Translate - Tradutor

Visualizações de página

sábado, 8 de março de 2014

08 de março: Por que lutam as mulheres?

Coletivo de Mulheres Trabalhadoras da INTERSINDICAL

Às vésperas do 08 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres,  lembramos o histórico de luta e resistência das mulheres por todo o mundo, especialmente as operárias russas que foram às ruas contra a fome, a guerra e a tirania, sendo estopim da Revolução Russa.  Anos mais tarde, Clara Zetkin torna este dia a referência de luta das mulheres socialistas, no Congresso Internacional das Mulheres Socialistas em 1921, em Copenhague. 

Seguimos nas ruas e as ocuparemos novamente, neste 08 de março, para reafirmar que a luta feminista e socialista segue atual e necessária.  Um dos embates é contra a ideia de que o feminismo e suas reivindicações estariam superados, que as mulheres já estão no mercado de trabalho e, até mesmo, na Presidência da República. Mas o machismo e a desigualdade seguem fortes, presentes ideologicamente e deixando marcas na vida e no corpo das mulheres.


Marcas oriundas da ausência de direitos e da gradativa diminuição do Estado nos serviços essenciais, como saúde, educação, moradia e previdência social; também da dupla exploração de sua força de trabalho, com o trabalho doméstico, desqualificado e não pago. E também na ocupação dos postos mais precarizados e mal remunerados.

As mulheres são a maioria da população brasileira hoje e também são a maioria das pessoas que vivem com menos de um salário mínimo. A diferença salarial entre homens e mulheres persiste aliada ao componente étnico–racial que aumenta a desigualdade e exploração das mulheres negras. É urgente transformarmos a realidade de super exploração que as mulheres trabalhadoras estão submetidas!

A violência contra as mulheres ainda é gritante, responsável por uma realidade de medo e humilhação. Apesar da aprovação da Lei Maria da Penha, que representou um avanço jurídico importante, é preciso condições para implementação da lei com recursos e ações efetivas para combater a violência sexista. A violência contra a mulher ainda é vista como algo natural, comum e trivial.

A cobertura dada pela imprensa espetaculariza à violência e, ao mesmo tempo, reforça essa trivialidade. Além dos instrumentos legais, é preciso avançar na consciência da população, combatendo toda e qualquer expressão do machismo. Afinal, é o machismo a única causa desse tipo de violência. É a ideologia machista que vê a mulher com inferioridade, como coisa, subalterna, submissa, sem condições para fazer escolhas e participar da política, sem independência e autonomia para viver sua sexualidade e decidir acerca de seu corpo. A violência contra a mulher é o machismo em movimento, que fere e mata mulheres diuturnamente. Nossa luta é contra a violência, a banalização e o silêncio.

Lutamos também pelo Estado laico, para que os direitos e as políticas públicas não sejam ditados por interesses de grupos religiosos. Respeitamos a opção de fé de cada cidadão, inclusive a opção de não ter fé alguma. Entretanto, nos grupos religiosos, a chamada “bancada da fé”, vêm se empenhando em perseguir e criminalizar as mulheres que realizam a prática do aborto e tentam incidir sobre a legislação com diversos projetos para restringir ainda mais esta prática e com ações referentes à autonomia das mulheres sobre seu corpo. Esse grupo é poderoso e o governo Dilma segue barganhando os direitos das mulheres em troca de votos e governabilidade.

A medida provisória 557 que institui o cadastro de gestantes é um exemplo dessa política, justifica-se o controle das gestantes por meio de um cadastro nacional para, supostamente, reduzir a mortalidade materna. Não há nenhuma iniciativa concreta na área da saúde e tampouco se refere ao aborto inseguro como uma das causas da mortalidade materna. Um cadastro não resolverá um problema de saúde pública. E a lógica não pode ser do controle e criminalização, mas de educação sexual, acesso a métodos contraceptivos e aborto seguro para interrupção da gravidez indesejada. O debate e posicionamento em relação à legalização do aborto deve ocorrer pautado no debate do estado laico, da saúde pública e na defesa da vida e autonomia das mulheres. Sem hipocrisia e fundamentalismos.

No atual governo, também, ocorreram muitas remoções devido às obras destinadas à Copa do Mundo de 2014. As mulheres – principalmente mulheres negras – são parte da sociedade que mais sofrem com essas remoções. Essas mulheres da periferia, na maioria das vezes, são as responsáveis pela chefia de famílias, pelo cuidado com a moradia e com as crianças. A mudança repentina de moradia altera o cotidiano dessas mulheres. Uma das consequências pode ser o aumento da carga de trabalho (com péssima remuneração), trazendo novas preocupações e encargos com filhos e filhas. O aumento da prostituição, inclusive da prostituição infantil para atender o turismo sexual, também é uma realidade vinculada à copa do mundo que agrava a situação de muitas mulheres.

Outro exemplo é o estatuto do nascituro. O Projeto de Lei 478 traz um retrocesso para o direito reprodutivo e para a vida das mulheres! Este projeto anula o aborto legal presente em nossa Constituição atual, ou seja, quando é diagnosticada a anencefalia fetal (nesses casos o bebê não vive fora do útero e os riscos para a vida da mulher que segue gestante são altíssimos) e em casos de estupro. Segundo o projeto de lei a mulher será criminalizada se abortar – ainda que seja uma gestação provocada por um estupro! Para piorar, o estuprador poderá reconhecer a paternidade e ter seu nome na certidão de nascimento da criança.

Este modelo reforça a violência contra as mulheres, reforça a ideia de que o estuprador pode ser pai por meio do pagamento de uma pensão, sugere o estupro como caminho para a paternidade (o que é inaceitável!) e desconsidera que a reprodução é uma escolha da mulher. Quando o estuprador não for identificado, a pensão será assumida pelo Estado – que deveria ser laico e, portanto, zelar pela vida das mulheres, como pela vida de qualquer cidadão. Chamamos esta pensão de “bolsa-estupro”. O estatuto do nascituro contribui, então, para o fortalecimento de uma cultura estabelecida de submissão das mulheres em relação aos homens.

Assim, temos muito a reivindicar e estamos nas ruas para dizer que sem feminismo não há transformação dessa sociedade. Não há luta por liberdade, por justiça, por uma sociedade socialista se as mulheres seguem exploradas e oprimidas. Tomemos as ruas no 08 de março, por socialismo e liberdade!

Essas Mulheres Trabalhadoras da Intersindical

quinta-feira, 6 de março de 2014

Natura tenta impedir sindicato de informar trabalhadores(as)

Por: Químicos Unifcados

natura 1

A Natura, em Cajamar, tentou impedir os dirigentes do Sindicato Químicos Unificados de distribuir um boletim com informações sobre as negociações da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na manhã de ontem (05 de março). Os motoristas dos fretados foram orientados a não abrir a porta para os dirigentes sindicais conversarem com os trabalhadores. Além disso, mesmo com dirigentes em frente aos ônibus os seguranças orientavam os motoristas a não parar, colocando vidas em risco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Com o objetivo de intimidar o sindicato e os trabalhadores, a Natura acionou a polícia rodoviária e militar. Apesar da tentativa de obstruir a atividade sindical, os trabalhadores pegaram os boletins pela janela e passaram adiante para os colegas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Esta atitude da Natura configura-se como prática antissindical e é uma repetição do que a empresa havia feito na noite de sexta passada (28/02/14) e na manhã de sábado (01/03). O portão foi trancado a cadeado e isso fez com que se formasse uma enorme fila de ônibus na rodovia Anhanguera, oferecendo risco de acidentes, principalmente nos dias 01 e 05 de março.

O Unificados orienta os trabalhadores a não assinar nenhum tipo de documento ou proposta feita pela empresa, pois as discussões em torno do pagamento integral da PLR ainda não chegaram ao fim. Há uma reunião marcada para amanhã (07 de março).

natura 4

A Natura tem feito forte pressão para tentar reprimir e intimidar a luta dos trabalhadores pela PLR integral, fotografando e filmando-os durante as assembleias, chegando até mesmo a impedi-los de usar do banheiro da portaria. Também chegou ao conhecimento do Unificados que na semana do dia 24/02 gerentes reuniram-se com trabalhadores para fazer ameaças de demissão e punição contra todos que estão firmes na luta pelo pagamento integral da PLR.

“O sindicato não aceitará qualquer tipo de proposta feita pela empresa sem antes consultar os trabalhadores. Permaneçam atentos e denunciem problemas, assédio moral ou qualquer outro tipo de abuso que a Natura venha a fazer. A assembleia é um direito e quem decide sua duração são os trabalhadores.”, destaca Paulinho, da Regional Osasco do Sindicato Químicos Unificados.

Pequena fatia

Os trabalhadores já produziram os enormes lucros da Natura. A PLR é apenas uma pequena fatia deste montante, mas que a empresa tem se negado a negociar. No dia 13/02, em reunião com o sindicato, a Natura informou que não atingiu a meta Resultado Operacional, que representa 30% da PLR dos trabalhadores do setor operacional e 50% da PLR dos trabalhadores do setor administrativo.

Na reunião, a empresa fez questão de afirmar que não estava disposta a negociar e que a única proposta seria o pagamento de 15% para os trabalhadores operacionais. O Unificados exigiu abertura de negociação, tanto na reunião do dia 13/02 como na reunião realizada no Ministério do Trabalho no dia 14/02.

O sindicato realizou assembleias com os trabalhadores dos três turnos da Natura e eles aprovaram nas assembleias realizadas nos dias 15/2, 20/02 e 21/02 a manutenção da luta pelo pagamento integral da PLR, referente à meta da empresa e definiram prazo de 72 horas para resposta por parte da empresa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Após a pressão dos trabalhadores nas assembleias com atraso de produção, uma reunião ocorreu no dia 28/02 entre sindicato e empresa. Durante a reunião, a empresa ficou de avaliar a proposta de pagamento maior do que os 15% que havia proposto anteriormente e marcou para o dia 07/03 a continuidade da discussão sobre a PLR.

Se até então a empresa afirmava não estar aberta a negociações, agora já está agendada uma data para discutir a questão. No entanto, a empresa tem agido de maneira autoritária ao tentar impedir o sindicato de conversar com os trabalhadores e criar um clima ameaçador por meio de forte aparato policial. A Natura age como se o trabalhador não tivesse o direito de ser informado pelo sindicato.

“Às vezes parece que estamos indo para a prisão, pois a gente chega e tem tanta polícia, tanta pessoas olhando para a gente, parece que tentando identificar algum bandido.”, declarou um companheiro da Natura.

Texto por: Cecília Gomes

quarta-feira, 5 de março de 2014

Desmilitarizar a polícia de combate

Escrito po: Plínio Gentil

Postado: Correio da Cidadania

250xNx270214_policia_jpg_pagespeed_ic_-5NeQX-yCCDurante uma manifestação em S. Paulo, no aniversário da cidade, um manifestante foi baleado pela PM, sofrendo graves consequências. Ele foi perseguido, já fora do contexto da manifestação, por três policiais e levou um tiro. Alguém ouviu um grito "mata mesmo”.

É só mais do mesmo. E o que o episódio reflete é a tendência combatente da nossa polícia militar, além de mostrar o resultado da forma equivocada como o Brasil organizou a atividade policial, militarizando-a. Diante de uma manifestação popular, qualquer que seja, a primeira reação policial costuma ser o combate e a tentativa de dispersão.

A polícia militar acha, com ingênua sinceridade, que solucionará a questão eliminando o confronto. Mas o confronto é sempre inevitável – porque a sociedade é contraditória – e a grande virtude da democracia é justamente absorver essas contradições.

Quem coletivamente faz reivindicações é povo, assim como os policiais o são. Só que estes parecem não se considerar parte do povo, do qual estão cada vez mais isolados. Têm um viés de formação que, tudo indica, vem do caráter militar da nossa PM, muito mais adestrada para combater o inimigo do que para proteger o cidadão e seus direitos.

O policial na rua exerce uma função que é civil, não militar. Ele tem que ser um mediador de conflitos. Mediador, não exterminador. O inimigo externo deve ser eliminado pelo soldado, que tem no povo um aliado. O adversário interno deve ser enfrentado e reprimido pelo policial, quando não tiver sido possível evitar o crime ou pacificar a situação conflituosa. O povo aí não é só aliado, é o próprio objeto da ação da polícia. O policial militar, formado para obedecer sem questionar, tem dificuldade de perceber essa diferença. O perfil militar faz da PM uma instituição de combate, que por isso não interage adequadamente com a população.

E aos efeitos maléficos da militarização acrescenta-se o defeito de uma atuação classista, que na sua atuação reproduz a cruel divisão que há na sociedade entre proprietários e proletários, vendo preferencialmente nas camadas mais despossuídas o perfil do inimigo a combater. E tome chacinas. A de 2006, 2012, as execuções e sumiços de adolescentes da periferia todos os anos, a violência generalizada contra os movimentos sociais, estudantes inclusive, o pau nos rolezinhos e por aí vai.

Há projeto de emenda constitucional (PEC 51/2013) redefinindo o papel da polícia, desmilitarizando-a e extinguindo sua função de auxiliar das forças armadas, sob o comando de um oficial do Exército, coisas que o regime militar impôs às antigas Forças Públicas. Se aprovado, o projeto terá estabelecido que polícia é uma coisa, forças armadas outra.

O professor Dalmo Dallari, da USP, conta de uma carta do então presidente Campos Salles aconselhando o governador Bernardino de Campos a ter bem organizada a força policial do estado. “Esta gente” – diz o presidente – “sob um regime rigorosamente militar será o casco poderoso para qualquer eventualidade...”.

Está escrito “casco” mesmo. Então, se a polícia militar, já desde a primeira república, é formada para ser um casco, nunca poderá ser “permeável às demandas dos cidadãos”, como enuncia a justificativa da PEC 51/2013. Nem o servidor policial se sentir como um deles. A militarização faz mal aos policiais, à República e à população. É preciso, o quanto antes, desmilitarizar essa polícia de combate, cascuda.

Plínio Gentil é professor de Direitos Humanos (PUC-SP) e Procurador de Justiça criminal. Filiado ao Movimento do Ministério Público Democrático e ao Grupo de Pesquisa Educação e Direito, da UFSCar.

segunda-feira, 3 de março de 2014

São Paulo vê retomada do carnaval de rua e grande número de blocos

ESCRITO POR GABRIEL BRITO, DA REDAÇÃO

Postado: Correio da cidadania

Clique aqui para ouvir o áudio da entrevista.

250xNx280214_carnaval.jpg.pagespeed.ic.CgOiE1Plb1O Brasil se prepara para se atirar em mais um carnaval, com praticamente uma semana de festas por todo o território nacional, para muitos o verdadeiro rito de passagem ao novo ano. Em São Paulo, o clima não é diferente e, inclusive, sente-se no ar uma sensação de novos tempos, com um número de desfiles de blocos carnavalescos (quase 200) altamente superior ao que vinha sendo verificado nos últimos anos.

Como tudo na vida, tal momento, marcado pela euforia e festividade quase sem limite, também tem seus traços políticos, desde a possibilidade de uso do espaço público até o próprio conteúdo das questões que serão entoadas pelas ruas.

“O nosso bloco do Saci da Bixiga surgiu a partir da necessidade de resgatar o carnaval para o povo, de forma verdadeira, sob o lema ‘diversão e contestação’. Hoje, te obrigam a pagar uma grana alta para poder participar, lá no Anhembi. Ou a ficar em casa vendo televisão”, disse Claudimar Gomes dos Santos, em entrevista ao Correio da Cidadania.

Claudimar também é um dos responsáveis pela manutenção do ECLA (Espaço Cultural Latino-Americano), berço do bloco, que neste ano sairá às ruas com tema “50 Anos de Resistência à Ditadura”, nos dias 1 e 4 de março, pelo centro de São Paulo. Na conversa, ele ainda falou sobre uma mudança de postura da prefeitura de Haddad, em relação ao uso das ruas e espaços públicos. “Um avanço”.

A entrevista completa, novamente realizada em parceria com a webrádio Central3, pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Em primeiro lugar, você pode nos contar como se deu a formação do bloco denominado Saci da Bixiga?

Claudimar Gomes dos Santos: Surgiu de uma ideia nossa no ECLA (Espaço Cultural Latino-Americano), no começo de 2010.

O nosso bloco surgiu a partir da necessidade de resgatar o carnaval para o povo, de forma verdadeira, pois o que existe hoje não é o carnaval popular tal como surgido. A burguesia se apropriou desse carnaval e o transformou em um evento. Te obrigam a pagar uma grana alta para poder participar, lá no Anhembi. Ou, melhor ainda, para orgulho da Rede Globo, obrigam a ficar em casa vendo televisão, engolindo tudo quanto é comercial que a TV impõe.

Mas entendemos que carnaval não é assim. É povo na rua, sem grande organização. Tem caráter anárquico e por isso nos recusamos a participar da União de Blocos de São Paulo. O carnaval tem de ser do jeito que se quiser, com a roupa que se quiser. No Saci, vendemos camisas, mas não são obrigatórias, para custear despesas. No mais, aceitamos doações, mas somente de sindicatos, organizações de trabalhadores e alguns outros companheiros. Fora isso, nenhuma outra forma de contribuição.

O bloco surgiu da ideia de resgatar o carnaval para o povo, sob o lema “diversão e contestação”. É muito gostoso brincar e ir pra rua, mas não podemos esquecer das questões sociais. No primeiro ano, saímos com o tema Moradia; no segundo ano, Democratização da Comunicação; no ano passado, Poder Popular Contra a Opressão; e neste ano, 50 Anos de Resistência à Ditadura.

Correio da Cidadania: Tem alguma relação com o chamado Cordão da Mentira, que promove desfiles com temáticas relacionadas à ditadura?

 

Claudimar Gomes dos Santos: O Cordão da Mentira é formado por amigos, parceiros, tocamos músicas uns dos outros. Não é a mesma coisa, mas eles se reúnem e ensaiam aqui no ECLA, onde se concentra o Saci da Bixiga.

Correio da Cidadania: Qual a participação do ECLA na formação do bloco e também quais os objetivos e esforços desse espaço em si?

Claudimar Gomes dos Santos: Sempre tive participação nas atividades culturais do PCB, partido no qual militava. E quando procuramos um espaço para alugar, vimos que esse, onde viríamos a instalar o ECLA, era muito grande. A ideia era apenas continuar com o cineclube. Mas como o espaço era bem maior, vimos que dava pra começar a abri-lo para os músicos, o pessoal do teatro, e deixá-lo apto a ensaios e apresentações. Assim, fomos desenvolvendo o lugar.

O problema era custear o espaço de forma independente. Então, colocamos um barzinho lá dentro, onde nós mesmos trabalhamos, para garantir a manutenção. É a forma que encontramos de manter a independência do ECLA. É um espaço aberto a todas as organizações e movimentos sociais de esquerda, além de todas as pessoas envolvidas na cultura e na transformação da sociedade.

Correio da Cidadania: Qual a expectativa para o Carnaval deste ano? E, dentro disso, como enxerga a relação do poder público de São Paulo com a ocupação das ruas e espaços públicos, inclusive com finalidades festivas?

Claudimar Gomes dos Santos: No ano passado, saímos com 3000 integrantes no Saci da Bixiga. A expectativa é de que o número aumente neste ano. Tivemos alguns avanços em relação à prefeitura. O Haddad baixou um Decreto que facilitou um pouco, a respeito do pagamento à CET. Por outro lado, sentimos uma certa resistência da polícia militar.

Na segunda-feira passada (17), recebi um telefonema do quartel da área, chamando para uma reunião dos blocos de carnaval, na terça, 10 da manhã. Imaginei que fosse reunião com todos os blocos daqui do centro, para discutir com a polícia como todos poderiam contribuir na organização. A surpresa foi que após chegar lá vimos que não tinha representante de nenhum outro bloco, a não ser o nosso. Conversamos e o major me fez todas as perguntas sobre as quais já tinha resposta, dentro de um ofício que já tinha sido encaminhado a ele. Tratava-se do número de participantes, trajeto, horário etc. Ficamos com uma certa preocupação porque nosso tema do ano é “50 Anos de Resistência à Ditadura”, o que talvez tenha chamado atenção deles.

No entanto, nunca tivemos nenhum problema nos três anos de desfiles. Participam crianças, de colo inclusive, pessoas de idade e a comunidade da Bela Vista, que por sinal nos cobra na rua a respeito de quando o bloco sairá.

Ficamos preocupados. Não por uma ação legal, porque eles não têm o que fazer quanto a isso. Nem o Estado e nem a polícia têm como agir legalmente pra impedir ou coibir a saída do bloco. Nosso temor é sobre algum tipo de provocação ou coisa parecida, para tentar inviabilizar e tentar jogar a culpa na esquerda, como sempre fazem.

Mas estaremos de olho, com colegas descaracterizados do bloco sondando todo o percurso. Apesar da presença da PM, teremos nossos companheiros de olho. E já adianto que se tivermos algum problema, terá sido por conta da polícia militar.

Correio da Cidadania: Ainda assim, você acredita que estamos num momento de mudança de rumos, com uma nova visão de política cultural, ao menos por parte da nova prefeitura, mais ativa e permissiva a tais eventos e formas de promoção da cultura e do lazer?

Claudimar Gomes dos Santos: Há uma política muito mais permissiva. Quando o bloco é filiado à União dos Blocos de SP, aparece no calendário oficial da São Paulo Turismo e fica isento de taxas. Aliás, ainda recebe verbas. Como somos independentes, e fazemos questão de ser, no ano passado pagamos uma taxa de R$ 2050 à CET. Neste ano, não pagamos, mas a prefeitura subsidiou. Ela que pagou a CET. Foi um avanço.

Além disso, estive em reunião na prefeitura nesta quinta-feira (27). Como disse, naquele dia o major me pediu a carta de autorização da CET e da prefeitura. Mas falei que só pegaria na semana seguinte. E que a prefeitura não emite nenhuma autorização. Ela simplesmente é comunicada. Como diz o artigo 5º da Constituição, o poder público só precisa ser comunicado da manifestação. Nada mais. Mas o major me obrigou a ir na subprefeitura da Sé. Relatei o problema e recebi uma carta da subprefeitura, na qual ela se dizia ciente da nossa participação. De toda forma, tivemos avanço.

Correio da Cidadania: Como vocês que desfilarão no Cordão da Mentira enxergam o Brasil de hoje, mais de 20 anos após a chamada transição democrática? Você faria relações entre o cinquentenário do golpe de Estado e a atual dinâmica das lutas políticas, dentro de um ano que promete ser efervescente?

Claudimar Gomes dos Santos: Falou bem. São mais de 20 anos da pseudo-transição democrática. Uma coisa é termos os direitos garantidos pela Constituição, a liberdade de manifestação. É bom. Mas tem governos, como por exemplo o governo do estado de SP, que ainda promovem ações típicas de quem está com saudade daquela ditadura, como se vê nas ações da polícia deste estado.

E é bom também lembrar que tal tipo de ação (ditatorial) já aconteceu recentemente, via polícias militares, na Bolívia e no Equador. E, por vias jurídicas, no Paraguai e Honduras. Enfim, há alguma coisa no ar que não são aviões de carreira.

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

sábado, 1 de março de 2014

Trabalhadores atrasam em três horas a produção da Natura, em Cajamar

Por: Químicos Unificados

Fotos: Imprensa Químicos Unificados

WEB-destaqu-WP_20140221_022-337x252

Os trabalhadores e trabalhadoras da Natura, em Cajamar, atrasaram a produção por três horas na noite de sexta-feira (21/02/2014) para sábado em protesto contra a recusa por parte da empresa em negociar uma participação nos lucros e resultados (PLR) integral. Na imagem acima, Nilza Pereira, dirigente da Regional Osasco do Unificados fala na assembleia.

WEB-interna-tripa-voto-1-Natura-21_02

Fotos: Imprensa Químicos Unificados

OBS: Todas as fotos das assembleias na Natura estão editadas para evitar identificação dos trabalhadores

Durante o final de semana o Unificados fechou o ciclo de assembleias com os três turnos da empresa, no qual os trabalhadores votaram pelo pagamento do valor integral da PLR; abertura de negociações para formalização de termo aditivo ao acordo; indicação de data para início das negociações e outros itens relacionados às condições de trabalho que serão apresentados posteriormente. A PLR e a jornada de trabalho foram definidas como as prioridades no momento.

A Natura comunicou que não atingiu sua meta e, por esse motivo, irá pagar apenas 15% do valor da “Meta da Empresa”, ao invés dos 30%. Durante a reunião mediada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, realizada em 14 de fevereiro, a empresa afirmou que não está aberta à negociação, o que motivou o protesto dos trabalhadores na assembleia e o atraso na produção.

O sindicato protocolou documento com a pauta de reivindicações e os trabalhadores decidiram aguardar por72 horas para que a empresa se manifeste.

GEDSC DIGITAL CAMERA

Foto:: Imprensa Químicos Unificados

Jornada de trabalho

Vencida desde 2010, a jornada de trabalho na Natura é prioridade para os trabalhadores, porém a empresa vem empurrando a definição. Um argumento colocado pela Natura para não aceitar uma das propostas de jornada feitas pelo sindicato é de que o Corpo de Bombeiros não autoriza sobrepor dois turnos na fábrica, pois o número de pessoas circulando no local seria acima do considerado seguro.

WEB-int-voto-frente-Assembleia-20_02

Foto: Imprensa Químicos Unificados

Esse argumento, no entanto, não é válido para a Natura na hora de organizar as máquinas na produção, uma vez que os trabalhadores ficam amontoados e sem espaço para circular.

A empresa utiliza dois pesos e duas medidas e deixa claro que não está disposta a regularizar a questão da jornada de trabalho e se utiliza de argumentos frágeis para impedir que um acordo favorável aos trabalhadores seja firmado.

O clima na Natura é de insatisfação e a mobilização pelas reivindicações segue firme.

Obs: Na noite de sexta-feira dia 28 de Fevereiro a direção dos Químicos Unificados da Regional Osasco e Intersindical foi impedido de entregar o jornal aos trabalhadores pelo grande aparato  policial, aonde os diretores tiveram que entrar na frente dos ônibus e entregar o jornal pelas janelas que foram abertas pelos trabalhadores.

Foto: Carlos Roberto kaká

Natura (3)Natura (18)Natura (20)Natura (22)Natura (23)Natura (26)Natura (29)Natura (33)