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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Chapa apoiada pela Intersindical luta pela saúde dos Metalúrgicos de Mogi Guaçu

Postado: INTERSINDICAL CENTRAL DA CLASSE TRABALHADORA

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A situação dos Metalúrgicos de Mogi Guaçu é extremamente grave. A atual direção não tem agido em defesa da saúde dos companheiros e até o momento encontra-se suspenso o processo eleitoral para escolha de nova direção para a entidade. O pleito havia sido convocado para os dias 22 e 23 de outubro, no entanto, a Justiça do Trabalho determinou a suspensão do pleito devido a uma série de irregularidades envolvendo membros de uma das chapas e também devido problemas na prestação de contas da atual direção.

A Intersindical – Central da Classe Trabalhadora apoia a Chapa 2 – Resgate, encabeçada por José Roberto de Souza, também presidente da Associação de Trabalhadores Portadores de Doenças Ocupacionais e Acidentados do Trabalho de Mogi-Guaçu – CAAT.

Na semana passada, ele e trabalhadores da Mahle Metal Leve S.A, principal metalúrgica da região, denunciaram à imprensa, a prática indecente por parte da Mahle e Unimed de não aceitar o agendamento de consulta com ortopedista para trabalhadores e dependentes da Mahle.

A associação já está apresentando denúncia ao Ministério Público do Trabalho contra as duas empresas por negligenciarem atendimento médico e submeterem os trabalhadores a condições degradantes do ponto de vista da saúde.

Uma reportagem veiculada pela TV Record em 12 de novembro mostra os trabalhadores da Mahle tentando agendar consulta com ortopedista pela Unimed Mogi-Guaçu, porém quando declaram que pertencem ao quadro da empresa, são informados de que não é possível efetuar o agendamento e são orientados a procurar a Mahle para esclarecimentos.

Para o presidente do CAAT, José Roberto de Souza, esta prática por parte da Mahle é uma forma de dificultar a identificação de uma situação alarmante de número de lesionados, e assim mascarar um grave problema que ocorre dentro da empresa, resultado de pressão por produção que têm causado Lesões por Esforço Repetitivo nos (as) trabalhadores (as).

Trabalhadores impedem golpe

Os metalúrgicos de Mogi-Guaçu conseguiram impedir o golpe contra os direitos dos trabalhadores, articulado pela atual direção do sindicato, que chamou às pressas, em plena campanha salarial, uma assembleia para tentar filiar o sindicato à Força Sindical.

Essa proposta tinha como único objetivo impor aos metalúrgicos convenção coletiva que interessa aos patrões. Ou seja, o sindicato em conchavo com as empresas para retirar direitos e piorar a situação dos trabalhadores em relação a salários, benefícios e cláusulas sociais.

A convenção coletiva da Força Sindical não garante estabilidade aos trabalhadores lesionados até o momento de aposentadoria. Ou seja: este direito seria perdido.

Os trabalhadores foram informados pela Chapa 2 – encabeçada por José Roberto –, sobre esta proposta absurda da atual direção e compareceram em peso para dizer que não aceitariam o golpe de filiação à Força Sindical, vencendo a assembleia do dia 12 por maioria.

No entanto, a direção do sindicato não quer aceitar a decisão dos trabalhadores e comunicou que irá realizar novas assembleias nas fábricas, utilizando falsos argumentos de que houve tumultuo na assembleia.

“Somos contra a filiação à Força Sindical. Isso não interessa aos trabalhadores. Só interessa às empresas”, afirma José Roberto, da Chapa 2 – Resgate.

Audiência de conciliação

Na tarde desta terça-feira (17), houve uma audiência de conciliação para tratar do processo eleitoral do sindicato dos Metalúrgicos de Mogi Guaçu. Como não houve acordo, a Juíza decidiu manter as eleições suspensas e encaminhou o processo a julgamento, ainda sem data prevista para acontecer.

A Justiça pode acatar os pedidos de impugnação da candidatura de membros da chapa concorrente, decidir pela realização das eleições ou, ainda, pela continuidade do mandato da atual direção. A Chapa 2 – Resgate seguirá acompanhando o processo que corre na Justiça e lutando para que os Metalúrgicos de Mogi Guaçu não sofram mais ataques a direitos, como a recente manobra da atual direção do sindicato.

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Zé Roberto (à frente, de camisa) encabeça a Chapa 2, que percebeu o golpe de filiação à Força Sindical.

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Trabalhadores reunidos em frente à sede do sindicato.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

PM reprime protesto contra demissões de 4 mil trabalhadores na Usiminas com bombas, tiros de borracha e gás

INTERSINDICAL Central da Classe Trabalhadora

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A Polícia Militar já estava concentrada no interior da empresa para reprimir os trabalhadores.

Apesar da mobilização contra as demissões na Usiminas desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira (11) ter sido iniciada de forma pacífica, a situação fugiu do controle por volta das 6h30, quando policiais do 2º Batalhão de Ações Especiais (Baep) da Baixada Santista, juntamente com a Cavalaria e a Força Tática, abriram caminho à força na portaria 2 da Usiminas para a passagem de 15 ônibus com trabalhadores.

Os policiais utilizaram gás lacrimogêneo e tiros de borracha para liberar a entrada da empresa. Houve tumulto, para dispersar a multidão de servidores públicos e movimentos sociais presentes, preocupados com o impacto das demissões em toda a economia da Baixada Santista.

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A Polícia Militar já estava concentrada dentro da Usiminas, chegando a tomar seu café da manhã no refeitório da empresa. (Foto: G1)

Ricardo Saraiva Big, Secretário de Relações Internacionais da Intersindical Central da Classe Trabalhadora, e Presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e região, denuncia que a Polícia Militar do Estado de São Paulo já estava preparada dentro da empresa antes da chegada dos trabalhadores.

Segundo ele, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) usa da violência de Estado para garantir o capital privado. “A PM dormiu e tomou seu café da manhã do lado de dentro da empresa. Ou seja, é o aparato do Estado prestando segurança privada para reprimir os trabalhadores.”

Ele relata que cerca de 50 viaturas, além da cavalaria, estavam se reunindo dentro da empresa.

A Prefeitura de Cubatão apoiou a manifestação e, por isso, publicou um decreto confirmando ponto facultativo para esta quarta-feira.

As prefeituras da região estimam que a demissão destes 4 mil trabalhadores atingirá 40 mil pessoas e impactará fortemente nas contas dos municípios.

Três sindicalistas foram detidos. Algumas pessoas se machucaram e o gás lacrimogêneo atingiu jornalistas. Trabalhadores, que estavam do lado de fora da empresa, também chegaram a passar mal durante o confronto.

Imagem obtida pelo site G1 mostra dezenas de policiais jantando no refeitório da Usiminas durante a madrugada de quarta-feira, antes do início da chegada dos manifestantes, às 6h da manhã, o que mostra claramente o conluio da empresa com o comando policial do governador tucano Geraldo Alckmin.

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Cavalaria se concentrando em frente à entrada principal (Foto: G1)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Em diversas cidades do Brasil trabalhadores pedem a saída de Eduardo Cunha

 

INTERSINDICAL CENTRAL DA CLASSE TRABALHADORA

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Foto Capa: Nelson Ezídio

Milhares de trabalhadores tomaram as ruas de diversas cidades do país neste domingo (8) para se manifestar contra o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), contra os ajustes fiscais, entre outras medidas antipopulares.

As manifestações foram convocadas pela Frente Povo Sem Medo, formada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Intersindical Central da Classe Trabalhadora, entre outras entidades sindicais, estudantis e de movimentos sociais. Apena em São Paulo, estima-se que 60 mil pessoas tenham participado da atividade que iniciou no MASP, na Avenida Paulista.

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A Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, em SP, ficou tomada por trabalhadores (Foto: Alexandre Maciel)

“Este ato está acontecendo no país todo. Já fizemos mobilizações no período da manhã em BH, em Uberlândia, em Curitiba e em Brasília, onde temos companheiros acampados até que caia o Eduardo Cunha”, explicou Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST. Na parte da tarde ainda estavam acontecendo manifestações em outros 12 estados pelo Brasil.

“O Presidente da Câmara representa o avanço do conservadorismo, ataque aos direitos das trabalhadoras e o retrocesso aos direitos socais”, definiu Edson Carneiro Índio, Secretário Geral da Intersindical.

Segundo ele, “é preciso demitir o Joaquim Levi, mudar a política econômica atual e impor um modelo de geração de empregos, de crescimento da economia e fortalecimento dos serviços públicos”.

Eduardo Cunha

Pauta de reivindicação principal, o pedido pela saída de Eduardo Cunha se dá por motivos concretos. Apenas este ano já vimos diversos projetos antipopulares pautados na Câmara, que colocam em risco direitos sociais, políticos e civis, como a Lei das Terceirizações, a Redução da Maioridade Penal, o Estatuto da Família, a PEC da Corrupção/Contrarreforma política e, recentemente, o PL 5069/2013 que ataca o direito das mulheres.

Além destes, está previsto para este mês de novembro a votação do orçamento na Câmara, em que já está sinalizado o core de programas sociais, como o Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, por exemplo. “Se na votação do orçamento houver cortes nas áreas sociais, este país vai pegar fogo de norte a sul. A Câmara já não tem função social a muito tempo e, por isso, se for preciso, ela vai ser ocupada”, garante Boulos.

Não aos ajustes fiscais

Outras demandas também foram motivos das manifestações, como os ajustes fiscais impostos pelos Governos Federais e Estaduais, que também atacam direitos sociais como o seguro desemprego, o fundo de pensões e ainda ameaçam atacar a aposentadoria.

As milhares de pessoas nas ruas deixaram claro que não aceitam o retrocesso de seus direitos, em detrimento de uma conta que deveria ser cobrada da elite financeira do país, que nunca teve suas fortunas reguladas e são os verdadeiros responsáveis pela crise econômica. ” O Governo Dilma vai ser derrotado nas ruas, porque o povo brasileiro não aceita essa política econômica”, disse Índio.

Ele explicou que “é necessário que esteja na agenda do país uma reforma tributária que taxe os mais ricos e também fazer uma reforma nos meios de comunicações, para acabar com o monopólio dos atuais donos da mídia”.

Geraldo Alckmin

Recentemente diversas manifestações de estudantes secundaristas estão acontecendo pelo estado de São Paulo devido ao projeto de reorganização escolar imposto pelo Governo Geraldo Alckmin, que quer fechar diversas escolas. De acordo com o MTST, a cada escola que for fechada será ocupada, com o objetivo de retornar seu funcionamento.

A manifestação seguiu da Avenida Paulista até no Ibirapuera, no Monumento aos Bandeirantes, símbolo da colonização portuguesa, que escravizou e matou milhares de índios e negros, em sua espoliação incessante das riquezas naturais da América Latina.

Albúm de Foto: Fonte: Imprensa Seeb Santos e Região

domingo, 8 de novembro de 2015

Viviana Abud, da FSM: a questão de gênero é uma luta política que necessita de formação

INTERSINDICAL – Central da Classe Trabalhadora

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“Como gênero, somos oprimidas, mas enquanto classe trabalhadora, somos exploradas. E é aí que se encontra o ponto inicial da luta que travamos”, analisou a dirigente sindical chilena, Viviana Abud, subcoordenadora de mulheres da América Latina da FSM (Federação Sindical Mundial) e Secretária Geral do SITECO (Sindicato Interempresa de la Gran Minería y Ramas Anexas) na noite desta quarta-feira, 30.

Convocada pelo coletivo de Mulheres da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, a atividade teve como objetivo debater a perspectiva de classe e gênero na América Latina.

Segundo Viviana, é preciso fazer uma analise do que é gênero e classe, para poder compreender a luta feminista. “Historicamente, as mulheres tem sido oprimidas, mas não temos de falar somente de opressão, mas também de exploração”.

Ela explica que opressão e exploração são dois termos que muitas vezes confundimos ser a mesma coisa, mas há uma diferença: a opressão se aplica às questões de gênero, seja para mulheres proletárias ou burguesas, enquanto a exploração divide as vítimas da opressão em classes distintas.

“Quando falamos de gênero, estamos falando da mulher exploradora e da mulher explorada. Ai está a diferença”, define. De acordo com Viviana, para terminar com a opressão da mulher, também tem de se terminar com a exploração da classe trabalhadora.

Formação com recorte de gênero

Viviana lembra que seus companheiros proletários também são explorados e discriminados. Por este motivo “a luta tem de ser conjunta”.

Ela não descarta o fato de que muitos companheiros são machistas, assim como muitas mulheres também. “Mas o que vamos fazer?”, pergunta.

Para ela, a única maneira de reverter este quadro é o caminho da formação. “A luta das mulheres não tem de ser uma bandeira exclusiva das mulheres, tem de ser uma bandeira da classe trabalhadora em seu conjunto. Pelo contrário, vamos avançar em pequenos passos”.

Ela enfatiza que o movimento feminista é muito importante, especialmente quando tem um recorte de classe, que une a todas e todos.

Viviana citou um trecho do discurso “A contribuição da mulher proletária é indispensável para a vitória do socialismo”, de Clara Zetkin, grande dirigente marxista e idealizadora do Dia Internacional de Luta das Mulheres (8 de março): “Clara – disse – nos apresentou uma perspectiva do que é a luta feminista”:

“A mulher proletária combate ombro a ombro com o homem de sua classe contra a sociedade capitalista (…) ainda que as mulheres consigam a igualdade política, nada muda na relação de forças. A mulher proletária se coloca como parte do proletariado e a burguesa como parte da burguesia. Não nos deixamos enganar pelas tendências socialistas no seio do movimento feminino burguês: elas se manifestarão enquanto as mulheres se sintam oprimidas, mas nada além disso. Ao passo que a mulher proletária está na luta pela liberdade da classe proletária”.

Segundo ela, aí que se encontra o fundamental papel da organização sindical de organizar dentro dos sindicatos, das centrais, federações e confederações, coletivos de trabalho feministas ou de gênero. “As organizações sindicais são uma ferramenta fundamental para fazer avançar as demandas de gênero”, completou.

Para ela, um dos grandes desafios dos sindicatos é a formação, e, neste caso, com recorte de gênero: “Sabemos o que é ser oprimidas e sabemos o que é ser exploradas. Nossa luta é uma luta política que necessita de formação”.

Fotos: Alexandre Maciel