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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Movimentos vão às ruas celebrar 10 anos da derrota da Alca

Por: Brasil de fato

Atos vão acontecer em 20 cidades na América Latina. “O desafio é identificar os novos dilemas colocados para as organizações populares”, diz brasileira.

Por Bruno Pavan,

De São Paulo (SP)

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Foi no dia cinco de novembro de 2005 que a proposta da Área de Livre Comércio Entre as Américas (Alca) foi oficialmente sepultada na IV Cúpula das Américas, na cidade argentina de Mar del Plata. Lembrando a data dez anos depois, dezenas de movimentos vão voltar às ruas para a realização da Jornada Anti-Imperialista.

A intenção é analisar a vitória que os povos tiveram contra o imperialismo, mas também colocar os próximos desafios que estão postos para os movimentos populares. Paola Estrada, da Secretaria da Articulação dos Movimentos Sociais da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), alerta que, mesmo sem a Alca, os Estados Unidos conseguiram avançar em acordos bi e multilaterais com países do continente e com a Aliança do Transpacífico (TPP).

“O TPP nos deixa em alerta, porque vai pra além do acordo de comércio de mercadorias e passa para a área de serviços. Além disso, [existem] todas as movimentações desse ano e como se usam as crises econômicas e políticas no Brasil pra pautar esses acordos como saída”, criticou.

Apesar disso, Paola reforçou que desde o fracasso da Alca os governo progressistas da América do Sul apostaram no fortalecimento da integração regional tanto política quanto economicamente e minaram o poder estadunidense na região. “Aconteceu a ampliação do Mercosul, a criação da Unasul e da Celac, que surgiram em contraposição ao domínio político dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA). Além disso foi criada a Alba, protagonizada por Venezuela e Cuba”. 

Para comemorar a vitória dos movimentos sociais, mais de 20 cidades pelo continente terão atos e atividades de rua. Em São Paulo o protesto acontecerá na Praça do Patriarca, a partir das 15 horas, na quinta-feira (5).

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Venezuela e Cuba celebram 14 anos de cooperação

 

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Reprodução

Ao todo, os dois países mantêm 56 projetos de diversas áreas, como saúde e educação

31/10/2014

Da Redação Brasil de Fato

Assinado em 2000, o Convênio Integral de Cooperação entre Cuba e Venezuela completou 14 anos de vigência, nesta quinta-feira (30). Ao todo, são 56 projetos voltados para o desenvolvimento social dos dois países nas áreas de saúde, educação, esporte, cultura, agricultura, transportes e construção.

Mais de 40 mil cubanos trabalham em solo venezuelano que financia o apoio nas políticas sociais por meio do petróleo enviado para a ilha caribenha.

Na Vezenuela, a grande maioria dos cubanos integra o programa social Barrio Adentro, criado em 2003 e que presta cuidados sanitários aos venezuelanos de baixa renda. Por meio dele, mais de sete mil clínicas populares foram construídas, além de, aproximadamente, 600 Centros de Diagnóstico Integral e Salas de Reabilitação Integral e mais de 20 Centros de Alta Tecnologia.

Na educação, grandes avanços também foram possíveis, dada a aplicação da Missão Robinson, também em 2003, cujo método educativo cubano "Eu posso sim" [Yo sí puedo], chegou aos lugares mais recônditos do país para oferecer a possibilidade de aprender a ler e escrever. Hoje o país é considerado território livre do analfabetismo pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Avanços

Tais acordos colaboraram para que a Venezuela fosse uma das economias que mais se desenvolveram na América Latina na última década. Embora a inflação ainda seja alta, o país do ex-presidente Hugo Chávez (1954-2013), tornou-se a 4ª maior economia da América Latina, superada somente por Brasil, México e Argentina.

Em 2012, aados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) também indicam, por exemplo, que o país tem o menor índice de desigualdade do continente, com um coeficiente Gini de 0,394 (quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade).

quinta-feira, 24 de abril de 2014

“Povo venezuelano derrotou o golpe estimulado pelos EUA e sua mídia”, afirma Iván González

Postado: Brasil de Fato

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Reprodução

Na avaliação de González, o problema mais sério neste momento “é a pouca capacidade do governo venezuelano de enfrentar a intensa campanha midiática que continua sendo fonte permanente de desinformação”

24/04/2014

Leonardo Wexell Severo
Desde a sua eleição, em eleição apertada contra Henrique Capriles no início de 2013, Nicolas Maduro não teve vida fácil no governo da Venezuela. Problemas econômicos atingiram o país e levaram oposicionistas às ruas tentando, a todo custo, derrubar seu governo.

Confira a entrevista de Iván González, Coordenador político da Confederação Sindical das Américas (CSA), entidade que representa mais de 50 milhões de trabalhadores de 53 organizações nacionais de 23 países,  na qual ele reforça que houveram inúmeras tentativas do governo Maduro para  negociar a paz com os oposicionistas e que o povo conseguiu derrubar a tentativa de golpe.     

Qual a sua avaliação da situação atual da Venezuela?
Desde o início, o governo do presidente Nicolás Maduro teve uma postura clara de abordar e enfrentar os problemas. Assim que começou a violência, incitada por setores mais radicais da oposição, ele propôs uma agenda que já vinha sendo construída e estava na sua pauta, desmontando o discurso de “desabastecimento e insegurança”. Desta forma, no momento em que esse setor oposicionista se lança à “guarimba” [bloqueio violento de vias com agressões], fica evidente que esta não era uma demanda da sociedade, mas uma ação orquestrada, desestabilizadora, de caráter abertamente golpista.

De onde partiram esses ataques?

Os focos mais violentos – e alguns ainda persistem - se concentraram justamente nos municípios controlados pela oposição nas regiões mais ricas, com a cumplicidade ou envolvimento direto das autoridades locais. Este é o caso, entre outros, de San Cristóbal, no estado Táchira, fronteira com a Colômbia, onde o prefeito teve plena e comprovada participação nos crimes, e por isso mesmo está preso. Aí também houve o envolvimento de paramilitares colombianos.
Quem acompanha as notícias pelas agências internacionais vê um país à beira do colapso econômico e social. O que está acontecendo?
A realidade é que o nosso país, pois sou venezuelano, nunca foi paralisado, como tentaram nos fazer crer. A atividade econômica sempre se manteve. Salvo nas regiões das quais falei, a vida seguiu seu rumo. A população nunca respaldou a violência. Mesmo opositores que inicialmente participaram de algumas manifestações pacíficas de protesto, abandonaram as ruas quando elas mudaram de conotação.
Em que pé se encontram as negociações de paz?
Desde o primeiro momento o presidente Maduro propôs a realização de uma Conferência Nacional de Paz, convocando a participação de todos os setores oposicionistas, os empresários, a Igreja, reconhecendo os problemas do governo. Só quatro semanas depois, a oposição formal, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), se somou à iniciativa. Com isso o governo isolou o setor mais agressivo, liderado por Corina Machado, fortalecendo a autoridade do presidente, o respeito à Constituição e a condenação à violência.
A democracia sai mais fortalecida?
O governo está muito mais firme. Ampliou sua base, enriqueceu suas propostas com a contribuição de outras entidades e reforçou o compromisso com uma agenda mais inclusiva, particularmente com o setor produtivo, reforçando os acordos com a oposição democrática. Há uma agenda comum de enfrentamento à violência e à insegurança, de renovação de uma parte dos magistrados do Tribunal Superior de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral, que serão eleitos por ¾ do Congresso Nacional, como estabelecido na Constituição, com a participação da oposição.
Qual o papel da Unasul para o avanço do diálogo?
A Unasul teve um papel fundamental no estabelecimento do diálogo, garantindo o respeito às instituições democráticas e à soberania do país, afastando as tentativas dos golpistas de isolar a Venezuela.
Em que pé estão os problemas econômicos ainda existentes?
Há gargalos como a administração de divisas para a importação, que é uma fonte constante de especulação e de ataques econômicos. O governo estabeleceu mecanismos mais transparentes, acordados com os setores produtivos, o que vem garantindo um maior acesso a divisas, com o dólar mais barato. O objetivo é fazer com que, no médio prazo, a inflação seja reduzida.
Qual o maior obstáculo a ser superado neste momento?
Acredito que o problema mais sério é a pouca capacidade do governo venezuelano de enfrentar a intensa campanha midiática que continua sendo fonte permanente de desinformação. Quem avalia a Venezuela pelas agências de notícias vê um país mergulhado no caos, onde falta tudo, com policiais que atiram em jovens desarmados e um governo reprimindo a torto e a direito quem se manifesta pacificamente. Não dizem nada sobre o fato de que mais de metade dos cerca de 40 mortos foi fruto da ação desta oposição violenta, não da polícia bolivariana, que foi vítima de agressões. É preciso esclarecer, porque senão fica parecendo o que não é.

A quem serve esta campanha orquestrada contra a Venezuela?

Aos setores mais reacionários e belicosos da administração dos Estados Unidos. São eles que ficam instigando a oposição e criando um clima para defender sanções contra a soberania e a democracia na Venezuela. Para isso distorcem os fatos e não reconhecem qualquer avanço nos diálogos que vêm ocorrendo. Não reconhecem nem mesmo os setores de oposição que sentaram para negociar. Por outro lado, com as manipulações da mídia, estimulam e dão visibilidade aos atores mais violentos, que não querem negociação, mas defendem abertamente a deposição do governo.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

As derrotas da mídia na América Latina

As recentes mudanças legais na Argentina, Equador e Uruguai se somam as que já estavam em vigor na Venezuela – o primeiro país da região a encarar este tema estratégico –, Bolívia e Nicarágua. Não é para menos que o rebelde continente latino-americano é hoje maior entrave ao poder dos monopólios da mídia

02/01/2014

Por Altamiro Borges em Brasil de Fato

Em 2013, a América Latina se manteve na vanguarda da luta pela regulação da mídia. A região conhece bem os estragos causados por uma mídia concentrada e manipuladora. Os golpes e ditaduras que infelicitaram o continente foram bancados pelos veículos de impressa. O neoliberalismo que dizimou a região também foi apoiado por este setor. Já os governos progressistas nascidos da luta contra as chagas neoliberais tiveram como principal opositor o “Partido Imprensa Golpistas (PIG)”. Nada mais natural, portanto, que a regulação se tornasse uma exigência democrática.
Ley de Medios da Argentina

A derrota mais sentida pelos barões da mídia no ano passado se deu na Argentina. Em outubro, finalmente a Suprema Corte do país declarou a constitucionalidade de quatro artigos da “Ley de Medios” que eram contestados pelo Grupo Clarín, principal império midiático da nação vizinha. Esta decisão histórica permitiu que o governo de Cristina Kirchner prosseguisse com a aplicação integral da nova legislação, considerada uma das mais avançadas do mundo no processo de desconcentração e democratização dos meios de comunicação.
Pelas regras agora em vigor, os grupos monopolistas tem um prazo definido para vender parte de seus ativos com o objetivo expresso de “evitar a concentração da mídia”. O Grupo Clarín, maior holding multimídia do país, terá de ceder, transferir ou vender de 150 a 200 outorgas de rádio e televisão, além dos edifícios e equipamentos onde estão as suas emissoras. A batalha pela constitucionalidade dos quatro artigos durou quatro anos e agitou a sociedade argentina. O Clarín – que fez fortuna durante a ditadura militar – agora não tem mais como apelar.
Aprovada por ampla maioria no Congresso Nacional e sancionada por Cristina Kirchner em outubro de 2009, a nova lei substitui o decreto-lei da ditadura militar. Seu processo de elaboração envolveu vários setores da sociedade – academia, sindicatos, movimentos sociais e empresários. Após a primeira versão, ela recebeu mais de duzentas emendas parlamentares. No processo de debate que agitou a Argentina, milhares de pessoas saíram às ruas para exigir a sua aprovação. A passeata final em Buenos Aires contou com mais de 50 mil participantes.
Mesmo assim, os barões da mídia tentaram sabotá-la, apostando suas fichas na Suprema Corte da Argentina. Isto explica porque a sentença de outubro abalou tanto os impérios midiáticos da região, reunidos na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Num discurso terrorista, eles afirmaram que a nova lei é autoritária. Mas até o Relator Especial sobre Liberdade de Expressão da Organização das Nações Unidas (ONU), Frank La Rue, reconheceu que a Ley de Medios da Argentina – com seus 166 artigos – é uma das mais avançadas do planeta e visa garantir exatamente a verdadeira liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade dos monopólios midiáticos.
Equador e Uruguai dão exemplo

A Argentina não foi a única a avançar neste debate estratégico na região. Outros dois países deram passos significativos neste sentido em 2013. Em junho, o parlamento do Equador aprovou o projeto do governo de Rafael Correa que cria um órgão de regulação da mídia com poderes para sancionar econômica e administrativamente os veículos da imprensa e que definirá os critérios para as futuras concessões de rádio e televisão no país. O projeto tramitou por quatro anos na Assembleia Nacional e foi aprovado por folgada maioria – 108 a favor e 26 contra.
Além de criar a Superintendência de Informação e Comunicação, que terá o papel de “vigilância, auditoria, intervenção e controle”, a lei reserva 33% das futuras frequências de rádio e TV para a mídia estatal, 33% para emissoras privadas e 34% para os grupos indígenas e comunitários. Ela também garante amplo direito de resposta, contrapondo-se ao chamado “linchamento midiático”. Caso julgue que pessoa física ou jurídica foi “caluniada e desacreditada” pela mídia, a Superintendência pode obrigar o veículo responsável a divulgar um ou mais pedidos de desculpas.
Para o deputado Mauro Andino, relator do projeto, a nova lei com seus 119 artigos representa significativo avanço na democracia no Equador e na garantia da verdadeira liberdade de expressão. “Como cidadãos, queremos a liberdade de expressão com os limites dados pela Constituição e pelos instrumentos internacionais, além de uma liberdade de informação com responsabilidade... Propusemos uma lei que se constrói a partir de um enfoque de direitos para todos, não para um grupo de privilegiados”. Vale lembrar que a mídia equatoriana é controlada por banqueiros!
Para irritar ainda mais os barões da mídia do continente, em dezembro último a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou a Lei dos Serviços de Comunicação Audiovisual, proposta pelo governo de José Pepe Mujica. Com 183 artigos, a nova “Ley de Meios” encara os meios de comunicação como um direito humano e define que “é dever do Estado assegurar o acesso universal aos mesmos, contribuindo desta forma com liberdade de informação, inclusão social, não-discriminação, promoção da diversidade cultural, educação e entretenimento”.
Em seu enunciado, a nova lei enfatiza que os monopólios dos meios de comunicação “conspiram contra a democracia ao restringir a pluralidade e a diversidade que asseguram o pleno exercício do direito à informação”. Visando corrigir esta distorção, o texto propõe “plena transparência no processo de concessão de autorizações e licenças para exerce a titularidade” nas emissoras de rádio e televisão. Ele também prevê a criação de um Conselho de Comunicação Audiovisual, com o intento de “implementar, monitorar e fiscalizar o cumprimento das políticas”.
A nova lei uruguaia ainda estabelece cotas mínimas de produção audiovisual nacional, institui o horário eleitoral gratuito nos canais e determina que as empresas telefônicas não poderão explorar concessões de rádio ou tevê. Ela também contempla a proteção à criança e ao adolescente, já que regula a veiculação de imagens com “violência excessiva”. Das 6h às 22h, esse tipo de conteúdo é proibido, com a exceção para “programas informativos, quando se tratar de situação de notório interesse público” e somente com aviso prévio explícito sobre a exposição dos menores.
A reação da máfia midiática da SIP

As recentes mudanças legais na Argentina, Equador e Uruguai se somam as que já estavam em vigor na Venezuela – o primeiro país da região a encarar este tema estratégico –, Bolívia e Nicarágua. Não é para menos que o rebelde continente latino-americano é hoje maior entrave ao poder dos monopólios da mídia. Em outubro passado, durante a 69ª Assembleia-Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), os poderosos empresários do setor confessaram que estão perdendo a batalha de ideias na América Latina e decidiram reforçar sua postura oposicionista.
Na maior caradura, o presidente da SIP, Jaime Mantilla, disse que "os governos latino-americanos têm se dedicado a semear o ódio e o medo" contra os meios de comunicação. O objetivo da entidade, sedeada em Miami, com famosos vínculos com a CIA e que sempre apoiou os golpes e as ditaduras, é evitar que as novas legislações sejam aplicadas em sua plenitude e que contagiem outros países da região. O Brasil inclusive foi citado como preocupação maior dos mafiosos da mídia do continente. Se depender da presidente Dilma Rousseff, porém, eles podem dormir tranquilamente.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Maduro sai da defensiva, e critica Capriles e EUA

Em três pronunciamentos feitos em cadeia de rádio e televisão em horários diferentes, presidente eleito da Venezuela afirmou que vai usar ‘mão dura contra o fascismo’. Ele avisou que seu governo não reconhecerá governadores que o considerem ilegítimo – Capriles governa Miranda – e acusou os EUA, um dos poucos países que não reconheceram sua vitória – de financiar a oposição.

Jonatas Campos e Vinicius Mansur – ComunicaSul

Fotos: AVN

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Caracas – O presidente recém-eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, aumentou o tom e partiu para o ataque no debate político por todo o dia de hoje (16). Em três pronunciamentos feitos em cadeia de rádio e televisão em horários diferentes, Maduro afirmou que vai usar “mão dura contra o fascismo” e proibiu uma marcha chamada pelo candidato derrotado Henrique Capriles Radonski para esta quarta-feira (17). O chavista ainda avisou que seu governo não vai reconhecer governadores que o considerem ilegítimo. Capriles é governador do Estado de Miranda.
Maduro também acusou a embaixada norte-americana de estar financiando a oposição. O governo dos Estados Unidos é um dos únicos das Américas que aderiu à campanha da oposição de pedir a recontagem dos votos. Ele anunciou medidas de segurança para o sistema elétrico do país que, segundo ele, vem sofrendo inúmeras tentativas de sabotagem.
Na segunda-feira (15), Capriles pediu nas redes sociais que seus seguidores "descarregassem sua raiva" ante a proclamação do presidente Nicolás Maduro no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e convocou um “panelaço” para as 20h da noite. Como resultados dos protestos desde ontem à noite, o governo afirma que ocorreram setes mortes perpetradas por ataques de pessoas ligadas à oposição.
“Agora estão planejando uma marcha ao centro de Caracas. Não vamos permitir. Vocês não vão para lá enchê-lo (o centro) de morte e sangre, não vou permitir que façam o que querem fazer. Vou usar a mão dura contra o fascismo e a intolerância, então digo, se querem me derrubar, venham para mim, aqui estou com o povo e uma Força Armada, seu burguês”, asseverou Maduro em uma inauguração de um centro de saúde.
Já a tarde, em um evento com trabalhadores da Petróleos da Venezuela (PDVSA), o presidente eleito acusou a embaixada dos Estados Unidos de financiar os atos de violência e alcunhou o seu opositor como o “novo Carmona", referindo-se ao empresário Pedro Carmona, que liderou o golpe fracassado contra o presidente Hugo Chávez em abril de 2002.
Em sua terceira aparição, já inaugurando um hospital no Estado Aragua, a algumas horas de Caracas, Maduro disse não reconhecer Capriles como governador o chamou os chavistas a protestar em favor do governo. “Chamo a todo o povo chavista, nacionalista e patriota, para isolar os golpistas. Não venha agora a disfarçar-se de pacifista. Não confundam nossos anseios de paz com debilidade”, disse o presidente em franco ataque.
Capriles
Por sua vez, Capriles desistiu de realizar a marcha e acusou o governo de estar por detrás dos episódios de violência. “Amanhã não vamos nos mobilizar, peço aos meus seguidores que se recolham. Amanhã ninguém vai. Quem sair está ao lado da violência. O governo quer que haja mortos no país”, acusou em coletiva de imprensa.
O oposicionista sustentou que “informações de inteligência” vindas das Forças Armadas revelaram que o governo pretendia infiltrar pessoas na marcha desta quarta-feira (17). “O governo quer através da violência que não se fale do assunto pelo qual estejamos aqui”, disse, referindo-se a sua demanda de recontagem de 100% dos votos.
Na coletiva, Capriles apresentou denúncias de irregularidades ocorridas no pleito de 14 de abril. Segundo o opositor, 535 máquinas de votação estariam danificadas; testemunhas da oposição teriam sido retiradas de 283 centros de votação; haveria mais de 600 mil falecidos nas listas de votantes; em 1176 centros, Maduro teria tido mais votos do que Chávez; em 564 centros eleitores teriam sido acompanhados irregularmente até a urna; toldos vermelhos do partido de Maduro (PSUV) estariam irregularmente próximos a 421 centros; motoqueiros teriam amedrontado eleitores em 397 centros.
Capriles ainda apresentou supostas listas de votantes e ata de verificação cidadã de uma mesma mesa de votação, no estado de Trujillo, onde haveria 181 votos a mais na ata do que pessoas na lista. Em tom de denúncia, Capriles também afirmou que pessoas com mais de 100 anos votaram.
A despeito da grita da oposição, Maduro reafirmou que não há necessidade de recontagem dos votos, visto que o sistema eleitoral venezuelano já prevê uma auditoria de 54% das caixas onde os votos são depositados depois de fechadas as mesas. A maior parte dos países das Américas já reconheceu a vitória de Maduro, entre eles, Brasil, Argentina, Equador, México, Bolívia, Colômbia, Peru, Uruguai, Haiti, Cuba, Guatemala e Nicarágua.

domingo, 14 de abril de 2013

Parece não existir direita na Venezuela

relatoQuem chegar de Marte à Venezuela poderá jurar que o embate eleitoral se faz entre duas forças de esquerda, com algumas nuances entre si. O opositor Henrique Capriles alega ser um candidato “pós-Chávez” e não “anti-Chávez”. Não defende Estado mínimo, venda de estatais ou demissão de funcionários públicos.

Gilberto Maringoni – Direto da Venezuela – Postado Carta Maior

Caracas – Quem se der ao trabalho de ler o programa de governo de Henrique Capriles, candidato opositor a presidente da Venezuela, fará uma constatação curiosa: não existe direita no país. Ninguém defende Estado mínimo, venda de estatais, demissão de funcionários públicos etc. etc. (Dilma no Brasil chegou a atacar alguns desses pontos, que atualmente formam as vigas mestras de sua gestão).
É um traço interessante dos tempos que correm. A direita avança em várias frentes – política, economia e costumes –, mas nenhuma corrente com alguma densidade eleitoral se assume como tal.
Quem chegar de Marte ao país caribenho poderá jurar que o embate se faz entre duas forças de esquerda, com algumas nuances entre si. Capriles, a exemplo de Nicolás Maduro, usa as cores da bandeira, as canções de Ali Primeira – o compositor de esquerda, morto em 1985 – e reivindica a figura de Bolívar.
No terreno das metas de governo, a questão social está no centro. Chega a afirmar que sua “normativa fundamental será a Constituição da República Bolivariana da Venezuela, de 1999” (Detalhe: em 2002, um dos primeiros atos dos golpistas foi revogar a Carta).
Não é à toa. Em 14 anos de chavismo – com todos os defeitos que os governos do ex-presidente possam ter – a agenda nacional mudou. A campanha se faz não apenas sob a sombra de Hugo Chávez, mas pautada pelos temas centrais de suas gestões.
Desse ponto de vista, Capriles faz um esforço monumental para se distanciar do apoio que deu ao golpe de Estado de onze anos atrás. Seu mote de campanha sequer é explicitamente de oposição.
Alega ser um candidato “pós-Chávez” e não “anti-Chávez”. Por isso, caso vença, não terá condições imediatas de desfazer a rede de proteção social montada a partir de 1998, sob pena de ver sua legitimidade virar fumaça em curtíssimo espaço de tempo.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Venezuela: campanha se encerra hoje, dia em que golpe completa 11 anos

Maduro estará em Caracas, acompanhado de Maradona; Capriles passará por três estados e também convoca carreata

11/04/2013 Vinicius Mansur de Caracas (Venezuela) da Carta Maior

Neste 11 de abril, 11 anos depois do golpe que retirou Chávez do poder por 47 horas, milhões de venezuelanos voltarão às ruas para o encerramento da campanha eleitoral para a presidência da República. Mais uma vez divididos entre chavistas e antichavistas, mas pela primeira vez sem a presença física de Chávez. O pleito ocorre no próximo domingo (14).

Em 11 de abril de 2002, milhares de venezuelanos saíram pelas ruas de Caracas divididos entre o apoio e a derrubada do então presidente Hugo Chávez. O encontro violento das partes, intensificado por sicários estrategicamente posicionados, resultou em mortos, feridos e 47 horas sem Chávez no comando do país. A reversão do golpe em 13 de abril levou os chavistas a cunharem a insígnia “Todo 11 tem seu 13”.
O ato de encerramento da campanha oficialista de Nicolás Maduro acontecerá na capital Caracas, onde os chavistas prometem encher sete das maiores avenidas da cidade: Urdaneta, Baralt, Fuerzas Armadas, Universidad, México, Lecuna e Bolívar, Entre as presenças ilustres confirmadas está o argentino Diego Armando Maradona.
Já o opositor Henrique Capriles estará presente em atos nos estados de Apure, Portuguesa e Lara e ainda convoca os seus apoiadores a somarem-se as 312 carreatas que sua campanha impulsionará nesta quinta-feira (11).

Assista Aqui:

A revolução não será televisionada - O golpe na Venezuela

sábado, 9 de março de 2013

Vermelhas serão as rosas em que tuas cinzas nascem*.

Somos todos Chávez

O dia 5 de março, quando o comandante Hugo Chávez se despediu de todos nós, ficará para a história mundial como uma data a ser lembrada por todos os povos, em especial da América Latina. Em nosso continente, Chávez foi o principal dirigente de uma revolução socialista, ainda em curso, que o imperialismo se esforça tanto em aniquilar. O comandante é parte de um enorme movimento popular em seu país, que há muitas décadas busca construir uma sociedade de novo tipo, uma sociedade socialista. Sua importância como liderança política não se restringe à um país localizado entre o Norte da América do Sul e o Mar do Caribe, mas se estende pelas terras latino-americanas e se espalha de Leste à Oeste e de Norte à Sul do nosso planeta.

Hugo Chávez deixa um enorme legado ao povo venezuelano, ao implementar programas e políticas sociais que a grande maioria dos trabalhadores venezuelanos jamais teriam acesso se a revolução bolivariana não irrompesse. Através de programas sociais, como as chamadas "misiones", a revolução fez chegar aos mais pobres educação, com a erradicação do analfabetismo, saúde, principalmente com convênios com Cuba, alimentação, com o fim da carestia, e moradia popular. Na economia, vinha promovendo a estatização de diversas empresas estratégicas, nacionais e estrangeiras, na área de energia e produção, além de criar outras empresas públicas e estatais.

Chávez se transformou no protagonista da construção do socialismo na Venezuela, resgastando os clássicos do marxismo e do socialismo científico e incorporando características locais, com as contribuições dos líderes latino-americanos, em especial Simón Bolívar e José Martí.

Hugo Chávez teve o mérito de unificar as diversas correntes da esquerda revolucionária venezuelana, construindo um processo de aprofundamento da formação política das lideranças e da população e, por outro lado, agindo com unidade de ação nos momentos de divergências pontuais.

Chávez também deixa um legado importante para a América Latina, na medida em que conseguiu unificar e dar um novo horizonte à esquerda revolucionária, deixando suas ideias na memória do povo latino-americano ao lado de líderes como Che Guevera, Salvador Allende, Emiliano Zapata, entre outros.

Chávez fez da integração latino-americana e caribenha o núcleo de sua política internacional. Foi ator principal na derrubada da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), iniciativa dos EUA para ampliar sua hegemonia. O governo foi propulsor de três grandes iniciativas na América Latina, a criação da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) e Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Carirbenhos), promovendo a integração solidária e soberana entre os povos, com foco na autodeterminação de cada país.

Mesmo no comércio entre os países vizinhos, a relação foi baseada no intercâmbio com base nas necessidades e possibilidades de cada país. Através da Unasul, Chávez promovia a criação do Banco do Sul e do Sucre (Sistema Único de Compensação Regional de Pagamentos), uma espécie de moeda para o comércio entre os países da Alba, que abre caminho no mundo econômico e financeiro regional.

A unidade política, econômica e ideológica com Cuba, certamente, foi uma das políticas de integração mais destacadas de seu governo com outro povo irmão latino-americano, rompendo o criminoso bloqueio econônomico imposto pelos Estados Unidos. A Venezuela hoje é o principal parceiro de Cuba em todos os aspectos. Da mesma forma, Cuba é a o principal parceiro da Venezuela. É uma inspiração à todos governos progressistas de nosso continente.

Na comunicação, Chávez se tornou uma referência para as lideranças populares, desmontando os monopólios de empresas de comunicação de seu país, que agiam mais como partido político dos capitalistas do que como empresa de comunicação, e incentivando o surgimento de meios de comunicação públicos, estatais e comunitários. A criação da TeleSur, uma empresa multi-estatal de comunicação entre países progressistas, é um marco na comunicação social das últimas décadas na América Latina.

Ao mundo, Chávez também  deixa como herança a luta antiimperialista, na qual a revolução bolivariana sempre se destacou, ao denunciar as agressões imperialistas tanto bélicas como econônicas. O comandante construiu novas pontes com países diversos de todos os continentes, reeditando o movimento dos países não alinhados. Na última reunião de cúpula dos chefes de Estado desse movimento, em Havana (Cuba), os governos de Hugo Chávez e Evo Morales (Bolívia) receberam respaldo e tiveram papel de destaque.

Hugo Chávez não é um produto de marketing, mas resultado de um processo revolucionário, que poderá perdurar na Venezuela, mantendo-se a unidade dos revolucionários venezuelanos, e sem intervenção imperialista. Esse é o desejo da Associação Cultural José Martí de Santa Catarina: que o povo venezuelano possa continuar construindo, com soberania e autodeterminação, a revolução socialista. Vamos continuar solidários aos trabalhadores venezuelanos e a disposição para qualquer necessidade, rechaçando qualquer tentativa de intervenção e desestabilização imperialista contra a soberania popular.

Ao lado do libertador Simón Bolívar, Hugo Chávez continuará vivo na memória coletiva dos povos da América Latina e do mundo. Continuará despertando os sentimentos mais nobres e iluminando os ideais de cada revolucionário.

Viva Hugo Chávez hoje e sempre!

Viva a Revolução Bolivariana!

Associação Cultural José Martí de Santa Catarina

*Un canto para Bolívar

PADRE nuestro que estás en la tierra, en el agua, en el aire

de toda nuestra extensa latitud silenciosa,

todo lleva tu nombre, padre, en nuestra morada:

tu apellido la caña levanta a la dulzura,

el estaño bolívar tiene un fulgor bolívar,

el pájaro bolívar sobre el volcán bolívar,

la patata, el salitre, las sombras especiales,

las corrientes, las vetas de fosfórica piedra,

todo lo nuestro viene de tu vida apagada,

tu herencia fueron ríos, llanuras, campanarios,

tu herencia es el pan nuestro de cada día, padre.

Tu pequeño cadáver de capitán valiente

ha extendido en lo inmenso su metálica forma,

de pronto salen dedos tuyos entre la nieve

y el austral pescador saca a la luz de pronto

tu sonrisa, tu voz palpitando en las redes.

De qué color la rosa que junto a tu alma alcemos?

Roja será la rosa que recuerde tu paso.

Cómo serán las manos que toquen tu ceniza?

Rojas serán las manos que en tu ceniza nacen.

Y cómo es la semilla de tu corazón muerto?

Es roja la semilla de tu corazón vivo.

Por eso es hoy la ronda de manos junto a ti.

Junto a mi mano hay otra y hay otra junto a ella,

y otra más, hasta el fondo del continente oscuro.

Y otra mano que tú no conociste entonces

viene también, Bolívar, a estrechar a la tuya:

de Teruel, de Madrid, del Jarama, del Ebro,

de la cárcel, del aire, de los muertos de España

llega esta mano roja que es hija de la tuya.

Capitán, combatiente, donde una boca

grita libertad, donde un oído escucha,

donde un soldado rojo rompe una frente parda,

donde un laurel de libres brota, donde una nueva

bandera se adorna con la sangre de nuestra insigne aurora,

Bolívar, capitán, se divisa tu rostro.

Otra vez entre pólvora y humo tu espada está naciendo.

Otra vez tu bandera con sangre se ha bordado.

Los malvados atacan tu semilla de nuevo,

clavado en otra cruz está el hijo del hombre.

Pero hacia la esperanza nos conduce tu sombra,

el laurel y la luz de tu ejército rojo

a través de la noche de América con tu mirada mira.

Tus ojos que vigilan más allá de los mares,

más allá de los pueblos oprimidos y heridos,

más allá de las negras ciudades incendiadas,

tu voz nace de nuevo, tu mano otra vez nace:

tu ejército defiende las banderas sagradas:

la Libertad sacude las campanas sangrientas,

y un sonido terrible de dolores precede

la aurora enrojecida por la sangre del hombre.

Libertador, un mundo de paz nació en tus brazos.

La paz, el pan, el trigo de tu sangre nacieron,

de nuestra joven sangre venida de tu sangre

saldrán paz, pan y trigo para el mundo que haremos.

Yo conocí a Bolívar una mañana larga,

en Madrid, en la boca del Quinto Regimiento,

Padre, le dije, eres o no eres o quién eres?

Y mirando el Cuartel de la Montaña, dijo:

"Despierto cada cien años cuando despierta el pueblo".

Pablo Neruda.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Homenagem ao Comandante Hugo Chávez

Vídeo de João Santana em homenagem a Chávez

O jornalista, que comandou a última campanha vitoriosa de Hugo Chávez, faz uma última homenagem, em vídeo, ao venezuelano.

terça-feira, 5 de março de 2013

Muito triste a morte do comandante Hugo Chávez.

Muito triste a morte de Hugo Chávez. Sua luta marcou a história de seu povo e de sua pátria. Sua presença despertou à consciência milhões de homens e mulheres, muitos e muitos jovens, para a luta por uma América Latina soberana, independente, unida e socialista. Suas contradições deixam importantes lições para que possamos seguir em frente. Enquanto existirmos, permanecerá entre nós! Viva Chávez! Viva a revolução bolivariana!

Por: Carlos Roberto kaká – Secretária de Comunicação do PSOL Osasco

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Aliados convocam ato de solidariedade a Chávez

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O presidente da Assembleia Legislativa venezuelana, Diosdado Cabello, convocou na noite de segunda-feira 7 uma grande manifestação em frente ao Palácio Presidencial Miraflores para quinta-feira 10, data na qual o presidente Hugo Chávez deveria assumir um novo mandato de seis anos. Segundo Cabello, um dos principais líderes do chavismo, vários chefes de Estado e de governo de “países amigos” participarão do ato para “demonstrar sua solidariedade com o comandante Chávez e o povo venezuelano e em sinal de respeito à Constituição”.

Cabello, no entanto, não confirmou a presença de Chávez, que permanece em Havana, recuperando-se de uma cirurgia pélvica, feita no dia 11 de dezembro, para combater um tumor cancerígeno. Foi a quarta operação, desde que o presidente venezuelano descobriu que tinha a doença, há dezoito meses, mas foi a única que produziu um debate constitucional.

Até agora, o único presidente que confirmou uma viagem oficial a Caracas foi o do Uruguai, José Mujica, que chegará na quinta-feira, confirmou à AFP uma fonte do Ministério das Relações Exteriores desse país. “Eles manifestarm por muitas vias querer vir aqui na Venezuela, inclusive alguns foram visitar o presidente diretamente”, acrescentou, se referindo às visitas que vários presidentes fizeram a Chávez na capital cubana, entre eles os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia, Evo Morales. A presidente argentina Cristina Kirchner viajará a Havana na próxima quinta-feira.

A oposição convocou um protesto, também para a quinta-feira, a fim de cobrar do governo a verdade sobre a saúde do presidente e o cumprimento da Constituição (reformada em 1999, durante o primeiro governo de Chávez). O Artigo 231 diz que o presidente eleito tem que assumir no dia 10 de janeiro o governo, prestando juramento perante à Assembleia Nacional. Mas também diz que, se isso não for possível, ele poderá prestar juramento perante o Supremo Tribunal de Justiça (a Suprema Corte).

“O próprio Chávez deu ordens expressas sobre o que fazer, caso ele não pudesse assumir, e citou a Constituição”, disse em entrevista à imprensa o deputado Tomas Guanipa, líder do partido oposicionista Primeiro Justiça. Dias antes de embarcar para Havana, Chávez pediu permissão à Assembleia Nacional para se ausentar do país e, no que parecia ser um discurso de despedida, nomeou como herdeiro político o vice-presidente Nicolas Maduro.

De acordo com informações oficiais, Chávez enfrenta uma difícil recuperação, agravada por sérios problemas respiratórios. Mas ninguém fala em convocar novas eleições. Na interpretação dos chavistas, como Chávez já é presidente e foi reeleito por 54% dos votos, o juramento do dia 10 é uma mera “formalidade”. O vice-presidente e os ministros continuarão tocando o governo até ele voltar.

“A oposição espera que Chávez desapareça no dia 10 de Janeiro. Querem que o vice-presidente e os ministros abandonem seus cargos? Eles não podem. Legalmente eles não têm o direito de abandonar suas responsabilidades”, disse Cabello, ao convocar a manifestação. “Vamos seguir a vontade do povo venezuelano, expressa no dia 7 de outubro, quando elegeram Chávez presidente”, completou.

Com informações da AFP e da Agência Brasil

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Chávez é reeleito na Venezuela

Agência Efe

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O presidente reeleito da Venezuela Hugo Chávez celebra a vitória no Palácio de Miraflores, em Caracas


Com 90% dos votos apurados, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi reeleito com a preferência de 54,4% dos venezuelanos. Seu principal adversário, Henrique Capriles, tem 44% até o momento. O anúncio foi feito pela presidente do CNE (Conselho Nacional Eleitoral), Tibisay Lucena, que também informou que mais de 80% da população compareceu às urnas, mesmo sem a obrigatoriedade do voto no país.
Leia especial do Opera Mundi sobre a Era Chávez
Segundo os dados divulgados pelo órgão, o presidente venezuelano recebeu 7,4 milhões de votos em comparação a 6,1 milhões de Capriles. Apesar da ampla vitória, Chávez já recebeu maior apoio dos eleitores em pleitos passados como, por exemplo, em 2006, quando obteve 62% dos votos frente a 36% de seu opositor, Manuel Rosales.

Em Miraflores, o presidente lançou um apelo à oposição para que todos dialoguem e trabalhem em conjunto "pela Venezuela bolivariana". Chávez agradeceu aos "quase 30 milhões de venezuelanos" pelo "dia histórico" e pela "altíssima participação de mais de 80%" nas urnas, em que, segundo ele, não foram registrados incidentes graves.
Ele também felicitou a oposição por ter reconhecido "a verdade, a vitória do povo". "Foi realmente, como vínhamos dizendo nos últimos meses, uma batalha perfeita, democrática. Graças a Deus e à consciencia de nosso povo, não houve nenhum acontecimento hoje para lamentar", disse.
No discurso, Chávez comentou sobre as ligações que recebeu de líderes da América Latina, como Cristina Kirchner, da Argentina, e Raúl Castro, de Cuba. Peço a Deus que me dê saúde para seguir fazendo mais e melhor pelo povo venezuelano", disse. "Vamos ser a cada dia melhores, responder cada vez com mais eficácia aos anseios do povo. Me comprometo com vocês a ser, cada dia, um melhor presidente."
Em sua conta de Twitter, o presidente agradeceu a vitória. "Obrigado, meu amado povo!!! Viva a Venezuela!!!! Viva Bolívar!!!!!". Minutos depois, completou: "Obrigado, meu Deus! Obrigado a todos e a todas!!". A notícia foi recebida com dezenas de fogos de artifício em Caracas e centenas de pessoas se concentraram no Palácio de Miraflores para comemorar no local onde Chávez realizou o discurso à nação.
"O candidato da direita reconheceu a vitória bolivariana", disse ele. "Foi uma batalha perfeita". O presidente parabenizou a todos os venezuelanos pela participação democrática nas eleições e estendeu as "mãos e o coração" para Capriles.
Horas antes, Chávez conversou com seguidores e jornalistas depois de ter votado. Com o dedo mindinho manchado, ele reforçou que sua reeleição significaria uma consolidação do processo revolucionário levado a cabo desde seu primeiro mandato, em 1998.
“Meu sucessor? O povo será meu sucessor”, afirmou, ao ser questionado sobre quem escolheria para lhe suceder em uma eleição futura. “Aqui trabalhamos com outros códigos. Essa revolução não tem a ver com ‘Chávez’, mas o povo. Não pensamos em termos como esses”, sublinhou. O presidente ainda reiterou que seu governo na Venezuela é extremamente democrático e que reconheceria uma possível derrota.

Agência Efe

capriles derrota

Henrique Capriles reconheceu sua derrota e parabenizou Chávez pela vitória em coletiva de imprensa

O candidato da oposição reconheceu sua derrota na eleição presidencial em uma coletiva de imprensa poucos minutos depois do anúncio do CNE. “Para saber ganhar, é preciso saber perder”, disse Capriles citado pelo El Pais. “Para mim, o que o povo diz é sagrado”, garantiu. O candidato ainda parabenizou Chávez pela vitória. Ao contrário de eleições passadas, os grupos apoiadores de Capriles não acusaram o governo de fraudar os resultados.

Democracia
Elogiado pelo renomado Centro Carter, comandado pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, o sistema eleitoral venezuelano promete ser blindado contra fraudes e erros, já que passou por duas simulações nacionais, 16 auditorias e está sendo observado por 245 acompanhantes internacionais e cerca de quatro mil observadores nacionais. O chefe da missão de acompanhamento da Unasul (União das Nações Sul-americanas) na Venezuela, Carlos Álvarez, destacou a confiabilidade do sistema. "Em um processo em que se joga com certas notas dramáticas, o importante é contar com um árbitro de confiança", afirmou.

Marina Terra / Opera Mundi

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Eleitor mostra o dedo marcado de tinta indelével em Caracas
Primeiro, o eleitor apresenta a cédula de identidade e coloca seu polegar direito na máquina para a impressão digital. A urna então é habilitada quando os dados do eleitor aparecem na tela, conferidos com a identidade. Em seguida, o eleitor escolhe na tela tátil seu partido de preferência, entre os atuais 36 que estão habilitados. Aparecerá então em outra tela em frente ao eleitor a foto do candidato, o nome do partido e a opção "votar". A máquina imprimirá um boleto com o voto para que o eleitor verifique-o e deposite-o em uma urna de papelão. O terceiro passo será assinar a ata de presença e colocar outra vez sua impressão digital no caderno.  Por último, cada eleitor deverá pintar seu dedo mindinho com uma tinta indelével, também para evitar qualquer tipo de fraude.
O resultado da contagem dos votos das urnas eletrônicas é confirmado com os recibos depositados na urna de papelão. Além de todo esse processo, os principais partidos políticos mobilizaram grandes grupos de fiscais para verificar a votação em cada uma das urnas do país. O PSUV conta com 50.397 fiscais, a MUD (Mesa da Unidade), coligação de Capriles, 52.776 e o candidato Luis Reyes, 830.
Voto facultativo, mas alta presença
Os eleitores compareceram em peso aos colégios eleitorais na Venezuela, totalizando participação de 81%. Desde a madrugada, milhares de eleitores faziam filas nos centros eleitorais e não foram registrados incidentes graves, segundo o CNE e os observadores da organização Comando Venezuela. Devido às extensas filas, o horário de votação foi estendido e quem estava esperando para votar, teve sua oportunidade.

Agência Efe (07/10/12)

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Dezenas de venezuelanos esperaram os resultados das eleições em frente ao Palácio de Miraflores, sede presidencial

Os venezuelanos também foram em grande número às representações diplomáticas no exterior. Nos Estados Unidos, onde vivem cerca de 750 mil cidadãos do país, os eleitores moradores da Flórida tiveram que votar em Nova Orleans, a 1.350 quilômetros de Miami, após a consulesa venezuelana na cidade ter sido expulsa pelo governo.
Cerca de sete mil venezuelanos fizeram a viagem. Alguns receberam passagens de ônibus e avião como doações de empresários.
Na embaixada em Washington, as filas começaram por volta das 4h30 da manhã. As sessões também ficaram lotadas na Espanha, na embaixada em Madri e no consulado em Barcelona.
Nos territórios palestinos, o representante diplomático venezuelano, Luis Daniel Hernández Lugo, acusou Israel de impedir cerca de 340 eleitores de votar devido a um bloqueio das cédulas pela empresa de correios DHL.

Agência Efe (07/10/12)

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Partidários do presidente venezuelano se reuniram no bairro 23 para esperar a chegada de Chávez

domingo, 7 de outubro de 2012

7 de outubro na Venezuela: a nova Batalha de Ayacucho

ESCRITO POR ATILIO A. BORON

OUTUBRO DE 2012 – Correio da Cidadania

venezuela

A batalha de Ayacucho, ocorrida em 9 de dezembro de 1924, selou o destino do império espanhol na América do Sul. O grande marechal dessa heróica batalha, Antonio José de Sucre, em sua arenga final aos soldados, pronunciou as seguintes palavras: “dos esforços de hoje depende a sorte da América do Sul; outro dia de glória vai coroar vossa admirável constância”.

Neste 7 de outubro, Nossa América se encaminha para uma segunda batalha de Ayacucho. As eleições que se levam a cabo na República Bolivariana da Venezuela têm, como o heróico combate empreendido em terras peruanas, uma extraordinária ressonância continental. Um triunfo do presidente Hugo Chávez Frías fortalecerá os ares de renovação política, econômica e social que percorrem a América Latina e o Caribe desde fins do século passado, e que permitiram dar importantes passos para a nossa segunda e definitiva independência. Sua derrota, no entanto, implicaria um fenomenal retrocesso não só para a Venezuela, mas para os países da ALBA e, ademais, para toda a Nossa América.

As chances de um desenlace tão desafortunado são muito baixas, mas não inexistentes. Quase a totalidade das pesquisas, mesmo as mais afinadas com a oposição, dão Chávez como ganhador. O dissenso vem na hora de estimar a margem de sua vitória, que dependerá de fatores circunstanciais próprios da jornada eleitoral.

Sobretudo, da proporção de votantes que acudirão às urnas, coisa que pode ser afetada, por vários fatores: a queda do fervor militante dos quadros médios do chavismo que mobilizam e organizam a base popular; a opressão e confusão semeadas intencionalmente pela mídia de direita que domina o espaço público; a apatia após um tenso e complexo período pré-eleitoral; o temor e a desativação política que provocam os permanentes ataques dos Estados Unidos em alguns segmentos do eleitorado, e inclusive algo bem aleatório e alheio à luta política, como a condição climática.

Um 7 de outubro que amanheça com um dia horrível e chuvoso pode fazer alguns chavistas preferirem ficar em suas casas, dando por certo o triunfo de Chávez; um belo dia de calor e ensolarado pode fazer com que outros tantos decidam ir desfrutar de algumas horas das belíssimas praias com que conta a Venezuela.

Em ambos os casos, o principal prejudicado pela deserção cidadã seria Chávez, desmotivando seu eleitorado de ir votar por conta da certeza da vitória de seu líder, proclamada temerariamente por aqueles que supostamente jogam a favor do governo. Por isso Chávez disse, com razão, que “nosso pior inimigo é o triunfalismo”.

Se a presença nas urnas dos chavistas suscita algumas interrogações, a direita, por outro lado, conseguiu solidificar um núcleo duro que está disposto a tudo e que irá votar sob qualquer circunstância. Os 3.200.000 que participaram da prévia que elegeu Capriles como candidato são um dado cuja importância não pode ser subestimada. Esse núcleo duro não é suficiente para ganhar, mas dá pra levar adiante uma grande batalha. Para resumir: se em 7 de outubro o massivo enxame de organizações populares do chavismo conseguir que suas bases sociais se voltem em massa às urnas, a ampla vitória de Chávez está assegurada.

Mas além da taxa de participação eleitoral, há outros fatores que também contam. Em seus últimos discursos, o presidente exerceu notável e valente autocrítica em relação à gestão oficial, o que poderia ter desalentado certos segmentos de seus apoiadores.

Mesmo assim, na hora de eleger entre avançar e aprofundar o caminho da Revolução Bolivariana – que construiu um país muitíssimo mais justo e democrático, dando esperança a setores que antes não tinham nenhuma – ou retroceder e perder todo o conquistado, coisa que obviamente ocorreria ante uma eventual vitória de Capriles, mesmo os desafetos e insatisfeitos por alguns problemas da gestão (como a inflação e a insegurança, entre outros) seguramente renovarão sua confiança no processo bolivariano.

Sabem, e se não sabem intuem, que com o triunfo de Capriles se voltará uma página atrás na história venezuelana, que se converteria em novo protetorado dos Estados Unidos. E sabem que suas imensas riquezas petroleiras seriam saqueadas sem pausa pelo imperialismo estadunidense, obcecado pela recuperação do controle absoluto de um elemento como o petróleo, do qual depende enormemente o modo americano de vida e sua própria segurança nacional.

Essa e não outra é a verdadeira missão das 14 bases militares estadunidenses que construíram um intimidante cordão sanitário, rodeando todo o território da República Bolivariana e perturbando o normal funcionamento de suas instituições democráticas. (Cabe perguntar: como seria o processo eleitoral estadunidense se o país estivesse rodeado por 14 bases militares de um país hostil, que caracterizasse ano após ano os Estados Unidos como santuário de terroristas?)

Sabem também que acabarão todos os programas sociais que deram cidadania a milhões de pessoas, que universalizaram o acesso à saúde e à educação como nunca; sabem que se reinstalará a corrupta partidocracia que governou ao longo de quase todo o século 20, submetendo à pobreza milhões de pessoas, em um país potencialmente dos mais ricos do mundo, cujos fatores que deram origem ao Caracazo de 1989 serão mais uma vez colocados em funcionamento.

No plano internacional, a derrota de Chávez alimentará a contraofensiva do imperialismo para esmagar o espírito rebelde e ímpetos contestatórios que se apoderaram de muitos países da região e que causaram a derrota da ALCA, em Mar del Plata, em 2005. Diante disso, tempos obscuros desabariam sobre Nossa América. Por todas essas razões, dissemos que as eleições do próximo domingo têm um significado histórico análogo ao que, em seu momento, teve a Batalha de Ayacucho: de seu resultado depende o futuro da América Latina e do Caribe.

Se o campo popular não é consciente de sua enorme importância, a direita e o inimigo imperialista o são, e plenamente. Por isso há meses vêm apregoando que “haverá fraude”, ainda que o Centro Carter e o próprio presidente Jimmy Carter tenham declarado à exaustão que o sistema eleitoral da Venezuela bolivariana é um dos melhores e mais transparentes do mundo, superior, ressaltava Carter, ao dos Estados Unidos.

Isso não é casual: o coro desafinado de tais críticos – onipresentes em toda a imprensa hegemônica das Américas, em seus diários, assim como em rádios e canais de televisão, todos repetindo o mesmo roteiro – não faz outra coisa a não ser preparar o clima ideológico que justifique a rejeição do resultado eleitoral, a desestabilização política e eventual sedição de alguns grupos e regiões logo que o veredicto das urnas ratifique a vitória do Comandante Chávez.

A oposição anti-chavista não está composta de competidores leais que comungam com o jogo democrático. O próprio Capriles foi um dos energúmenos que tentou tomar de assalto a embaixada de Cuba em Caracas, quando do golpe de Estado de 2002, para justiçar os chavistas ali refugiados, algo que nem Videla e nem Pinochet se atreveram a fazer durante duas respectivas ditaduras. É difícil que uma coalizão cujo líder possui tais qualidades aceite com fidalguia a previsível derrota eleitoral. Por isso, haverá de se estar muito preparados, dentro e fora da Venezuela, para defender as ruas, praças e de imediato o triunfo obtido por Chávez no cenário institucional.

Em nível internacional, será necessário manifestar sem demoras alguma solidariedade dos movimentos sociais e forças políticas de esquerda a Hugo Chávez, exigindo aos governos da Unasul que comuniquem aos derrotados que qualquer tentativa de desestabilização ou golpe de Estado condenará os golpistas ao ostracismo, e que a Venezuela, neste caso, se converterá em pária internacional. Não acreditamos que seja necessário, pois insistimos que a vitória de Chávez é um fato. Mas seria bom adotar uma atitude de permanente vigilância e mobilização. Porque, como lembrava sabiamente Che, “nos imperialistas (e seus lacaios vernáculos) não se pode acreditar nem um tantinho assim”.

Atilio Borón é doutor em Ciência Política pela Harvard University, professor titular de Filosofia da Política da Universidade de Buenos Aires e ex-secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).

Website: www.atilioboron.com.ar

Tradução: Gabriel Brito, Correio da Cidadania.

Expetativas de eleição na Venezuela

Venezuela - Fazendo Media - [Fábio Nogueira] Hugo Chávez chegou ao poder na Venezuela parecendo que seria mais um daqueles presidentes caricatos de qualquer país latinoamericano, que simplesmente obedeciam às ordens do capital e ficaria por isso mesmo.  Engana-se quem pensou assim. No poder desde o fim da década de 90, o presidente venezuelano vem tomando medidas impopulares aos olhos da classe média dominante que sempre mamou nas tetas do petróleo venezuelano enquanto as camadas populares do país viviam numa das maiores desigualdades da AL.

 

Um país que não tem uma indústria automobilística e sequer plantava alimentos simples do dia-a-dia. Enquanto isso, os mesmos partidos se reservam a cada eleição não trazendo nenhum tipo de renovação. Com a vinda de Chávez começou um processo de renovação na América do Sul, onde presidentes das classes populares começavam uma outra história para o continente. Operários, indígenas,ex-combatentes de esquerdas, davam uma nova cara e novo jeito de independência para a região.

Os setores reacionários da VELHA MÍDIA BRASILEIRA BURGUESA (VMBB) os chamam de ditador. O povo mal informado aceitou o recado e acompanhou o bordão, sem mesmo saber quem era Chávez.  No próximo domingo (7) será a terceira reeleição de Hugo Chávez, onde o voto não é obrigatório. Ocorreram onze plebiscitos e o presidente venezuelano perdeu somente duas vezes.

A continuação de Chávez na presidência da Venezuela dará continuidade ao seu processo de uma nova AL, com um projeto bolivariano seguindo as raízes do maior libertador das Américas. Rebeldia que parecia perdida por vários anos e despertou todo um continente, que parecia dizer SIM ao maior capital especulador e selvagem.

A grande mídia vem chamando Chávez de ditador, por quê? Desde quando um ditador chama o povo para dividir as decisões e destinos de uma nação? Será que a grande mídia não está fazendo confusão com a Arábia Saudita? Nesse caso sim, trata-se de um reino comandado por uma família há séculos. E não se diz em derrubar a ditadura real, para se ter uma idéia as mulheres não votam e não podem dirigir carros, são dois pesos e duas medidas.

Chávez cometeu erros como outro qualquer governante, mas ao mesmo tempo foi sábio em não renovar uma concessão pública da emissora de TV, a rede RCTV.** Esta emissora fazia uma oposição suja contra ele e seu governo. Foi responsável pela tentativa de golpe em 2002 e outros episódios. O que a grande mídia chama de censura, os informados falam em não renovação da concessão. As regras de não concessões ocorrem em qualquer país democrático do mundo, o Estado venezuelano simplesmente fez o que a lei manda.

A oposição venezuelana, igual à brasileira, está no ostracismo rumo ao buraco do esquecimento. Inventou um jovem bonito, empresário e cheio de promessas de uma “nova” Venezuela para o povo. Naturalmente, a grande mídia está apostando toda as suas fichas nesse belo opositor. Caso vença a eleição nesse próximo domingo, a democracia estará de parabéns. Caso não vencer a democracia agradece também.

(**)  Documentário “A Revolução Não Será Televisionada”, dirigido por Kim Bartley, que conta a tentativa de golpe na Venezuela em 2002.

(*) Fabio Nogueira é militante da Educafro e estudante de História da Universidade Castelo Branco.  e-mail fabionogueira95@yahoo.com.br

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Acirrada, eleição na Venezuela entra na reta final

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Principal candidato da oposição, Henrique Capriles vem oferecendo declarações ambíguas  sobre se aceitaria o resultado da eleição. Perguntado, na segunda (dia 1), se reconheceria os dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), limitou-se a responder que reconheceria o "resultado do povo"

Daniel Cassol

de Caracas (Venezuela)

A Venezuela entra na reta final da eleição presidencial com uma demonstração de força do  principal candidato de oposição, uma mobilização dos movimentos sociais nos redutos  chavistas e um clima de incerteza em relação ao resultado final da votação, embora a  maioria dos institutos de pesquisa aponte o presidente Hugo Chávez como favorito.

A disputa apertada e a ocorrência de episódios de violência alertam para o risco de  desestabilização após a divulgação do vencedor. No dia 1 de outubro, o representante permanente da Venezuela nas Nações Unidas, Jorge Varelo, denunciou o risco de desestabilização por parte da oposição. "Setores nacionais antidemocráticos e golpistas, aliados a poderosos interesses externos, tentarão utilizar a violência para ignorar a vontade popular", afirmou Valero na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Principal candidato da oposição, Henrique Capriles vem oferecendo declarações ambíguas  sobre se aceitaria o resultado da eleição. Perguntado, no dia 1, se reconheceria os dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Capriles limitou-se a responder que reconheceria o "resultado do povo". Um  resultado por margem apertada abriria margem para contestações, apesar da confiabilidade do sistema eleitoral venezuelano, considerado um dos mais seguros do mundo.

Disputa acirrada

Uma demonstração de força de Capriles foi dada no último domingo (30), em Caracas, quando centenas de milhares de simpatizantes tomaram os cerca de dois quilômetros da avenida Bolívar e suas adjacências para o último comício da campanha.

Na próxima quinta, será a vez de Chávez realizar seu último ato de campanha no mesmo local. Para os dois candidatos, os últimos dias serão importantes para convencer eleitores indecisos ou que não pensam em comparecer aos centros de votação.

Ainda que Capriles tenha conseguido aglutinar a oposição venezuelana e reunir a simpatia da parcela descontente da população, a maioria das pesquisas de intenção de voto dá vantagem para Chávez, que tem forte apoio entre as classes populares.

O prazo legal para a divulgação de pesquisas eleitorais terminou no domingo e, nas últimas semanas, dez institutos diferentes divulgaram os resultados de seus levantamentos. Seis deles apontavam vitória do atual presidente, enquanto dois davam vantagem a Capriles e outros dois, empate técnico.

O mais conhecido deles, o Datanalisis, divulgou no dia 28 resultado da pesquisa que  aponta Chávez com 49,4% das intenções de voto, contra 39% de Capriles. Outros 11% optaram por não declarar voto.

É sobre os chamados "ni-nis", que não se declaram "ni" Chávez "ni" Capriles, que recai a maior expectativa sobre o comportamento eleitoral. A abstenção ficaria entre 21% e 25%, entre os 18 milhões de eleitores aptos ao voto. O detalhe é que a pesquisa Datanalisis foi realizada entre o fim de agosto e o começo de setembro.

Levantamentos mais recentes de outras empresas, por sua vez, apontaram vantagem maior para o atual presidente. O instituto Hinterlaces apontou 50% para Chávez e 34% para Capriles em pesquisa realizada entre 10 e 22 de setembro. Já a empresa Consultores 30.11 indicou que Chávez ganharia com 57% das intenções de voto, contra 37% de seu opositor, em estudo realizado entre 21 e 25 de setembro.

A GIS XXI-escenarios, de propriedade do ex-ministro da Comunicação de Chávez, Jesse Chacon, deu 56,2% para o presidente contra 43,8% para o  opositor, em levantamento realizado entre 14 e 20 de setembro. Apesar dos resultados distintos, os institutos de pesquisa mais respeitados coincidem em um ponto: que Capriles obteve um rápido crescimento nas últimas semanas, diminuindo a distância para Chávez, que manteve seus índices ou obteve pequena elevação. Os analistas, em sua maioria, acreditam que Chávez vence por uma diferença relativamente pequena em relação a seu opositor.

Campanha

Recém-saído de um tratamento contra o câncer, Chávez fez uma campanha menos frenética, mas não deixou de recorrer o interior do país e fazer grandes comícios. Já Capriles afirma já ter dado três voltas na Venezuela, fazendo uma campanha "porta a porta".

A violência urbana e a falta de eficiência do governo foram alguns dos principais temas  explorados pela oposição durante a campanha. Por seu lado, Chávez defendeu os avanços  sociais na Venezuela, que comanda desde 1999, e acusou seu opositor de querer aplicar um "pacotaço neoliberal" no país, o que poderia representar um desmonte das políticas  sociais.

Já Capriles se viu obrigado a elogiar políticas chavistas e prometer a  manutenção das "Misiones Bolivarianas", mas acusou o governo de "presentear" petróleo e royalties para outros países, enquanto problemas internos se agravaram.

Em entrevista a uma rede de televisão no fim de semana, Chávez admitiu que em seu governo "há muitos erros como a ineficiência, o burocratismo e a falta de acompanhamento dos projetos que se  aprovam". Eleito em 1998, Chávez passou por mais duas reeleições, em 2000 e em 2006, um referendo revogatório em 2004, além de uma tentativa de golpe em 2002. No período, utilizou os altos recursos proveninentes do petróleo para impulsionar políticas sociais e de distribuição de renda que levaram a Venezuela a se tornar o terceiro país latino-americano com o menor índice de pobreza e o primeiro com a menor desigualdade social, de acordo com a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), além de ser declarada livre do analfabetismo pelas Nações Unidas.

Se vencer a disputa deste domingo, estenderá seu mandato até 2018, completando 20 anos na presidência do país - tempo necessário, segundo seu programa político, para transformar a estrutura do Estado venezuelano.

Capriles é um advogado de 40 anos que já foi prefeito e presidente da Câmara de  Deputados, e atualmente é governador do estado de Miranda. Filho de uma rica família,  dona de um grupo de comunicação, uma empresa de entrenimento, indústrias e imobiliárias, Capriles foi alçado cedo à política - aos 28 anos, foi presidente da Câmara de Deputados.

No atual processo eleitoral, apareceu como alternativa para reaglutinar partidos de  oposição na medida em que encarnava a figura do "novo". Ao longo da campanha, tentou  afastar-se da imagem de representante das elites. Com um discurso moderado, ele vem  prometendo manter iniciativas de sucesso no governo Chávez, como as missões voltadas para a educação, assistência médica, construção de moradias e produção de bens e serviços.

Capriles evita atacar diretamente Chávez, porque perderia votos, e diz que pode fazer um  governo parecido com o de Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil.

Aumento da tensão

Mesmo polarizada, a campanha eleitoral na Venezuela não registrou episódios mais graves.  No sábado (29), porém, dois simpatizantes de Capriles foram mortos a tiros durante uma  carreata no interior do país. A oposição diz que os atiradores eram militantes pró-Chávez. Um suspeito foi preso no domingo. O episódio, único com gravidade ocorrido até o momento, contribuiu para elevar o tom entre as duas candidaturas, que se acusam mutuamente de incitar a violência.

"O discurso violento do candidato do governo será derrotado no dia 7 de outubro. Ele sabe que seu destino está escrito, a derrota e o encerramento de seu ciclo", escreveu Capriles no Twitter ainda no sábado. O governo e os apoiadores de Chávez afirmam que, nesta reta final, a oposição pode buscar gerar episódios de violência e desestabilização, a fim de  poder contestar a lisura do processo eleitoral.

A possibilidade de um resultado apertado no próximo domingo cria um alerta sobre o aumento das tensões após a eleição. No entanto, o processo eleitoral na Venezuela é considerado seguro, contando com identificação biométrica, voto eletrônico e comprovante  impresso. O ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, afirmou recentemente que o sistema venezuelano é "o melhor do mundo".

[O Brasil de Fato está participando da cobertura colaborativa ComunicaSul - comunicasul.blogspot.com]