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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Promotoria afirma que população mais pobre é a mais atingida pelos cartéis dos trens de São Paulo

Postado: Brasil de Fato

Condutas anticompetitivas fazem a população pagar mais caro e, paralelamente, receber serviços de qualidade inferior, afirmam promotores na ação em que pedem dissolução de 9 empresas e devolução de quase R$ 1 bi para o Tesouro.

Da Redação

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Crédito: Edson Lopes Jr./A2

O Ministério Público Estadual afirma que a população de São Paulo ‘sofre’ com o cartel dos trens nos contratos bilionários do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) feitos durante os governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB.

“Quem mais sofreu e ainda sofre com os desmandos decorrentes da divisão premeditada das fatias desse mercado é a população de baixa renda que depende dos trens para se locomover e, assim, ter acesso ao trabalho e, em última análise, garantir a própria subsistência”, aponta a ação.

A ação que tramita na Justiça nesta quinta-feira, 10, pede dissolução de nove empresas, entre elas as multinacionais Siemens, Alstom, CAF, MPE e Bombardier, além da devolução de quase R$ 1 bilhão ao Tesouro. Promotores que integram a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social afirmam que ‘os fatos deixam evidente que toda a sociedade paulista, sobretudo a população da Grande São Paulo, foi e continua sendo lesada de forma difusa pelas práticas anticompetitivas instituídas e operadas pelas demandadas’.

Segundo os promotores, houve formação de cartel em contratos de manutenção de 88 trens das séries 2000, 2100 e 3000 da CPTM, firmados em outubro e novembro de 2007 (governo José Serra, do PSDB) e com aditamentos em 2011 e 2012 (governo Geraldo Alckmin, PSDB).

“Coube à sociedade suportar o ônus financeiro pela prática criminosa do cartel”, afirmam os promotores. “A população ordeira, cumpridora de seus deveres tributários, teve que pagar mais caro em razão das condutas anticompetitivas. Em contrapartida, recebeu serviços de qualidade inferior àqueles que receberia se tivesse havido competição. Portanto, além do prejuízo financeiro, houve manifesto prejuízo social, com dispêndio excessivo e indevido de gastos suportados pela CPTM.”

Posicionamento

A CPTM afirma não ter sido notificada sobre essa ação. A Companhia informa ter ingressado na Justiça contra 19 empresas para exigir ressarcimento aos cofres públicos.

A CAF informou que não se manifestará sobre o assunto. A Alstom destacou que apresentará sua defesa “às autoridades competentes”. A MPE afirmou que “não tem nada a esconder e sempre colaborou com a Justiça.”

A Tejofran afirma que não foi notificada dos termos da ação, mas reiterou que participou de consórcio conforme permitido pela legislação. “A empresa obedeceu exatamente às disposições do edital e realizou todos os serviços previstos em contrato, com preços competitivos, razão pela qual venceu a disputa.”

A Siemens assinalou que, por iniciativa própria, “compartilhou com o CADE e demais autoridades informações que deram origem às atuais investigações quanto às possíveis práticas de formação de um cartel em contratos do setor metroferroviário.”

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

STF abre ação contra deputado Paulinho da Força por suspeita de fraude e lavagem de dinheiro

Por: Brasil de Fato

Ministério Público alega que o parlamentar se beneficiou de um esquema de fraudes que desviou dinheiro de empréstimos do BNDES; Paulinho é tido como um dos principais aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Da Redação

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Paulinho da Força | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu ação penal contra o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, na terça-feira (8). O parlamentar foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento em crimes contra o sistema financeiro e de lavagem de dinheiro, além de formação de quadrilha.

A procuradoria alega que ele se beneficiou de um esquema de fraudes que desviou dinheiro de empréstimos de financiamentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à prefeitura de Praia Grande (SP) e às Lojas Marisa.

Segundo a denúncia, para desviar o dinheiro, os envolvidos falsificavam notas fiscais para explicar a aplicação do dinheiro repassado pelo banco. João Pedro de Moura, ex-assessor do deputado e ex-integrante da Força Sindical no conselho do BNDES, era o facilitador do esquema.

“O denunciado [deputado], em troca de favores políticos, recebia uma parte das comissões. Que era paga à quadrilha e beneficiários desses empréstimos concedidos pelo BNDES”, disse o subprocurador Paulo Gonet.

O ministro Teori Zavascki, relator da ação penal contra o deputado, diz que as conversas telefônicas gravadas pela polícia indicam os desvios. A aceitação da denúncia foi acompanhada pelos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, em sessão da Segunda Turma do STF.

Cheques e planilhas apreendidos mostram a divisão dos valores recebidos por consultorias inexistentes na conta da ONG Meu Guri, que funciona no mesmo prédio da Força Sindical, para ocultar a origem do dinheiro.

Defesa

A defesa de Paulinho alega que ele não tem envolvimento no suposto esquema e que foi vítima de "tráfico de influência" por membros da suposta quadrilha. Estes usariam o nome do deputado, segundo seu advogado, para justificar o valor dos serviços de consultoria cobrados pela empresa.

Na tribuna, o advogado Marcelo Leal afirmou "A fim de aumentar sua participação no resultado do trabalho de consultoria, criaram uma ficção de que algumas pessoas, entre elas Paulo Pereira da Silva, receberia um valor que incorporava o valor que eles receberiam".

Paulinho é presidente nacional do partido Solidariedade e presidente licenciado da Força Sindical. Atualmente, é tido como um dos principais aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e um opositor da presidente Dilma Rousseff, sobre a qual defende o impeachment.

terça-feira, 21 de julho de 2015

CPI da Bike investiga qualidade e implementação de ciclovias no Rio

É cada vez maior o número de pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte na cidade.

Por Fania Rodrigues

Do Rio de Janeiro (RJ) BRASIL DE FATO

 

O Rio de Janeiro possui, hoje, 300% de ciclistas a mais que dez anos atrás, segundo dados da ONG Transporte Ativo. E poderiam ser muito mais, não fossem os problemas diários enfrentados pelos adeptos da bicicleta. Dentre as principais dificuldades estão a falta de ciclovias adequadas, de educação no trânsito e de segurança de modo geral.

Isso foi o que apurou a CPI da Bike instalada na Câmara dos Vereadores do Rio, em junho desse ano. A comissão parlamentar foi criada depois do assassinato do médico Jaime Gold, morto em um assalto na Lagoa Rodrigo de Freitas enquanto passeava de bike. No entanto, os vereadores apuraram que a principal causa de agressões e mortes de ciclistas é o atropelamento. “Apesar do clamor por mais policiais onde circulam os ciclistas, constatamos que o trânsito é o maior vilão. Cerca de um a dois ciclistas são vítimas de acidentes, por mês, no Rio”, garante Jefferson Moura (PSOL), presidente da CPI da Bike.

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Foto: Pablo Vergara

Problemas

Os vereadores agora querem investigar as condições, a qualidade e a extensão das ciclovias construídas nos últimos anos, assim como os novos projetos em andamento. “A ciclovia de Laranjeiras tem pontos preocupantes, como banca de jornal no meio da pista. Em uma parte do trajeto, contado como ciclovia, as bicicletas vão circular junto com os carros. Tem alguma coisa errada nesse projeto, que custou mais de um milhão de reais”, denuncia Moura.

A CPI deve encerrar os trabalhos em novembro e o relatório final, segundo o vereador, vai apresentar sugestões de mudanças para o setor, como a criação de delegacia especializada no roubo de bike e no atendimento ao ciclista. Também deve aumentar o rigor na compra e venda de bicicletas.

Vendas

Atualmente, mais de 80% das vendas de bikes pela internet são feitas sem nota fiscal, de acordo com a CPI. Sobre isso, o vereador Jefferson Moura informou que foi realizada uma reunião com os representantes da OLX e do Mercado Livre. Os dois gigantes da web assumiram o compromisso de publicar o número de registro das bicicletas no anúncio de venda. “Agora essas informações poderão ser cruzadas com o banco de dados da Polícia Civil e assim vamos dificultar o comércio ilegal de bike”, afirma o presidente da CPI.

Novos hábitos

A comerciária Patrícia Rodrigues de Araujo já incorporou a bicicleta em seu estilo de vida. Ela mora no Grajaú e trabalha no centro. O trajeto que hoje ela faz em 30 minutos pedalando, antes demorava mais de uma hora de ônibus. “Economizo tempo, é um transporte mais saudável e não polui o meio ambiente. Mas falta ciclovia e segurança. Outra coisa importante é a integração com o transporte público. Hoje só podemos transportar bicicleta no metrô depois das 21h, durante a semana. Seria bom estender esse horário e ter pelo menos um vagão onde isso fosse permitido”, reivindica a ciclista. Patrícia trabalha no Rio Bike Café, um lugar no centro do Rio que oferece bicicletário e banheiros com duchas para os usuários de bikes. “Observamos que o número de ciclistas vem aumentando, mas poderia ser maior se o usuário contasse com mais estrutura e incentivo”, afirma.

A servidora da Petrobrás, Carmen Navas, também usa bicicleta todos os dias, mas só até a estação de metrô mais próxima da sua casa. A Petrobrás construiu um bicicletário em 2013, com 50 vagas. O número foi ampliado para 75 vagas em 2014, mas ainda assim é pouco. “Faltam vagas para bike e essa é uma briga antiga. Também não há segurança nos túneis por onde passo, então tenho medo”, explica a servidora. (FR)

sábado, 11 de outubro de 2014

Grampos da Polícia Federal revelam esquema milionário durante governo de Eduardo Campos

Reprodução

Investigações revelaram intensa atividade de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção de empresários e políticos ligados ao PSDB e ao PSB

Por Noelia Brito,

Publicado originalmente no Blog da Noelia Brito

denúncia.eduardocampos.1Grampos realizados pela Polícia Federal, com autorização da justiça, dentro das Operações “Farda Nova” e ”Zelador”, iniciadas ainda em 2007, para investigar ações do doleiro Jordão Emerenciano, com o “Jogo do Bicho” (objeto da Operação "Zebra"), acabou por flagrar a intensa atividade de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, de políticos e empresários, dentro do governo Eduardo Campos e até do que nas conversas se chamou de negócios com “petróleo”. 

Dentre os flagrados pelos grampos da Polícia Federal, destacam-se, pela desenvoltura com que operavam e direcionavam licitações e negócios de empresários em SUAPE, em troca de comissões que chegavam a 35% do valor contratado pelas mais diversas secretarias e órgãos do Governo do Estado de Pernambuco, o ex-vereador de Jaboatão dos Guararapes, Geraldo Cisneiros, hoje um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves, em Pernambuco e extremamente ligado a tucanos da mais alta plumagem, o ex-deputado federal Bruno Rodrigues, hoje do PSB, mas quando das práticas criminosas filiado ao PSDB e o até hoje presidente da CEASA de Pernambuco, Romero Pontual, do PSB e ex-tesoureiro de campanha do Partido Socialista Brasileiro e do ex-governador Eduardo Campos.

Da “Operação Zelador” surgiu a Operação “Farda Nova”, onde Romero Pontual é apontado pelos agentes federais como integrante de uma “verdadeira quadrilha” destinada a fraudar licitação para compra de fardamentos para alunos da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco. Já ali, chama a atenção dos agentes federais, o fato de que Pontual fora “tesoureiro da campanha” do então governador Eduardo Campos:

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Nos grampos, é possível acompanhar a desenvoltura com que o ex-tesoureiro de campanha de Eduardo Campos e do PSB, juntamente com o doleiro Jordão Emerenciano, direcionavam as licitações milionárias nos mais diversos órgãos do Estado de Pernambuco, para favorecer as empresas comprometidas com o esquema de corrupção de seu grupo: fardamento, combustível, merenda, medicamentos, empreiteiras, Petrobras, influência política, instalação de empreendimentos em SUAPE, nada ficava fora do esquema do que a própria Polícia Federal chamou de "Organização Criminosa", que usava a própria sede da CEASA para reuniões de "negócios":

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Em um dos relatórios a que o Blog teve acesso, fica claro que o doleiro Jordão Emerenciano era uma espécie de Alberto Youseff dos esquemas de corrupção, em Pernambuco, que não poupava nem o FUNDEPE - Fundo de Pensão dos Servidores do Estado de Pernambuco, numa espécie de conluio com o então deputado federal do PSDB, depois filiado ao PSB, Bruno Rodrigues: "aparecem indícios de que o mesmo poderia estar envolvido na prática de crimes de tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, possível pagamento de propina a políticos dentre outros crimes contra o Sistema Financeiro, e operações ilegais de câmbio e corretagem, o que, pelo menos em tese, se constatado mediante investigação policial, formaria verdadeira Organização Criminosa":

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O relatório da Polícia Federal chega a comparar o esquema montado pelo doleiro Jordão Emerenciano juntamente com o ex-deputado Bruno Rodrigues com aquele arciculado pela Corretora Bônus Banval: "O esquema montado pelo DEPUTADO FEDERAL BRUNO RODRIGUES e por JORDÃO EMERENCIANO se assemelha ao esquema praticado pela BANVAL CORRETORA que se aproveita dos fundos de pensão para fazer operações(…):

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A Polícia Federal flagrou, ainda, nos grampos, articulações do então vereador de Jaboatão dos Guararapes, Geraldo Cisneiros e do doleiro Jordão Emerenciano, junto  ao que chamaram de "caciques da política pernambucana ligados ao PSDB" para "aprovarem projetos e instalações de empresas no PORTO DE SUAPE":

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Outro fato que chama a atenção nos grampos da “Operação Zalador” é o próprio ex-governador Eduardo Campos ser flagrado cobrando Romero Pontual sobre a licitação da Saúde, apesar de Romero Pontual ser presidente da CEASA, órgão, portanto, totalmente dissociado da área a ele cobrada pelo ex-governador. Em outra conversa interceptada entre Romero Pontual e o ex-governador Eduardo Campos, observa-se que o assunto tratado é a licitação da "Educação". Confiram:

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Os grampos ainda apontam para a influência de Romero Pontual, juntamente com Jordão Emerenciano na Casa Militar, além de possível tráfico de influência do ex-deputado Bruno Rodrigues, junto ao governador de São Paulo, também do PSDB, que, na época, era o recém eleito senador José Serra:

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Os grampos ainda apontam para vários contatos de Pontual com Antônio Figueira, à época presidente do IMIP, o que leva a crer que o contrato a que se referia o então governador Eduardo Campos, era a terceirização dos Hospitais e UPAS para a entidade presidida por seu futuro secretário de Saúde, que também aparece nos grampos da Operação Assepsia do Ministério Público do Rio Grande do Norte, que resultou na cassação da prefeita de Natal,  Micarla, do PV.

O presidente da CEASA de Pernambuco, Romero Pontual, de acordo com as investigações realizadas pela Polícia Federal, nas Opreações “Farda Nova” e “Zelador”, mantinha rotina de almoços com o ex-governador Eduardo Campos, ao mesmo tempo em que manipulava os resultados das licitações e negócios nas mais diversas secretarias e órgãos do governo de Pernambuco, o que demonstra o alto grau de confiança e proximidade do Chefe do Executivo pernambucano com seu subordinado, chefe do esquema de achaques ao Erário, flagrado pela Polícia Federal:

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O filho de Romero Pontual, conhecido como Romerinho, é dono de várias empresas fornecedoras de merenda escolar, entre elas a "Casa de Farinha", fornecedora, por coincidência, de todas as prefeituras do PSB, inclusive para a Prefeitura do Recife, Ipojuca, São Lourenço da Mata, Paulista, Moreno e para o governo do Estado de Pernambuco.

As empresas de Romero Pontual Filho também já foram alvo de Operações da Polícia Federal. Em um trecho das gravações, os policiais flagram uma conversa entre pai e filho sobre um cheque que haveria para eles na sede da Construtora Moura Dubeux e que foi considerada uma "conversa obscura" pelos agentes federais:

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O que causa estranheza é que tendo sido iniciadas em 2007, nenhuma dessas operações, apesar dos flagrantes de crimes gravíssimos, até agora resultaram nem no afastamento do senhor Romero Pontual e nem muito menos em processos ou prisões para os criminosos flagrados, pela própria Polícia Federal, com o conhecimento do Ministério Público Federal, em atos atentatórios contra o Erário.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mais de 55 mil trabalhadores sofreram acidentes com máquinas em 2013

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Divulgação

Ao todo, 55.118 pessoas foram mortas ou incapacitadas por máquinas perigosas e desprotegidas. Empresas resistem em cumprir e tentam suspender norma de uso

14/07/2014

Por Alessandro da Silva e Vitor Araújo Filgueiras 

Da Repórter Brasil
Todos os anos, milhares de trabalhadores brasileiros são mortos ou incapacitados por máquinas perigosas e desprotegidas. Em 2013, segundo dados das Comunicações de Acidentes de Trabalho ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), apenas 11 tipos de máquinas e equipamentos (como serras, prensas, tornos, frezadoras, laminadoras, calandras, máquina de embalar) provocaram 55.118 infortúnios, o que representa mais de 10% do total de 546.014 acidentes típicos comunicados pelas empresas no Brasil.
A Norma Regulamentadora Número 12 (NR 12), editada pelo Ministério do Trabalho (MTE), é o diploma jurídico a ser obedecido pelos empregadores brasileiros para evitar que esses acidentes aconteçam, contemplando as medidas essenciais para que seres humanos não se machuquem, incapacitem ou morram ao produzir os lucros dos seus empregadores.
Entretanto, parte das empresas brasileiras e suas entidades representativas não apenas tem resistido a cumprir a NR 12, como tem atuado em diversas frentes para tentar suspender a norma, o que acarretaria a perpetuação da carnificina verificada em nosso mercado de trabalho.
Empresas e seus representantes pedem mais prazos para continuar descumprindo a NR 12, mas não revelam que a norma existe há décadas, e sua atualização, em 2010, foi produto de negociação efetuada ao longo de anos e iniciada ainda na década de 1990, com a participação ativa e consentimento dos representantes empresariais.
A redação atual da NR 12 já está em vigor há quase quatro anos, e muito antes vigiam normas técnicas da ABNT e instruções normativas do MTE que incorporavam as exigências constantes na atual NR 12. Ou seja, além de ter sido negociada com a participação do patronato por anos, a redação de 2010 da NR 12 não traz novidades ao que já era tecnicamente previsto e aplicado pelas instituições regulatórias.
Permissão para acidentes?
Assim, ao contrário do que costumam fazer quando é conveniente para preservar seus interesses, alardeando e denunciando qualquer mudança nos instrumentos jurídicos que lhes beneficiam, agora empresas e suas entidades querem simplesmente rasgar o contrato que elas mesmas assinaram, materializado na NR 12.
Depois de tantos anos de amputações e mortes, qualquer adiamento ao cumprimento da NR 12, qualquer que seja o eufemismo adotado para designá-lo, efetivamente implicará a assinatura da permissão de acidentes, perda de entes queridos e sofrimentos de milhares de famílias dos setores mais vulneráveis da nossa sociedade.
Além disso, essa postura das entidades empresariais patrocina a concorrência espúria entre as empresas, pois mais de 4 mil empresas já regularizaram seu maquinário desde 2011, após interdição da fiscalização do Ministério do Trabalho. Isso também desmente a retórica vazia que vincula a NR 12 à preservação dos postos de trabalho, que na verdade não se relacionam com a proteção de vidas, tanto assim que as empresas continuam a operar normalmente após adequar seu maquinário.
Infelizmente, as entidades empresariais optaram por atacar a NR 12 para maximizar lucros de curto prazo de forma predatória, em vez de promover a concorrência leal e a evolução do mercado de trabalho brasileiro para um ambiente com menos mortes e sofrimento.

domingo, 16 de março de 2014

Fiscalização resgata 19 peruanos escravizados produzindo peças da Unique Chic

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Reprodução/Repórter Brasil

Trabalhador procurou consulado após sofrer agressões. Dono da oficina foi preso e 19 pessoas libertadas. Entre os resgatados estão dois adolescentes

14/03/2014

Por Daniel Santini

Da Repórter Brasil

Um trabalhador apanhou e decidiu pedir ajuda ao Consulado do Peru, que encaminhou o caso às autoridades. Foi assim que teve início a operação que resultou no resgate de 19 costureiros peruanos na última sexta-feira, dia 7, na Zona Leste de São Paulo. A fiscalização flagrou exploração de trabalho escravo e tráfico de pessoas. Entre os libertados está um adolescente. O dono da oficina, que retinha os documentos dos trabalhadores para que eles não fossem embora, foi preso e a empresa Unique Chic foi considerada pelo Ministério do Trabalho e Emprego responsável pela situação a que os imigrantes estavam submetidos.

Criada em 2006, a empresa conta com dois endereços no Bom Retiro e atua principalmente no mercado atacadista. A oficina em que os costureiros foram resgatados era terceirizada, mas, por se tratar da atividade fim, a grife foi responsabilizada. A Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho prevê que a contratação de empresa interposta não isenta a contratante de suas obrigações legais. Além disso, segundo Marco Antonio Melchior, chefe da fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo (SRTE-SP), não há dúvidas de que existia um vínculo direto entre a oficina e a empresa. “A dependência econômica de todos era com a Unique Chic”, explica, ressaltando que foram encontradas notas fiscais e outros documentos que comprovam essa relação.

A Repórter Brasil entrou em contato com o departamento financeiro e de recursos humanos da empresa, que informou que apenas o proprietário poderia se posicionar sobre o assunto, o que não aconteceu até a publicação deste texto. Foram encontradas também peças de outras marcas na oficina, mas nenhuma documentação indicando vínculo com mais grupos.

Além do Ministério do Trabalho e Emprego, participaram da ação representantes da Secretaria da Justiça, do Ministério Público do Trabalho, da Defensoria Pública da União e da Polícia Civil.

Violência
O grupo estava, segundo as autoridades, submetido a escravidão por dívidas e jornadas exaustivas sistemáticas, além da retenção de documentos que impedia fugas. Na fiscalização, os auditores localizaram carteiras de trabalho retidas, mas não havia registro de pagamentos efetuados nos últimos meses. Sem documentação ou amigos na cidade, os imigrantes peruanos temiam ser deportados se tentassem escapar.

No primeiro depoimento à polícia quando denunciaram o caso, além de registrar a agressão sofrida, algumas das vítimas relataram jornadas das 5h às 22h e reclamaram de ameaças.”No outro dia, quando eles estavam acompanhados, mudaram posicionamento e passaram a defender a dona da oficina. Disseram que no depoimento não haviam falado das coisas boas e se recusaram a assinar as guias para receber o seguro-desemprego. Alguns entendiam que aqueles documentos eram guias de extradição”, conta Marco Antonio Melchior, do Ministério do Trabalho e Emprego, que buscou ajuda do Centro de Apoio ao Migrante (Cami) para fazer o atendimento às vítimas.

Padre Roque Patussi, coordenador do Cami que ajudou na negociação com o grupo, explica que “a primeira reunião [após a fiscalização] foi muito tensa” e que “eles rebatiam tudo, diziam que se sentiam vítimas do resgate e não do trabalho escravo”. Ele conta que até os que denunciaram o caso mudaram o depoimento após o contato com os empregadores. “Primeiro deram uma declaração, depois, no outro dia, mudaram completamente a versão. Não sabemos se houve imposição de mudança ou se foi o grupo que decidiu defender o dono em solidariedade após a prisão”, afirma.

Após os trabalhadores serem informados sobre seus direitos e terem a garantia de que não seriam obrigados a deixar o país, ele diz que a maioria mudou de postura e passou a colaborar com as investigações. “Alguns viveram dois anos em São Paulo sem conhecer a cidade. Provavelmente passaram esse tempo todo isolados na oficina. Viviam em cerceamento de liberdade sem comunicação. Agora dois têm celular, antes nenhum deles tinham”, explica. “Em um ano em que a Igreja está tentando sensibilizar a sociedade em relação ao tráfico de pessoas, em especial ao voltado para o trabalho escravo, esses casos vão aparecer cada vez mais. Eles só confirmam a necessidade não só de a Igreja, mas de o país inteiro ter atenção com o tema”, afirmou, referindo-se ao fato de a Igreja Católica ter escolhido o tráfico de pessoas como tema para a Campanha da Fraternidade de 2014.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Ativistas prestam solidariedade ao povo Guarani Kaiowá

Estados do Brasil: Mato Grosso do Sul

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Luana Luizy

"Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias.

Deus, mesmo, se vier, que venha armado" Guimarães Rosa

17/01/2014 - Por Luana Luizy – Postado: Brasil de Fato

"Não morreremos educadamente", esse foi o slogan que levou 30 ativistas e independentes de Brasília rumo ao Mato Grosso do Sul, no último dia 6 de janeiro, com objetivo de prestar solidariedade ao povo Guarani Kaiowá. O grupo se chama "Brigada em Solidariedade aos povos Guarani Kaiowá". 

"Tivemos nas ruas no ano passado e acreditamos que a luta na cidade se soma à luta no campo", aponta Thiago Ávila, um dos participantes da brigada. O primeiro dia da viagem contou com visita na Terra Indígena (TI) de Água Bonita, localizada na periferia de Campo Grande. Na aldeia vivem atualmente os povos Terena, Guató, Kadiwéu, Guarani e Kaiowá. Apesar de terem o reconhecimento de 36 hectares no cartório, os indígenas habitam atualmente apenas 14 hectares espalhados em 62 casas.

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Ativistas ajudam na construção da casa de reza na aldeia Taquara-MS

Foto Luana Luizy

Como forma de acelerar a demarcação da terra pela Fundação Nacional do Índio (Funai), os indígenas ocuparam mais cinco hectares." Percebemos que vários outros movimentos sociais também sofrem com a falta de reconhecimento de suas terras, mas pra mim o sofrimento é um só", afirma o cacique Nito Nelson Kaiowá.

Durante a roda de conversa na aldeia de Água Bonita, o grupo discutiu a diferença entre os conceitos de "reserva" e "aldeia".  Após a Guerra do Paraguai houve o reajuste de fronteiras e terras na região do pantanal e muitos indígenas que estavam dentro de territórios reivindicados por latifundiários foram dispersados e confinados em reservas.

Então o conceito de reserva foi criado, um espaço administrativo para retirar os indígenas de seus territórios de origem, o propósito era colonizar os indígenas, prepará-los para trabalhar nas fazendas, urbanizá-los. No Brasil o projeto foi administrado por Marechal Rondon.

Após a visita em Água Bonita, a brigada seguiu para a aldeia de Marçal de Souza, também em Campo Grande.  Habitada por indígenas da etnia Terena, a ocupação na Marçal de Souza começou em 1995, a área estava prevista para Funai construir sua sede administrativa, com o passar dos anos nada foi feito, foi aí que os indígenas decidiram ocupar a área. Hoje a aldeia conta com uma escola e um memorial de cultura indígena, a 1° cacique mulher do Brasil também vive na aldeia, dona Enir Terena.

Apesar do reconhecimento da área, os indígenas da região sofrem com falta de uma educação escolar que contemple a cultura e língua dos Terena, além da falta de acesso à moradia e saúde. "Precisamos de uma escola tradicional indígena, atendimento na saúde indígena nos órgãos como a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) mais voltada para os indígenas. Atualmente vivem 10 mil indígenas em Campo Grande, podemos colocar que aí 70% reivindicam habitação. O espaço do memorial também precisa ser mais utilizado pela comunidade", reitera Sidney de Albuquerque, jornalista Terena.

Durante a jornada, os brigadistas puderem desmitificar a visão do índio romântico e perceber que cultura é um processo dinâmico. Os indígenas dentro da cidade não deixam de ser mais ou menos índios por isso. "O homem branco come mandioca, mas ninguém vai lá e diz que ele está deixando de ser branco por comer mandioca, tradição que é herdada dos indígenas, mas quando um índio tá consumindo algum produto tecnológico todos caem em cima dele pra dizer que ele tá deixando de ser índio", comenta o jornalista Rafael Abreu.

Dourados

"A reserva de Dourados é talvez a maior tragédia conhecida na questão indígena em todo o mundo", vice-procuradora geral da República, Débora Duprat.

Indígenas da aldeia de Água Bonita- MS pedem
aceleração da demarcação da terra Foto: Luana Luizy

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Quem chega na cidade de Dourados logo percebe as oligarquias do campo que dominam a cidade, rodeada por usinas de álcool e campos de soja, a região parece esconder uma triste e dura realidade: O maior quadro de confinamento indígena e um dos contextos mais graves de miséria do país. A cidade também registra um dos maiores casos de violência contra os povos indígenas, além de casos de suicídio e alcoolismo.

A visita na aldeia de Jaguapiru só comprova o quadro, logo no caminho as marcas de destruição de uma pedreira dentro da terra indígena já revelam o clima desolador. "Vi que vocês tiveram exploração de uma mineradora aqui na aldeia, queria saber como isso tem afetado o cotidiano de vocês desde então?", questiona Henrique Dias participante da brigada.

"Já fomos ameaçados. Meu véio ficou surdo por causa da pedreira. A explosão é muito grande... parece que vai rachar a terra. Eu trabalhava e nunca parava, fazia meu artesanato, aprendi com minha mãe, mas agora não posso trabalhar bem, meu braço começa a formigar e preciso parar de trabalhar. Meu ‘véio’ ficou surdo, não vai ouvir mais nunca na vida dele", lamenta dona Floriza Souza da Silva Guarani Kaiowá.

Dona Floriza já sofreu um acidente devido a explosão da pedreira e afirma que foi arremessada pelo impacto. Os indígenas afirmam que as atividades da mineradora Santa Maria LTDA começou a partir de 1970, desde então ela tem provocado danos ambientais e afetado o dia-dia dos povos indígenas.

Para saber mais confira o documentário: Flor Brilhante e as Cicatrizes da Pedra

Guerreiras

O protagonismo das mulheres Guarani Kaiowá é percebido na sua autonomia. Em Dourados existe uma Associação de Mulheres Indígenas que vive de doações e oferece cursos de artesanato a indígenas. "Muitas vezes a imagem que passa lá fora é a de que o índio só quer viver de cesta básica, nós não queremos viver de cesta básica , mas queremos condições para termos nosso próprio sustento", reitera a cacique Elenir Guarani Kaiowá.

Taquara e a luta pela terra

"Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias.

Deus, mesmo, se vier, que venha armado" Guimarães Rosa

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Indígenas da aldeia de Jaguapiru, em Dourados- MS
sofrem com as atividades de uma mineradora
dentro de suas terras Foto: Luana Luizy

A aldeia indígena de Taquara encontra-se a pouco mais de 10 km do município de Caarapó, no sul do estado de MS. Lá, os Guarani Kaiowá travam luta diária pelo reconhecimento de sua terra.  Em 2003, o cacique Marcos Verón foi morto brutalmente por agressores contratados por fazendeiro na região.
O monocultivo da soja e cana-de-açúcar tem provocado a especulação e degradação em cima das florestas e terras indígenas no Mato Grosso do Sul, só em 2007 a 2012 foram construídas 27 usinas de álcool no estado. A aldeia dos Guarani Kaiowá em Taquara é um caso bastante emblemático nessa questão, rodeada por canaviais, os indígenas ainda aguardam homologação da terra.

Em maio de 2013, os Guarani Kaiowá da aldeia Taquara decidiram retomar cerca de 300 hectares como meio de acelerar a regularização da área. "O ministro esteve aqui na área, mas foi priorizado a terra dos Terena. A gente não sabe como o governo vai fazer em relação ao fazendeiro. Vai demorar pra sair, enquanto isso tem os arrendatários que ficam explorando terra indígena", afirma a liderança indígena Ládio Veron, filho do cacique morto Marcos Veron.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Todos contra a Terceirização! Todos contra a PL 4330! Video 01

O Movimento Humanos Direitos (MHUD) uniu-se à Anamatra na luta contra o Projeto de Lei nº 4.330/2004, que regulamenta a terceirização no Brasil. Diversos atores que participam do Movimento gravaram vídeos, sem cobrança de cachê, contra a proposta legislativa.
O primeiro vídeo contou com a participação dos atores e dirigentes do MHUD Dira Paes Gilberto Miranda e Priscila Camargo e os atores participantes do Movimento Bete Mendes e Osmar Prado.
Compartilhe e diga não à precarização do trabalho e ao PL nº 4.330/2004!

Todos contra a Terceirização - Vídeo 2

O Movimento Humanos Direitos (MHUD) uniu-se à Anamatra na luta contra o Projeto de Lei nº 4.330/2004, que regulamenta a terceirização no Brasil. Diversos atores que participam do Movimento gravaram vídeos, sem cobrança de cachê, contra a proposta legislativa.
O segundo vídeo contou com a participação da atriz e dirigente do MHUD Camila Pitanga e do ator participante do Movimento Wagner Moura.
Compartilhe e diga não à precarização do trabalho e ao PL nº 4.330/2004!

sábado, 21 de setembro de 2013

Crianças sem identidade, o trabalho infantil na produção de castanha de caju

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Meninos e meninas têm as mãos queimadas por ácido e perdem digitais na quebra da castanha do caju. Mesmo após denúncias, problema persiste no Rio Grande do Norte

Daniel Santini da Repórter Brasil - Foto: Daniel Santini/Repórter Brasil

Olhe a ponta do seu dedo. Repare no conjunto minúsculo de linhas que formam sua identidade. Essa combinação é única, um padrão só seu, que não se repete. As crianças que trabalham na quebra da castanha do caju em João Câmara, no interior do Rio Grande do Norte, não têm digitais. A pele das mãos é fininha e a ponta dos dedos, que costumam segurar as castanhas a serem quebradas, é lisa, sem as ranhuras que ficam marcadas a tinta nos documentos de identidade.

O óleo presente na casca da castanha de caju é ácido. Mais conhecido como LCC (Líquido da Castanha de Caju), esse líquido melado que gruda na pele e é difícil de tirar tem em sua composição ácido anacárdico, que corrói a pele, provoca irritações e queimaduras químicas. No vilarejo Amarelão, na zona rural de João Câmara, as castanhas são torradas – além de corroer a pele, o óleo é inflamável – e quebradas em um sistema de produção que envolve famílias inteiras, incluindo as crianças.

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Com a pele cada vez mais lisa, as pontas dos dedos perdem as digitais, e as linhas e traços de identidade se esfacelam. Fotos Daniel Santini/Repórter Brasil

O óleo é pegajoso. Basta pegar uma castanha e quebrá-la para ficar com a pele manchada por alguns dias. Nem todas as crianças e os adultos que trabalham no processo sabem que o óleo é ácido. Muitos acham que a mão fica assim machucada por conta da água sanitária utilizada para tirar o preto encardido da mão depois de horas seguidas manuseando e quebrando as castanhas torradas.

“Se fosse assim, as pessoas que usam água sanitária para limpeza estariam roubadas! É o óleo LCC que tem uma ação irritante, ele é cáustico, produz lesões e chega a retirar as digitais”, explica o médico Salim Amed Ali, autor de diferentes estudos sobre doenças ocupacionais para a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), do Ministério do Trabalho e Emprego.

A perda da identidade não é permanente. Com o tempo, as digitais voltam se a pessoa se afastar da atividade.

Sobrevivência

O médico fez pesquisas específicas sobre a saúde de trabalhadores de unidades industriais de processamento de castanhas de caju e diz que a atividade pode ser considerada insalubre. No caso em questão, em que a produção é totalmente artesanal e as famílias dependem do trabalho para sobreviver, ele destaca quão contraditória é a situação.

“A subsistência está calcada em condições de trabalho inviáveis. Para viver, o sujeito precisa se submeter a condições inaceitáveis e as crianças acabam sacrificadas. Não dá para aceitar isso em pleno século 21”, afirma.

O emprego de crianças na quebra da castanha de caju está incluído na lista de piores formas de trabalho infantil, ao lado de atividades como beneficiamento do fumo, do sisal e da cana-de-açúcar. A situação a que estão submetidas as crianças de João Câmara (RN) não chega a ser novidade. A auditora fiscal do trabalho Marinalva Cardoso Dantas, coordenadora do Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho da Criança e de Proteção ao Adolescente Trabalhador, tem realizado sucessivas ações de fiscalização, denunciado a situação e cobrado soluções.

“Não dá para aceitar que as crianças continuem nessa situação, mas não basta reprimir, é preciso oferecer alternativas”.

Além de identificar as crianças e reunir informações para relatório a ser entregue ao Conselho Tutelar da cidade, ela também tem procurado cobrar providências por parte da prefeitura sobre a situação das famílias. Os programas sociais são considerados insuficientes pelos moradores, que reclamam da atuação do poder público.

“Sabemos do que está acontecendo, mas até agora não conseguimos avançar”, admite Maria Redivan Rodrigues, secretária de Assistência Social e primeira-dama de João Câmara, que promete solucionar o problema em um ano, até setembro de 2014. 

O Brasil se comprometeu a erradicar as piores formas de trabalho infantil até 2015, mas, mesmo com denúncias, situações com a de João Câmara persistem.

Em 24 de fevereiro de 2012, o promotor Roger de Melo Rodrigues, do Ministério Público Estadual, abriu o Inquérito Civil nº 06.2012.00003777-7 após denúncias.

“Ele disse que ia processar as famílias, tentou proibir as pessoas de trabalhar, deixou todo mundo apavorado. Foi muito ruim”, diz Ivoneide Campos, presidente da Associação Comunitária do Amarelão.

“A fumaça faz mal, a gente sabe, mas as famílias não querem mudar o método com que sempre trabalharam. E não adianta forçar, tem de transformar em querer, ajudar na busca de alternativas”, defende.

Procurado para comentar a reclamação, o promotor negou, em nota, que sua atuação tem sido meramente repressiva. Ele diz que “os problemas relacionados à queima de castanha, tais como impacto ambiental, danos à saúde dos moradores e trabalho infantil, não têm passado desapercebidos do Ministério Público Estadual” e que “em vez de buscar a repressão de delitos relacionados ao caso, esta Promotoria tem priorizado o diálogo com a respectiva comunidade, já havendo sido realizadas duas reuniões no local com todos os interessados e representantes de órgãos municipais, estaduais e federais, objetivando a construção de um consenso para solucionar o caso”.

O promotor reclama, porém, que embora “busque uma resposta adequada e legítima aos problemas, tem enfrentado alguma resistência relacionada ao costume já enraizado, da parte de algumas famílias locais, de proceder à queima de castanhas ao alvedrio dos respectivos danos decorrentes, o que não impedirá uma atuação isenta e efetiva para a resolução do caso”.

Potiguar

Entre as famílias que dependem do processamento de castanhas de caju para sobreviver estão as de um assentamento localizado na região de índios Potiguar, um dos poucos núcleos remanescentes dessa etnia que no passado povoou o estado inteiro. Os ganhos são mínimos. A castanha crua é comprada de pequenos produtores da região de Serra do Mel. Um saco de 50 kg rende, em média, 10 kg de castanha processada. As famílias contam que ganham de R$ 30 a R$ 100 por semana, vendendo a produção a intermediários que revendem em feiras e mercados de cidades.

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Assim que as castanhas estão torradas, as mãos se levantam; pancadas quebram uma noz, depois outra e outra, e outra

“Tentamos identificar quem lucra com isso, mas é um sistema muito primitivo. As indústrias organizaram a produção e estão processando diretamente as castanhas, não identificamos nenhuma envolvida. Os intermediários são pequenos comerciantes que adquirem o produto diretamente com as famílias”, explica o auditor fiscal José Roberto Moreira da Silva.

Criatividade na busca por soluções para as famílias não falta. Nilson Caetano Bezerra, do Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho da Criança e de Proteção ao Adolescente Trabalhador Aprendiz, por exemplo, sonha em fazer parcerias com as empresas de produção de energia eólica, que fazem multiplicar o número de torres de geração na região, para empregar adolescentes como aprendizes. E em providenciar máquinas para que os adultos não tenham de manusear as castanhas torradas. Experiências com mecanização já aconteceram, mas o descasque manual ainda é o preferido porque a taxa de desperdício é menor.

Em fevereiro, o juiz Arnaldo José Duarte do Amaral, titular da 9ª Vara do Trabalho de João Pessoa, visitou a comunidade e também encontrou as crianças trabalhando na produção de castanhas. Ele escreveu um artigo sobre a questão e, desde então, tenta articular soluções e envolver mais interessados em resolver o problema.

“Quando estive lá como juiz, me perguntavam se ia prender alguém. Não é esse o papel do judiciário, o objetivo não é prender ninguém, é achar solução”, diz, defendendo a formação de cooperativas e mecanismos de economia solidária como o melhor caminho para erradicar o trabalho infantil e melhorar a condição de trabalho dos adultos. “A gente tenta corrigir essas questões há séculos, sem sucesso. Não bastam ações repressivas, que vão além de tentar punir.”

domingo, 11 de agosto de 2013

Todos ao ato do dia 14/8 na luta por um transporte público!no Vale do Anhangabaú

09 de Agosto de 2013
Metroviários de SP

Carta aberta a popula__o

Veja aqui: Carta aberta a população

As recentes denúncias sobre a corrupção no Metrô e CPTM são apenas a ponta do iceberg de um esquema muito maior da utilização de investimentos públicos para interesses e lucros privados.

Um dos negócios nebulosos envolvendo o governo do PSDB e grandes empresas é o fracassado caso da implantação do CBTC no Metrô, um contrato com a Alstom no valor de R$ 780 milhões. O sistema deveria colocar mais trens em circulação, diminuindo o tempo de espera para os usuários, mas os testes apontaram problemas para a segurança dos usuários e trabalhadores. 

No caso da CPTM, a terceirização de boa parte dos serviços prestados para a empresa, sem contrapartida em qualidade e segurança para os usuários. Outro caso é a reforma de péssima qualidade dos trens do Metrô, que custou R$ 1,8 bilhão, quase o mesmo preço de trens novos. 

O que poderia ser feito com o dinheiro desviado

- Redução da tarifa, rumo à tarifa zero

- Ampliação da rede metroviária e ferroviária

- Integração da EMTU com transporte municipal e ampliação do funcionamento

- Redução de falhas, paradas técnicas e acidentes

Só a luta muda a vida!

Em junho, a população revoltada contra o aumento da tarifa do metrô  trens e ônibus foi às ruas, como não se via há anos. As enormes mobilizações forçaram Alckmin e Haddad a recuar e cancelar os aumentos. Todos ao ato do dia 14/8 na luta por um transporte público!

Concentração: 15:00 horas no Vale do Anhangabaú

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Cadê Amarildo? Mãe de criação de Amarildo rompe o silêncio e critica a polícia

Jornal A Nova Democracia - No domingo, dia 14 de julho, o operário construção civil, Amarildo de Souza, conhecido como "Boi", de 43 anos, morador do morro da Rocinha no Rio de Janeiro, desapareceu depois de ser detido por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Enquanto as autoridades tentam explicar o desaparecimento de um trabalhador sob custódia do Estado, a mãe de criação de Amarildo, dona Jurema, quebrou o silêncio e pela primeira vez falou para as câmeras. Sem que filmássemos seu rosto, ela concordou em falar e não poupou palavras.

sábado, 15 de junho de 2013

NOTA PÚBLICA DO MTST: OS PRIMEIROS PRESOS DA COPA

Num deles, o secretário de segurança do DF diz que quem se manifestar durante a Copa das Confederações será preso. Em outro, a polícia do DF faz a acusação descabida de que os manifestantes receberam dinheiro para participar do ato. É a criminalização da Copa ganhando força. 

O MTST pede a todos os aliados que nos ajudem a denunciar.

 

O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) faz parte da Resistência Urbana, que ontem dia 14/6 promoveu uma jornada nacional de manifestações questionando a Copa do Mundo Fifa 2014, evento que está provocando milhares de despejos país afora, além de submeter os brasileiros à Lei Geral da Copa, uma arbitrariedade que restringe inclusive o direito de ir e vir, bem como o de se manifestar. Isso sem mencionar os altíssimos custos do evento, pagos quase exclusivamente pelo povo.

              Entre as ações de ontem, destaca-se a que ocorreu em Brasília, onde nossos militantes travaram o Eixo Monumental, principal acesso ao Estádio Nacional Mané Garrincha por mais de duas horas com grande repercussão, inclusive na imprensa internacional.

               Numa reação vergonhosa com o intuito de reprimir as manifestações e criminalizar o Movimento, o Governo do Distrito Federal iniciou no fim da tarde uma verdadeira caça às bruxas (expediente da Ditadura Militar!), prendendo nada menos que 5 militantes, entre eles duas coordenadoras do MTST que estavam com uma criança de 4 anos! Além disso, outros vários militantes e aliados do Movimento foram perseguidos pelas polícias militar e federal durante a noite. Graças à solidariedade de nossos aliados e apoiadores, conseguimos, já ao fim da noite, a liberação de todos por meio de fiança.

               Como se não bastasse nos perseguir como se fossemos criminosos de altíssima periculosidade, o GDF e a polícia militar aventaram uma série de acusações absurdas contra o Movimento. Uma delas é que as pessoas que participaram da manifestação no Mané Garrincha teriam recebido R$ 30. Nossos aliados do grupo Brasil e Desenvolvimento que participaram da ação também foram vítimas de insinuações caluniosas por parte do governo local. Essa nota vem para desmentir o GDF, a PM e a imprensa que veicula mentiras sem apurar os fatos.

               O GDF de Agnelo Queiroz tem a marca da intransigência com os trabalhadores e movimentos populares, o que se expressa na declaração de seu Secretário de Segurança de que "quem fizer manifestação na Copa das Confederações será preso". Essa característica somada aos desmandos da FIFA no período da Copa das Confederações tem como resultado a repressão contra os mais pobres. Na tentativa de nos destruir, o primeiro passo é nos calar e nos amordaçar. Mas isso não acontecerá. Seguimos questionando: Copa pra quem?

COORDENAÇÃO NACIONAL DO MTST

domingo, 31 de março de 2013

Cacique Xavante sofre ameaça em Marãiwatsédé depois de retirada dos invasores

Fonte da notícia: Cimi Regional Mato Grosso do Sul

Por Ruy Sposati, de Campo Grande (MS)

damiaoA paz para os Xavante de Marãiwatsédé ainda parece algo distante. O cacique da aldeia, Damião Paridzané, sofreu uma ameaça em público no dia 8 de março, pouco mais de um mês depois de finalizada a desintrusão do território. O território fica situado nos municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia, nordeste do Mato Grosso. Os indígenas lutaram por quase meio século para garantir a permanência na área.

A ameaça aconteceu na área comercial do município de Bom Jesus do Araguaia. O cacique estava na cidade com um grupo de jovens guerreiros Xavante. Num momento em que Damião estava sozinho, foi abordado por um antigo morador de Posto da Mata, uma das comunidades retiradas da terra indígena. "Ele ameaçou e culpou o cacique Damião de ter tirado todos os posseiros de lá", relata o indígena Aquilino Tsere'ubu'õ Tsirui'a.

De longe, os guerreiros perceberam os gestos exaltados do homem e correram para afastá-lo. "Todo mundo conhece esse homem [que ameaçou Damião]. Ele é um matador. E ele também é genro de um famoso pistoleiro daqui", denuncia. Os Xavante, então, levaram o cacique de volta para a aldeia.

A essa nova intimidação somam-se duas ameaças ao bispo emérito de São Félix do Araguaia, dom Pedro Casaldáliga. Defensor histórico da luta dos Xavante pela retomada de Marãiwatsèdè, dom Pedro foi ameaçado anonimamente de sequestro e morte em dezembro de 2012, e em fevereiro desse ano. Ainda no ano passado, a Polícia Federal (PF) confirmou a veracidade das ameaças, abriu inquérito para tratar do caso e deslocou contingente da Força Nacional para a região.

A terra de Marãiwatsédé foi tomada dos Xavante em 1966 pela Agropecuária Suiá-Missú. Recuperada em 1992 e homologada pela Presidência da República em 1998, os indígenas até sofreram grandes pressões de latifundiários e do poder político local para que suas terras permanecessem nas mãos dos fazendeiros. Até o início da desintrusão, em dezembro de 2012, cerca de 90% da área ainda estava sob o domínio dos invasores, que a utilizavam para gado e plantações de soja e arroz.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Trabalho escravo é flagrado em confecção das Lojas Americanas


da Redação Brasil de Fato
Uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) flagrou cinco bolivianos em condições análogas a de escravo em uma oficina de costura que fornecia roupas às Lojas Americanas. A relação entre a rede de lojas e a confecção era através da empresa HippyChick Moda Infantil (com a etiqueta “Basic+Kids”), ambas funcionam em Americana (SP). A informação foi divulgada pelo MPT na última terça-feira (19).
A fiscalização constatou que os bolivianos trabalhavam sem registro em carteira e cumpriam jornadas de até 12 horas diárias. Também foram encontrados indícios de aliciamento de mão de obra, fato que ainda está sob investigação. Cada peça produzida pelos trabalhadores era vendida por R$ 2,80 à HippyChick e depois repassadas às Lojas Americanas.
O dono da oficina também é boliviano e mantinha parentes trabalhando em um barracão improvisado, onde havia problemas de higiene e falta de segurança. O local foi interditado. A fiscalização chegou ao local após denúncia da Polícia Federal, que há um ano havia realizado diligência no local para verificar a situação dos vistos de permanência dos bolivianos.
Os trabalhadores bolivianos tiveram as carteiras de trabalho expedidas, além de receberem as verbas salariais devidas, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) com multa e uma indenização individual de R$ 5 mil. Os valores foram pagos pela HippyChick, conforme um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado pelo MPT.

Lojas Americanas
A responsabilidade das Lojas Americanas no caso está sendo apurada por MTE e MPT. Os envolvidos podem ser multados, sofrer processo na Justiça do Trabalho e até responder por crime de redução de trabalhadores a condições análogas às de escravo, que prevê de 2 a 8 anos de reclusão.
"O Ministério Público do Trabalho busca sempre a responsabilização daqueles que estão à frente do empreendimento, os reais beneficiários do processo produtivo. Não é interessante identificar apenas os intermediários, mas todo o segmento da cadeia produtiva," destacou o procurador-geral do Trabalho, Luís Camargo.
As empresas que se utilizam de mão de obra escrava têm o nome incluído na lista suja do trabalho escravo do MTE e podem ser penalizados com a suspensão de financiamento e acesso ao crédito por instituições federais, além de serem submetidas a restrições comerciais com empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. (com informações do MPT)


Foto: FM-Pas/CC

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

CONTRA A PERSEGUIÇÃO A 12 PROFESSORES PELO GOVERNO DO PT DE CUBATÃO NOTA DO NATE (NÚCLEO DE ESTUDOS E AÇÃO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO)

Tão alto sublimar não posso o verbo,

Devo de outra maneira traduzi-lo...

Devera estar – ‘Era ao princípio a Força!’

No momento, porém em que isto escrevo...

Solução enfim acho: satisfeito,

‘No princípio era Ação’ – escrever devo.

(GOETHE in Fausto)

Que o PT há muito deixou de representar os interesses dos trabalhadores, isto mais ninguém duvida. Porém, ser esse partido perseguidor de pais e mães de família que lutam para ter seus salários em dia, supera todas as expectativas, até mesmo dos eleitores mais à direita no espectro burguês. A perseguição aos operários das obras do PAC e aos servidores federais nas últimas greves é a prova inconteste que este partido não só abandonou a defesa dos trabalhadores, como é o primeiro a imputar-lhes culpa pela luta.

Assim ocorre em Cubatão governada pela petista Márcia Rosa em seu segundo mandato. Doze profissionais em educação são hoje acusados por essa “digníssima prefeita” de “baderneiros” devido às manifestações em frente à Câmara de Vereadores e na porta da prefeitura. Essa Senhora se utiliza de uma lei arcaica publicada em 1959 para silenciar a categoria de servidores municipais, que inconformada luta por um Plano de Carreira decente; pelo aumento e reposição salarial, já que não recebe nem mesmo repasse da inflação oficial. Os trabalhadores do município vêm sendo tratados à base de “chicote” desde o início de 2012, quando já naquela época a ex-companheira e também professora na cidade, deu falta injustificada a todos servidores que reivindicavam melhores condições de trabalho.

Em 4 dezembro de 2012, organizados a partir de chamados no Facebook, pois o sindicato comprometido com o governo não mobiliza os trabalhadores, os servidores de diferentes secretarias se dirigiram à Câmara Municipal para pressionar os vereadores que queriam aprovar o aumento salarial da prefeita Márcia Rosa e de seus secretários, além da criação por volta de 80 cargos comissionados, entre eles a de um cargo denominado “chefe do mestre de cerimônia” e da majoração abusiva do IPTU para 2013. Na Câmara os servidores encontraram os vigilantes da Empresa Marvin que não recebiam salários há mais de dois meses. Os trabalhadores lançavam palavras de ordem e exigiam serem atendidos em seus interesses elementares: pagamento do salário atrasado; depósito em dia do 13º salário e das férias de janeiro, bem como o pagamento do Planvale e de outros benefícios atrasados; entre esses itens também exigiam a abertura de discussão do Plano de Carreira engavetado pela prefeita em 2012.

Em perseguição, dentre 150 manifestantes escolheu-se 12, 10 de uma mesma escola para responderem inquérito administrativo, indicando a absurda pena de demissão a bem do serviço público. A partir de então se instaurou em Cubatão um clima de terror: CIPs – Comunicação Interna de Pessoal - dos envolvidos deixaram de ser aceitas, médicos de pacientes em tratamento há mais de três anos, por temer represálias, negaram atendimento aos acusados; os doze passaram a ser difamados como baderneiros. A administração procurada por várias autoridades e políticos se negou a discutir a situação, não atentando ao principio da razoabilidade. E o pior, através de Resolução da Secretaria da Educação, de 28/01, vésperas do inicio do ano letivo, desmontou o projeto pedagógico da escola em que trabalham os 10 processados. Isto resultou em enormes prejuízos aos docentes da escola e da rede que já tinham programado a sua vida funcional para 2013, com aulas atribuídas desde 2012. Os alunos também foram prejudicados uma vez que, mesmo diante dos resultados educacionais e dos prêmios obtidos ainda em dezembro de 2012 pelo Conselho Municipal de Educação e pela Assembleia Legislativa do Estado, não prosseguirão com o projeto construído coletivamente pelos professores, alunos e pais. Com isto perde não só a comunidade escolar, mas a cidade de Cubatão e, em particular os trabalhadores com o fim de um projeto pedagógico reconhecidamente consistente e de qualidade. A retaliação se deu por razões políticas e não por razões pedagógicas.

Estes são os “crimes” cometidos pelos LUTADORES de Cubatão. A perseguição contra os servidores é o requinte da política petista do século XXI. Aqui aprimoram um bordão usado pelos militares do tempo da ditadura: aos amigos (burgueses), tudo, aos trabalhadores e seus autênticos representantes, a lei que criminaliza as lutas.

  • PELA RETIRADA IMEDIATA DOS PROCESSOS!
  • CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DAS LUTAS DOS TRABALHADORES!
  • PELO ATENDIMENTO IMEDIATO DAS REIVINDICAÇÕES DOS SERVIDORES DE CUBATÃO!

NATE – NÚCLEO DE ESTUDOS E AÇÃO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

NÓS MUNICIPES PEDIMOS SOCORRO PARA CIDADE DE OSASCO!

 

Independentemente do partido que governa a Cidade de Osasco, nós moradores pedimos socorro para ela! Pois nossa Cidade está jogada as traças, não se anda nas calçadas, pois estão todas esburacadas, ou lixos jogados por todos os cantos da Cidade.

206787_442100325855116_149135349_n Se olharmos para cima nos depararemos com os montinhos de fios embaraçados uns com os outros ou pior ainda jogados nas calçadas, pois por onde você ande hoje em nossa querida Osasco, o caso é estes fios jogados no chão, quem fez isso só Deus para saber, mas se foi alguma empresa destas de telefonias, ou de internet está na hora de nossos governantes fazerem alguma coisa, outra coisa na sobra de fios estão colocando uma espécie de enrolador de fios em forma de oito gigantescos onde se enrola estas sobras de fios, que quando você olha para cima dá à nítida impressão que aquilo irá cair ferindo alguém simplesmente horrível, o certo é que se fizesse algum trabalho mais discreto para dar uma beleza maior.

Com estas chuvas nossa cidade está uma verdadeira desordem, tem árvores jogadas por todos os lados, já há tempos. Outra coisa se andarmos por nossa cidade não é difícil de encontrar galpões abandonados, casas abandonadas, ou prédios abandonados como na Av. Dona Primitiva Vianco, antigo hotel ou motel próximo às Galerias Cidade ou Fuad Auada, cujo sua porta esta enferrujada cheia de papeis de propaganda uma coisa horrível.

553067_442100505855098_1625520765_nAqui no Bairro de Presidente Altino ainda existe de modo bem visível parte da entrada da antiga passagem SUBTERRANEA, abaixo dos trilhos de trem da CPTM, está abandonada desde Junho ou Julho do ano passado.

Pelo amor de Deus, façam da nossa Cidade de Osasco um LUXO não LIXO, onde quem aqui adentre possa falar por ai bem de nossa cidade e querer sempre voltar aqui e para quem aqui mora possa dizer com SATISFAÇÃO e ORGULHO EU MORO EM OSASCO.

Feita pela pagina do Facebook Presidente Altino por Ernesto Menegazzi

 

Não é só em Presidente Altino que está abandonado, vários bairros da nossa cidade como Rochidale, Jardim Açucara. Vila Holanda, IAPI entre outros a população vive a margem da pobreza ao lado de esgotos, lixos, sem segurança publica, ou seja, completamente sem o suporte da administração publica.

Na campanha do companheiro Alexandre Castilho para prefeito, pudemos verificar e constatar que a nossa cidade está abandonada com os moradores vivendo ao lado de esgotos e sem nenhuma condição de se viver.

Agora com as chuvas de verão vários bairros inclusive o que eu moro o Jardim Rochidale os moradores sofrem com as enchentes perdendo tudo que conquistaram ao longo do ano. Nós do Partido Socialismo e Liberdade PSOL Osasco vamos cobrar e muito a administração do atual prefeito Jorge lapas do PT e dos vereadores eleitos às melhorias para a nossa cidade. PSOL um novo Partido contra a velha politica!

Carlos Roberto – Kaká

Membro do Diretório Municipal do PSOL Osasco

Morador por mais de 20 anos no bairro de Presidente Altino e hoje reside no bairro do Jardim Rochidale.

http://solidariedadesocialista.wordpress.com/