do vão do Masp, Inês Magalhães, da Secretaria Nacional de Habitação e representante da Secretaria Geral da Presidência da República, se comprometeu em acatar as reivindicações feitas para regular o acesso às moradias e a contratação imediata do “Minha Casa, Minha Vida 3”.

O movimento exige que as contratações de novas moradias sejam feitas imediatamente – e não no próximo ano, conforme vinha sendo aventado pelo próprio governo. A comissão de líderes do movimento recebida pela secretária era composta por membros do MTST, Must-Pinheirinho, Movimento Nós da Sul, Brigadas Populares, Direitos Urbanos e militantes da luta por moradia em Uberlândia.

Leia também:
Manifesto Nacional: 20 de agosto – Tomar as ruas por direitos, liberdade e democracia!
Resolução da INTERSINDICAL: Dia 20/08 – tomar as ruas por direitos, liberdade e democracia. Contra a direita e o ajuste fiscal

Após a reunião de quase três horas, os integrantes da comissão e a Secretária Nacional de Habitação anunciaram para a imprensa, na portaria do prédio, o acordo realizado, segundo eles com o aval da presidente Dilma Rousseff.

As novas regras de acesso às moradias serão publicadas no Diário Oficial da União. Para Guilherme Boulos, do MTST, a reunião foi satisfatória. “Claro que queríamos que o programa tivesse sido lançado no ano passado, como estava previsto. A garantia de contratações ainda este ano é um elemento chave para nós. Como isso foi assegurado pela secretária nacional de Habitação, para nós foi satisfatório, mas o compromisso será devidamente cobrado.”

A decisão da coordenação do movimento, segundo Boulos, “é de que vai ou racha”. “Se no dia 10 de setembro chegar ao nosso ouvido a palavra adiamento, podemos garantir que esse país vai pegar fogo. Dia 10 é o limite. Se não for cumprido o acordo, aí vira palhaçada”. Ele alertou também que o movimento espera a aprovação da Medida Provisória da nova etapa do programa de moradia no Congresso Nacional tão logo seja enviada pelo Palácio do Planalto.

Houve compromisso, por parte da secretária de que, apesar da modalidade Construtoras não contratar este ano, haverá contratação para a modalidade Entidades.

As ações da Frente de Resistência Urbana ontem pelo país incluíram o bloqueio de avenidas e rodovias e ocupações de órgãos públicos. Ocorrera atos em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará, Brasília, Roraima, Goiás, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e Bahia. A Frente é composta pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Movimento de Luta Popular (MLP), Fórum das Ocupações de Uberlândia e Brigadas Populares, entre outros.

sábado, 21 de março de 2015

Cordão da Mentira

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O Cordão da Mentira desfilará no dia 1º de abril de 2015 sob o tema “Condenadxs da terra”, o qual contempla a crítica dos mais variados coletivos e movimentos sociais atentos às violações dos direitos dos povos que continuam perseguidos pelo Estado brasileiro. Nas ruas, os participantes lembrarão as perseguições, extermínios e violações dos direitos dos povos indígenas, negros, sem-terra, sem-teto, imigrantes, transexuais, trabalhadores e todos os seguimentos da sociedade que até hoje lutam pela garantia das condições de sobrevivência.

O evento terá concentração a partir das 18h no Largo General Osório, em frente ao Memorial da Resistência (antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social -Dops), conhecido centro de tortura e prisão dos indesejados do Estado. A ideia é fazer uma carnavalização crítica, num desfil&scracho composto por apresentações teatrais e batucadas de samba. O evento é aberto para qualquer participante e terá alas compostas por diversos grupos.

No ano em que completa 51 anos do golpe civil-militar de 1964, os organizadores reivindicam a memória das denúncias de tantas décadas em que esses povos são massacrados sem que haja nenhum avanço nas políticas públicas do período democrático. A data escolhida remete ao dia do Golpe e ao dia da mentira, que contempla a forma como são retratados esses povos diante da sociedade, invisíveis para com seus direitos e violentados cotidianamente.  A luta dos povos quer romper com a política violenta orquestrada pelas elites brasileiras.

Cordão da Mentira

Assista aqui o Cordão da Mentira https://vimeo.com/115563882

Evento: Cordão da Mentira

Data: 01/04
Horário: 18h
Concentração:Largo General Osório (em frente ao Memorial da Resistência)

Site: https://cordaodamentira.milharal.org/

Página no Facebook: https://www.facebook.com/cordaodamentira

Para colaborar com o desfile: https://cordaodamentira.milharal.org/2015/03/10/doacao-para-o-cordao-da-mentira/

E-mail para contato: cordaodamentira.2015@gmail.com

domingo, 1 de março de 2015

Estourou o cano: mais de 10 mil pessoas tomam as ruas contra falta d'água em SP

Ivan Longo, da Spressosp

Postado: Carta Maior

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Nota da redação: em negociação após o ato, o governo do Estado assumiu quatro compromissos com o movimento. São eles: reeditação do decreto do Comitê de Crise, até então restrito ao governador e prefeitos, para incluir movimentos sociais como o MTST;
compromisso em formar uma comissão para identificar os locais que tem falta d’água crônica;
distribuição de caixas d’água nas periferias da Grande São Paulo;
reunião com Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp, para discutir a operacionalização da distribuição de cisternas, construção de poços artesianos e envio de caminhões pipas para as regiões mais necessitadas;
compromisso em avaliar os contratos de demanda firme estabelecido com grandes gastadores e apresentar uma resposta até a próxima semana

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Índios fazendo a dança da chuva, caminhão-pipa, Alckmin na banheira, 10 mil pessoas e movimento social na sede do governo: assim aconteceu a Marcha pela Água, convocada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Uma maré vermelha invadiu as ruas da zona sul da capital na noite desta quinta-feira (26) protestando contra o que entendem ser negligência do governo em não tomar medidas para conter a crise hídrica que assola o estado, principalmente as periferias.
“Exigimos que o governo minimize o impacto do racionamento que existe – apesar de ele sempre negar – nas periferias. Nós temos creches fechando as portas, escolas suspendendo as aulas, hospitais adiando cirurgias. A periferia está sendo agredida”, afirmou Jussara Basso, coordenadora estadual do MTST. “Sabemos que grandes empresas têm ganhando descontos na conta de água. Não por economia, mas por gasto. Enquanto isso, na periferia, quanto mais for gasto, mais se paga”, completou.
Com representantes dos Trabalhadores, da União Nacional dos Estudantes (Une) e de diversas outras entidades e lideranças políticas, como a ex-candidata à presidência Luciana Genro (Psol), a manifestação seguiu, em um percurso de duas horas, do Largo da Batata, na zona oeste, até o Palácio dos Bandeirantes, na zona sul.
O foco principal das críticas dos manifestantes - a maior parte deles militantes do movimento e moradores da periferia – foi, naturalmente, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que insiste em minimizar um claro racionamento que faz milhares dessas pessoas ficarem sem água por dias.
“O foco é ele [Alckmin], o responsável pela Sabesp, pela gestão hídrica e pela crise”, disse o coordenador nacional do movimento, Guilherme Boulos, que garantiu ainda que a ideia é ocupar as ruas até que suas demandas sejam atendidas.
“Em primeiro lugar, nós queremos um plano emergencial para minimizar o impacto desse racionamento que já ocorre nas periferias. Instalar caixa d’água, cisternas e poços artesianos. Além disso, é necessário ter maior transparência do governo e participação popular no comitê de gestão da crise. O movimento exige ainda o fim imediato dos contratos de demanda firme e nenhum reajuste na tarifa, isso é um absurdo”, explicou.
Ao som do funk “Não vai faltar água”, em que a voz do governador dizendo que não iria faltar água em São Paulo é mixada à um “batidão”, a manifestação chegou ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, onde lideranças do movimento conseguiram entrar e serem recebidas por Edson Aparecido, chefe da Casa Civil.
A Polícia Militar, por sua vez, não mobilizou grande contingente e o ato foi, durante todo o trajeto, pacífico.

Créditos da foto: Marlene Bergamo/Conta d'Água

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Coletivo Tarifa Zero Salvador: “a luta contra a tarifa irá acontecer seja quem for o governante”

Escrito por Irlan Simões

Por: Correio da Cidadania

Principal pauta das históricas Jornadas de Junho de 2013, a luta contra o aumento da tarifa do transporte público e pelo fim das concessões privadas volta a agitar as ruas brasileiras em 2015. Como aconteceu na maioria das grandes capitais brasileiras, Salvador terá um aumento de 7% na tarifa do ônibus, atingindo o valor impressionante de R$3,00.

A medida foi sancionada pelo prefeito ACM Neto naquele período que se tornou estratégico para os gestores municipais amarrados ao lobby das empresas de transporte público: no dia 23 de dezembro, no período de férias e festas, para efetivação a partir do dia 1º de janeiro.

O reajuste reacendeu os movimentos pelo passe livre na cidade. Em entrevista respondida em grupo pelo Coletivo Tarifa Zero, ficamos a par dos acontecimentos dos últimos anos e entendemos a diferença da nomenclatura local para o Movimento Passe Livre nacional.

Confira.

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“Mãos para o alto! A Tarifa é um assalto!”

Qual a atual conjuntura dos movimentos contra o aumento da tarifa?

Tarifa Zero: A luta não é somente local. Hoje há no país uma quantidade incontável de lutas acontecendo, puxadas por coletivos do MPL (Movimento Passe Livre) em diversos casos, porém, muitas delas por fora ou em articulação com o MPL. Em 2015, os prefeitos resolveram aumentar as tarifas no período de férias e de festas, aprenderam com a derrota imposta pelas ruas em junho de 2013 e isso projetou um movimento nacional, mas ainda muito desarticulado. Assim, temos que entender como a conjuntura nacional rebate em Salvador.

Em Salvador, o que há de especial é um prefeito extremamente habilidoso politicamente, com altos índices de popularidade, o que dá margem para medidas impopulares, como o aumento da tarifa. Por outro lado, o MPL estava extinto na cidade, só ressurgindo em 2013 na fagulha das mobilizações, com o nome de Tarifa Zero. Uma série de organizações ligadas ao PT usou e continua usando o nome do MPL para se autopromoverem, sem, contudo, assimilarem a história e as práticas do movimento. Em Salvador, portanto, há enormes barreiras para uma mobilização mais ampla e mais radical.

É preciso descontruir a popularidade do prefeito, lidar com a situação do sequestro da sigla do MPL e organizar a luta através de um coletivo recém-nascido. O que há a favor é a história da cidade de mobilizações mais radicais e alguns coletivos e movimentos que já existiam antes de 2013 que apoiam a luta. Entretanto, uma nova onda de protestos espalhada nacionalmente, com quase toda certeza, rebateria em Salvador e impulsionaria as lutas por aqui também. Hoje derrotar o aumento é algo muito difícil, mas tudo pode mudar em alguns dias.

O que ocorreu nos últimos anos relacionado a essa pauta? Congelamento? Enfrentamento? Aumento?

Tarifa Zero: Em Salvador, as mobilizações de rua impediram que fosse proposto o aumento da tarifa em 2013. A tarifa, portanto, não foi reduzida como em algumas cidades, mas ficou congelada por um bom tempo. Foi uma vitória. Entretanto, os aumentos em Salvador, anteriores ao ano de 2013, foram frequentes e acima da inflação. Salvador tem uma das tarifas mais altas do país e um dos piores sistemas de transporte público. A situação é muito massacrante para a maior parte da população, e a exclusão só se amplia.

Já é do conhecimento geral a Revolta do Buzu, de 2003, e na década de 80 aconteceu um grande quebra-quebra. Se continuarmos voltando no tempo, vamos encontrar mais episódios de revoltas generalizadas contra o sistema de transportes e questionamentos constantes à lógica de mercadoria, à qual se submete o transporte público.

Se nos atermos ao último ano, o que aconteceu foram alguns questionamentos dos movimentos sociais direcionados ao processo licitatório que vendeu o sistema de transportes por muito pouco às mesmas empresas de sempre, sem garantir melhoras significativas para a população. Houve questionamentos ao corte de linhas e à privatização da Lapa.

Também não podemos deixar de lembrar da greve dos rodoviários, por cima das direções sindicais, exigindo aumento salarial e melhores condições de trabalho. As peças do tabuleiro, após junho de 2013, se moveram muito rapidamente.

Como outras organizações se relacionam com a pauta, como sindicatos, movimentos sociais etc.?

Tarifa Zero: Já pontuamos que em Salvador aconteceu o sequestro da sigla do MPL. Setores ligados ao PT usam da sigla do MPL para se promoverem. Tentam, com isto, se aproximar de setores hostis aos partidos políticos usando do capital simbólico do MPL. A maioria dos grandes sindicatos e alguns dos movimentos sociais acaba por corroborar com esta prática, porém, eles não pautam de forma verdadeira a questão da mobilidade urbana. Quando o problema é colocado no centro dos debates, que é o que acontece quando novos aumentos são anunciados, há algum tipo de articulação, sem maiores pretensões.

Por outro lado, um conjunto de novos movimentos e coletivos, e até partidos políticos mais à esquerda que o PT, começou a se articular para pautar de forma mais consistente a questão da mobilidade urbana e promover lutas contra o aumento da tarifa. A pauta se coloca no centro da disputa neste momento, porém, correndo o risco de mais à frente ser esquecida pela grande maioria destas organizações da esquerda.

O desafio é enraizar a pauta da Tarifa Zero em todos os movimentos sociais, superar a ideia de “passe livre estudantil” e consolidar o transporte enquanto direito. Para tanto, também será necessário articular a Tarifa Zero com outras pautas do “direito à cidade”, como moradia e segurança. Não é uma luta fácil e está apenas no começo.

Qual a relação com o governismo?

Tarifa Zero: O governismo está muito confuso neste momento. Em São Paulo, acontece agora uma ofensiva contra o MPL, pois o prefeito da cidade é do PT e é uma das esperanças de renovação do partido. As mobilizações contra o aumento desgastam muito a imagem progressista de Haddad, então os governistas criticam muito o MPL, mas ainda não podem ir contra ele. Tentam a todo custo se apropriar da pauta e transformá-la em algo palatável aos governantes de plantão.

Em Salvador, por outro lado, o prefeito é de oposição ao governo federal e estadual, assim, os governistas podem usar do MPL com mais tranquilidade, mas retaliam em muito as práticas do movimento (autonomismo, apartidarismo, horizontalidade, ação direta etc.). Não se sabe até quando isso vai acontecer, ainda mais com a possibilidade real de nacionalização da luta contra a tarifa.

O governismo pode continuar a ter uma tática local para enfrentar o MPL: ofuscando o movimento, cooptando quando possível ou usando dele para obter seus ganhos; ou pode também partir para uma contraofensiva nacional. O que importa saber é que em Salvador, o Tarifa Zero, federado ao MPL, não colabora com os governistas, sejam eles ligados aos governos estadual e federal, sejam ligados ao governo municipal. A luta contra a tarifa irá acontecer seja quem for o governante.

 

Irlan Simões é editor da Revista Rever.

sábado, 27 de setembro de 2014

‘Debates eleitorais sobre a questão urbana não dialogam com demanda das ruas’

 

ESCRITO POR VALÉRIA NADER E GABRIEL BRITO, DA REDAÇÃO

SEXTA, 26 DE SETEMBRO DE 2014

Por: Correio da Cidadania

x260914_guilhermeboulos.jpg.pagespeed.ic.TYZW7JQxbJEm mais uma de suas entrevistas quanto à ausência ou distorção de grandes temas nacionais no debate eleitoral, conversamos com Guilherme Boulos, para falar de políticas urbanas e de moradia e da abordagem dos candidatos sobre elas. O balanço que o coordenador do MTST faz não é nada alentador.

“Não há nenhuma proposta inovadora colocada em pauta. É o seguinte: política urbana é tomar lado. Hoje, quem controla a política urbana no país é o capital privado, as grandes construtoras, incorporadoras, empreiteiras. É essa gente que faz a verdadeira gestão do planejamento urbano da cidade, de acordo com seus interesses de lucros e rentabilidade. Enquanto tal lógica não for sanada, o problema da moradia não será seriamente enfrentado”, afirmou.

Em sua visão, o debate, ao menos entre as candidaturas dominantes, está colocado “à direita”. “Estão criticando o Minha Casa Minha Vida, mas não pelo que tem de ruim, mas pelo que tem de bom, que é o subsídio”, comentou.

Boulos reconhece o avanço do governo em investir grandes somas num programa habitacional, mas bate na tecla, a partir dos próprios dados oficiais, de que tal iniciativa não poderá prosperar enquanto for pautada pelas grandes empreiteiras que, na prática, são a voz de comando  na política habitacional.

“Não basta fazer 1,7 milhão moradias, como fez a Minha Casa Minha Vida desde 2009, com o Lula e a Dilma. Porque, a cada moradia que se constrói, são produzidos novos sem teto, na mesma proporção, pois não há política urbana que enfrente a especulação”, resumiu.

A entrevista completa com Guilherme Boulos pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Após as massivas manifestações de 2013, catalisadas pelo tema do transporte público gratuito, os movimentos relacionados à moradia e mobilidade urbana adquiriram dimensão em todo país, com uma leva de ocupações urbanas, inclusive por ocasião da Copa do Mundo. Qual a sua opinião sobre a abordagem que têm recebido estes temas nos debates pré-eleitorais, especialmente aquele travado pelas grandes candidaturas presidenciais?

Guilheme Boulos: No que se refere às três principais candidaturas, o debate sobre a questão urbana é extremamente rebaixado. Não se vê, na prática, nenhuma proposta expressiva que represente aquilo que ocorreu em junho de 2013 e nas mobilizações em relação aos temas de moradia neste ano. A discussão no campo da moradia se limita ao Minha Casa Minha Vida, ou seja, se vai continuar ou vai acabar o programa habitacional. O governo está fazendo a discussão do tema “pela direita”. O Minha Casa Minha Vida é um programa muito limitado. Nós temos críticas bastante sérias a este programa, como expressamos nos últimos meses de mobilização.

Estão agora criticando o Minha Casa Minha Vida, mas não pelo que tem de ruim, mas pelo que tem de bom, que é o subsídio. O debate se dá em torno de diminuir ou não o subsídio, uma discussão atrasadíssima. O subsídio é uma conquista da política de moradia e da política urbana. Não se faz política urbana focada em direitos sociais sem subsídio. Isso vale para o campo da moradia, do transporte, da saúde, enfim, o conjunto dos investimentos sociais.

É preciso entender que o subsídio não é um gasto. O subsídio é um investimento para garantir direito social.

Correio da Cidadania: Considera que alguma das candidaturas mais ideológicas e progressistas, ainda que com sua abrangência bem menor, têm conseguido trazer o tema à tona, de forma a fazê-lo reverberar?

Guilheme Boulos: Acho que sim. A candidatura da Luciana Genro, em particular, incorporou o seu programa de governo ao seu discurso público, tanto em debates como em entrevistas. Em suas alusões, aparecem muitas vezes as nossas propostas em relação aos temas de reforma urbana e da moradia, no sentido de fortalecer a gestão direta em detrimento do programa sugerido pelas empreiteiras, como ocorre na prática. Sugere partir para uma política nacional de desapropriação, regulamentação federal do Estatuto das Cidades, combate à especulação imobiliária como ponto zero para uma política urbana mais democrática... Neste sentido, nós vemos na candidatura da Luciana uma tentativa de levantar tais pontos.

Correio da Cidadania: E os candidatos aos governos de estados que abrigam cidades onde o problema se apresenta de forma mais proeminente, como São Paulo, BH e Rio, com dezenas de ocupações e reintegrações de posse em andamento: como pensa que as principais forças eleitorais, no âmbito estadual, vêm debatendo o tema das ocupações urbanas?

Guilheme Boulos: Eu tenho acompanhado o debate mais em São Paulo, onde fico. E o que tenho visto é o mesmo nível rebaixado da campanha federal. Não há, de fato, nenhuma proposta inovadora colocada em pauta. É o seguinte: política urbana é tomar lado. Hoje, quem controla a política urbana no país é o capital privado, as grandes construtoras, incorporadoras, empreiteiras. É essa gente que faz a verdadeira gestão do planejamento urbano da cidade, de acordo com seus interesses de lucros e rentabilidade.

Se, de fato, se quer construir uma política urbana onde os mais pobres participem, para reverter o processo de segregação, exclusão, no qual o pobre é jogado para cada vez mais longe, em locais com menos infraestruturas, menos serviços públicos, é preciso enfrentar o capital imobiliário. Quem o fizer terá de se valer de mecanismos para retomar as terras ao poder público, porque a base da política urbana é a terra. Hoje, a terra está na mão do mercado. É preciso construir mecanismos mais eficazes de regulação do mercado imobiliário.

O mercado imobiliário é uma festa, fazem o que querem. É oferta e procura e pronto. Ao controlar as câmaras municipais, e inclusive parte dos Executivos, conseguem aprovar as leis e as exceções que eles bem entendem. Portanto, uma outra política urbana, popular e democrática para o país de hoje, necessariamente passa por enfrentar os donos da cidade: o setor imobiliário.

Correio da Cidadania: O que poderia dizer sobre o grande problema da moradia e mobilidade na cidade de São Paulo, dos movimentos que têm enfrentado essa situação e da postura do governo do estado e da prefeitura diante desse cenário?

Guilheme Boulos: O governo do Estado de São Paulo teve historicamente a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) como política habitacional. E a CDHU fracassou em seu empenho. A CDHU também manteve toda a lógica de construção por empreiteiras, de moradias de má qualidade e com prestações altas. Muitas vezes, as famílias não conseguem terminar de pagar uma habitação.

Outro fator é que se constrói exclusivamente nas periferias. E a política habitacional do governo do estado, na realidade, acaba adquirindo uma maior visibilidade na hora do despejo, quando manda a polícia militar desalojar de forma violenta milhares e milhares de famílias, como ocorreu no Pinheirinho, em São José dos Campos. E como ocorre semanalmente, às vezes diariamente, aqui na capital e na região metropolitana.

Na prefeitura, nós vemos que, a partir de certo momento, o prefeito Haddad fez um esforço maior de dialogar com os movimentos e compreender as reais necessidades de abrir uma parte de seu programa para a gestão direta dos empreendimentos, tal como propomos. Mas há ainda um buraco na política habitacional do governo Haddad, no qual ela se encontra com o governo estadual, pelo fato de não ter construído alternativas para o despejo, um problema urgente.

Lembre o que nós vimos na semana passada, em São Paulo, naquele despejo violentíssimo que depois se tornou uma verdadeira guerra no centro da cidade. Isso não foi um fato isolado, como querem nos fazer crer. Está acontecendo frequentemente. Não aparecem para o público as famílias desalojadas, agredidas, violentadas, enfim, tendo negado seu direito à moradia.

Portanto, a prefeitura de São Paulo e o governo estadual, infelizmente, não têm se disposto a construir uma alternativa para o problema do despejo. Uma alternativa emergencial que dê conta de enfrentá-lo. Há um exemplo muito concreto: a ocupação Chico Mendes, num terreno municipal da região do Morumbi. Duas mil famílias ocuparam o terreno, numa expressão clara do combate à segregação territorial. E a prefeitura pediu liminar de reintegração de posse e não se dispôs a fazer uma negociação mais efetiva.

Correio da Cidadania: Como a direção e movimentos de ocupação urbana ligados ao MTST têm lidado com esta conjuntura pré-eleitoral? Existe algum pensamento tático e/ou estratégico de modo a que se aproveite este momento para expandir a conscientização do público em geral sobre o grave problema urbano de moradia e mobilidade?


Guilheme Boulos: Não achamos que as eleições sejam um momento de politização. Normalmente, com o nível de campanha eleitoral que se faz, com o marketing predominando sobre qualquer debate político real, achamos que acaba sendo um momento de despolitização.

O movimento, no momento eleitoral, pretende fazer as mesmas mobilizações que tem feito nos últimos meses e nos últimos anos, denunciando e tornando o problema mais público. Mas não vemos que haja uma abertura, de fato, para um debate político no processo eleitoral. Ao contrário, é mais difícil fazer tal debate porque estamos diante de um ambiente em que predomina a maquiagem.

Correio da Cidadania: E como definiria, em linhas gerais, o grande problema da habitação no Brasil de hoje e a postura que assumida pelos governos Lula/Dilma?

Guilheme Boulos: O problema de habitação no Brasil é um barril de pólvora. Se nós pensarmos hoje o que são as nossas grandes cidades, pautadas pela segregação, pelos muros sociais e com o comando da especulação imobiliária, vamos ver que aquele problema da mobilidade, que explodiu em junho de 2013, é crônico. Mas, no último período, o tema do direito à moradia está no foco da nossa avaliação, a partir do que têm sido os índices abusivos de reajuste de alugueis. A política habitacional não pode ser estritamente uma política habitacional. Ela tem de estar congregada com a política urbana. Essa é a questão que nós criticamos diretamente nos governos do PT.

Não basta fazer 1,7 milhão moradias, como fez a Minha Casa Minha Vida desde 2009, com o Lula e a Dilma. Sabe o que aconteceu? Fizeram 1,7 milhão moradias e o déficit habitacional do país aumentou. Era de 5,3 milhões de famílias em 2008, e hoje é de 5,8 milhões. Portanto, na prática, enxuga gelo. É isso que nós temos denunciado já há algum tempo.

Por quê? Porque, a cada moradia que se constrói, são produzidos novos sem teto, na mesma proporção, pois não há política urbana que enfrente a especulação. Um dos critérios do déficit habitacional medido pelo IBGE, um debate no qual o MTST está participando, é o ônus excessivo com o aluguel. Ou seja, quando a família compromete mais de 30% da renda com aluguel. Esse item explodiu nos últimos anos, porque não há um controle da especulação imobiliária.

Assim, não basta construir novas habitações. Claro que construir novas habitações é importante. Ter subsídio é importantíssimo. Temos de reconhecer que essa foi uma conquista do governo nos últimos anos. No entanto, o programa está direcionado para favorecer as empreiteiras. Elas foram as grandes gestoras do programa, as moradias construídas são de baixa qualidade, de tamanho minúsculo, em regiões absolutamente periféricas, e não há uma política urbana de enfrentamento à especulação imobiliária e ao capital imobiliário.

Por isso, o problema habitacional tem se agravado. Vivemos hoje uma contradição: temos um programa habitacional federal que não existia na década passada, com investimento pesado, mas que, ao mesmo tempo, não diminui o problema habitacional. Na verdade, o problema habitacional está se agravando, o déficit aumentando e isso tem a ver, como já salientado, com a falta de política urbana que enfrente a especulação imobiliária.

Quem cria sem teto é a lógica do capital imobiliário. Enquanto tal lógica não for sanada, o problema da moradia não será seriamente enfrentado.

Correio da Cidadania: Como dirigente e membro do MTST, tem algum palpite sobre os resultados eleitorais que poderiam ser mais negativos, ou mais positivos, para as lutas que vêm sendo travadas?

Guilheme Boulos: Como coloquei aqui nessas argumentações, nós somos críticos ao governo Dilma. Temos críticas diretas ao governo Dilma e ao governo do PT. Porém, o mais trágico é que o debate eleitoral está pautado pela direita. Os dois outros candidatos mais votados, o Aécio Neves e a Marina Silva, não estão criticando o governo do PT por não ter feito as reformas estruturais, por não ter enfrentado de forma mais direta o capital. Estão criticando o governo do PT por, supostamente, ter feito tal enfrentamento!

A política econômica neoliberal é defendida abertamente pelo Aécio Neves, já que seu ministro da Fazenda seria o Armínio Fraga. Não precisa dizer mais nada. A Marina Silva, quando bota a turminha dela lá pra defender a autonomia do Banco Central, tripé macroeconômico, redução das metas de inflação e, ao mesmo tempo, dizer que vai aprofundar os programas sociais, mostra que não tem o menor cabimento.

Portanto, infelizmente, as eleições estão sendo pautadas pela direita. Com raras exceções, como a Luciana Genro, que coloca um debate mais à esquerda. Mas, pela lógica do sistema político brasileiro, com financiamento privado de campanha e desigualdade do espaço eleitoral para o debate, tal discurso acaba não tendo eco. Acaba prevalecendo o discurso que pauta o debate eleitoral pela direita. Um grande problema para nós.

Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.