Contra o Governo, vendido ao capital
Contra a Dilma, contra o Alkimim, Haddad e o Cabral!
(BIS)
Em Porto Alegre, eu vi a luta começar,
Depois no Brasil todo eu vi ela se espalhar
Chegou em São Paulo, no Rio de Janeiro,
Goiânia e os Capixaba fechamento é os mineiros
Em Brasilia, lá em Belém, no Macapá,
Lá em Teresina e também no Ceará
Enfrentamo a mídia, a PM, o caveirão
Foi na Maré que eu perdi meus 10 irmão
E até na repressão é desigual esse Brasil
No asfalto é borracha na favela é fuzil
(REFRÃO)
Mais que 20 centavos, nosso povo não é otário
Pode chamar de vândalo quem'é Revolucionário
Quem usa o vinagre ou entraga uma rosa
Não importa pro governo é uma ameaça perigosa
Que se foda a Copa, a FIFA aqui não vai mandar
Fica a dica, Saúde é melhor que Neymar
Eu quero é Passe-Livre, Saúde, Educação
Sou contra o Genocídio, eu sou contra a Remoção
Viva a aliança trabalhador/estudantil
Vamos à Luta, mudar a história desse Brasil
(REFRÃO)
Acabou o amor, nosso país virou Turquia
Fechado com o Egito, com a Argentina quem diria
E o prefeito bandido, o nome dele é o Paes,
Vai pro Inferno e remove o Satanás
Aldeia Resisti, Belo Monte, Pinheiro
Os índio e os quilombola cada dia tão sumindo
Se liga parceiro que eu te mando a real
No país inteiro o Fascimo é institucional
No Senado é Sarney, na Câmara o Renan
Color o Lindberg agora virou teu fã
Feliciano, tá presente quem diria,
A Dilma guerrilheira hoje é a chefe de quadrilha
Não quero pacto com o bonde do mensalão
Não faço aliança com quem defende o patrão
(REFRÃO)
Não adianta, tu tentar me reprimir
ME BATE, ME PRENDE, mas teu Governo cair
Dia 20 de Junho eu sempre vou me lembrar,
No Rio 2 milhões, no Brasil nem dá pra contar
Eu finalizo o rap, deixo aqui o meu racado
Pro Rio, Niterói, Baixadão e São Gonçalo
É o Estado todo, gritando Fora Cabral
E no Brasil inteiro vamo pra GREVE GERAL!
(REFRÃO)
Ole, ole,
Ole, ole, ole, olá
Dilma bandida agora tu vai rodar
Ole, ole,
Ole, ole, ole, olá
Cabral Bandido agora tu vai rodar
Ole, ole,
Ole, ole, ole, olá
Alkim Bandido agora tu vai rodar
(REFRÃO)
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Primavera Brasileira
terça-feira, 6 de agosto de 2013
INTERSINDICAL participa do Dia Nacional contra o projeto PL 4330
Intersindical participa do Ato das Centrais Sindicais em frente a FIESP na Avenida Paulista no dia 06 de Agosto Dia Nacional contra o projeto PL 4330 que tramita na Câmara, outro projeto muito semelhante foi protocolado na CCJ do Senado pelo ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria Senador Armando Monteiro (PTB/PE). O PLS 87/10, do senado federal, prevê, no geral, os mesmos ataques aos direitos dos trabalhadores através da generalização da terceirização para todas as atividades, no setor público e privado.
Foto: Carlos Roberto kaká
domingo, 4 de agosto de 2013
Onde está Amarildo? Onde estão os “desaparecidos”?
ESCRITO POR FÁBIO ALVES ARAÚJO
Postado: Correio da Cidadania
O desaparecimento do pedreiro Amarildo Souza Lima, após abordagem dos policiais da UPP da Rocinha, não é um fato isolado. Ele voltava de uma pescaria quando foi levado pelos policiais para averiguação e desde então jamais reapareceu. Policiais alegam que após o depoimento Amarildo foi liberado, porém sua esposa afirma ter visto os policiais colocarem Amarildo dentro de uma viatura policial. O desaparecimento ocorreu no dia 14 de julho de 2013. São muitos osdesaparecidos no estado do Rio de Janeiro e Brasil afora.
Acabo de realizar uma pesquisa acadêmica (1) sobre o desaparecimento forçado de pessoas. Encontrei vários casos similares. São muitos os Amarildos desaparecidos na região metropolitana do Rio de Janeiro. Cada favela, periferia, subúrbio, tem suas histórias de pessoas desaparecidas. Seria interessante construir uma geografia ou cartografia dos desaparecimentos. O caso de Izildete, ex-moradora de Queimados, Baixada Fluminense, é mais um que vem somar às estatísticas e compor o mosaico dos desaparecidos. Seu filho Fábio Eduardo Soares Santos de Souza é mais um que desapareceu após uma abordagem policial, ao sair de uma festa em um bar. Em outro caso, uma moradora de uma conhecida favela conta que seu filho desapareceu junto com outros doze rapazes, numa ação em que traficantes teriam alugado o caveirão da polícia para invadir uma favela rival. Segundo o relato dessa mãe, durante as investigações foram encontradas ossadas, sangue, roupas, partes dos corpos como dedos etc.. Essa mesma mãe sugeriu que, caso se deseje investigar os desaparecimentos, um bom início poderia ser a drenagem de todos os rios da região metropolitana do Rio de Janeiro, que muito provavelmente estão cheios de cadáveres.
Na zona oeste, numa área próxima a Campo Grande, uma mãe teve seu filho desaparecido e após meses depositaram uma ossada dentro de um saco preto no portão de sua casa. Era a devolução dos restos mortais de seu filho. Nesse caso, os acusados pelo homicídio e ocultação de cadáver eram milicianos. Há outros casos em que familiares encontraram apenas partes dos corpos como cabeça, pé... Os corpos são muitas vezes esquartejados.
É possível pensar, nesse sentido, em escalas de desaparecimento. Algumas vezes consegue-se encontrar vestígios dos desaparecidos, em outras se consegue encontrar partes do corpo, em outras o que se tem são apenas os rumores, o “ouvi dizer”. A rotina dos familiares passa a ser peregrinar por delegacias, Institutos Médicos Legais, hospitais, bocas de fumo. Onde houver informações sobre um morto ou um desaparecido lá estão os familiares buscando esclarecimentos.
Há que se lembrar do caso mais emblemático de desaparecimento forçado pós-ditadura: trata-se da Chacina de Acari, em julho de 1990. Nesta ocasião, onze jovens moradores da favela de Acari e seu entorno teriam sido sequestrados por um grupo de extermínio, formado por policiais, conhecido por Cavalos Corredores. Os jovens jamais apareceram para contar o que se passou. A luta das mães dos jovens ficou conhecida internacionalmente e foi inovadora ao abrir o caminho para uma nova forma de ação coletiva e protesto político contra a violência estatal. As mães ficaram conhecidas como Mães de Acari e só muito recentemente, quando algumas já haviam morrido ou encontravam-se em processos graves de adoecimento, começaram a ser emitidos os primeiros atestados de óbito. No atestado de óbito, o documento oficial emitido pelo Estado, consta causa mortis “ignorada”, e no local de falecimento está escrito “Chacina de Acari”.
O desaparecimento de pessoas compreende uma variedade de tipos, situações e circunstâncias, mas é possível afirmar que parte dos casos é composta por desaparecimentos forçados, muitos, como mostra o próprio caso Amarildo, envolvendo integrantes das forças policiais. Hádesaparecimentos forçados que ocorrem durante operações policiais oficiais e outros em situações extra-oficiais.
Os casos por mim pesquisados indicam a participação de “policiais”, “milicianos” e “traficantes” em casos de desaparecimento. Sendo possível sugerir que há uma espécie de divisão do trabalho, em alguns casos, entre esses atores, no ato de desaparecer corpos. Pode-se também dizer que há uma espacialização dos desaparecimentos forçados, ou seja, eles ocorrem majoritariamente nos territórios da pobreza, sendo os jovens do sexo masculino as principais vítimas.
As possibilidades de tematização e enquadramento da problemática do desaparecimento de pessoas são múltiplas, sendo que, nos embates e disputas pelos usos destas categorias, ora o desaparecimento aparece construído como um “problema de família”, ora como “problema de segurança pública”, outras vezes ainda como “problema de assistência social”.
As categorias desaparecido e desaparecimento são categorias em disputa, e seus significados estão diretamente associados à pluralidade de vozes que falam, ou deixam de falar, sobre o assunto, envolvendo familiares, autoridades públicas, pesquisadores, movimentos sociais, mídia, entre outros atores.
Recentemente, o assunto tem despertado o interesse crescente de pesquisadores que vêm produzindo diferentes olhares e perspectivas sobre essa questão. A trajetória do debate sobre o tema, no Brasil, poderia ser enquadrada em dois contextos históricos: o primeiro refere-se ao desaparecimento político e o segundo diz respeito à forma contemporânea marcada por uma diversidade de percepções sobre o assunto. Enquanto o desaparecimento político é compreendido a partir da noção de desaparecimento forçado e reporta-se ao período da ditadura civil-militar, o segundo engloba modalidades diversas e remete-se ao período pós-ditadura.
A figura do “desaparecido” ficou associada nas memórias e na cultura política brasileira à imagem do desaparecimento político e localizada a um certo campo de protesto político, aquele referente à luta contra a ditadura. Uma das heranças que ficou do regime militar foi a polícia militar e todo um conjunto de práticas autoritárias e violadoras dos direitos civis mais básicos, por exemplo, a inviolabilidade do corpo e a integridade física. Essas práticas autoritárias, importante ressaltar, estão arraigadas não apenas na polícia, mas de maneira estrutural na sociedade brasileira, indo desde as relações afetivas às institucionais. E se a prática de fazer desaparecer corpos/pessoas foi um método de repressão da ditadura, permanece hoje como uma técnica de governar pessoas, grupos e territórios.
O desaparecimento forçado de pessoas corresponde atualmente a um dispositivo de governo-gestão e que há, por um lado, no plano dos perpetradores, um campo de continuidades, que envolve polícia/milícia/“traficantes”. Por outro lado, há um universo de vítimas possíveis que têm em comum sua vulnerabilidade a esse dispositivo de gestão, pela combinação de variáveis territórios/condição social/atividade/suspeição.
O ato de desaparecer corpos, enquanto prática-evento, fornece um denominador comum para atores que geralmente são colocados como distintos ou mesmo antagônicos. Esses atores se movimentam ora “colaborativamente” ora em disputa, mas compartilham de certos pressupostos comuns (por exemplo, que algumas pessoas sejam desaparecidas/“desaparecíveis”).
E a pergunta permanece: onde está Amarildo? Onde estão os milhares de Amarildos“desaparecidos”?
Nota:
1) Araújo, Fábio Alves. Das consequências da “arte” macabra de fazer desaparecer corpos: violência, sofrimento e política entre familiares de vítima de desaparecimento forçado. Rio de Janeiro: PPGSA/UFRJ, 2012. (Tese de Doutorado).
Fábio Alves Araújo é doutor em Sociologia/UFRJ, professor do IFRJ. É membro da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência.
sábado, 3 de agosto de 2013
Fortalecer as lutas contra a terceirização e precarização
31 de julho
Índio - Coordenação INTERSINDICAL
Os trabalhadores devem intensificar as mobilizações para derrotar os projetos de terceirização que tramitam no Congresso. O PL 4330 que tramita na CCJ da Câmara dos Deputados pode ser votado no próximo dia 13 ou 14 de agosto. Até lá, temos de reforçar as mobilizações no dia 06 para deixar claro aos patrões, governo e parlamentares: se aprovarem o PL da precarização, o Brasil vai parar. Além de paralisar as atividades, devemos realizar manifestações em frente às entidades patronais contra esse projeto que visa quebrar a espinha dorsal dos direitos trabalhistas no Brasil.
Já nos dias 13 e 14 de agosto, temos de organizar caravanas ao Congresso para pressionar os parlamentares da CCJ. Além disso, é muito importante que os trabalhadores e suas entidades enviem emails ou telefonem aos parlamentares exigindo que não votem esse projeto nocivo aos interesses dos trabalhadores e da maioria do povo brasileiro. Se os parlamentares não deixarem claro sua posição contrária ao PL, devemos realizar grandes manifestações em frente a casa destes parlamentares para denunciar seu compromisso com os patrões e seu descaso para com os direitos dos trabalhadores.
Além do PL 4330 que tramita na Câmara, outro projeto muito semelhante foi protocolado na CCJ do Senado pelo ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria Senador Armando Monteiro (PTB/PE). O PLS 87/10, do senado federal, prevê, no geral, os mesmos ataques aos direitos dos trabalhadores através da generalização da terceirização para todas as atividades, no setor público e privado.
INTERSINDICAL não aceitará retrocessos
No último mês, foi estabelecida uma mesa de negociação quadripartite, envolvendo quatro centrais sindicais, patrões, governo e congresso para negociarem os termos de uma possível regulamentação da terceirização no Brasil.
E existe risco de alguns setores do movimento aceitar negociar pontos de interesse dos empresários e governos no projeto. Para a INTERSINDICAL, não se pode aceitar nenhum recuo nesta matéria. Os trabalhadores e suas entidades devem pressionar para rechaçar qualquer possibilidade de permitir a terceirização nas atividades-fins. Além disso, devemos rechaçar a possibilidade de acabar com a responsabilidade solidária das empresas contratantes de firmas terceirizadas, ou permitir a fragmentação, ainda maior, das categorias e ramos por meio da precarização do contrato de trabalho de milhões e milhões de trabalhadores.
A luta contra a terceirização e a precarização do trabalho é um dos principais pontos da luta unitária que devemos ampliar neste mês, culminando com uma grande jornada unificada no dia 30 de agosto. Derrotar a terceirização é uma bandeira fundamental desta jornada, pois de nada adiantaria obter algum avanço na pauta se, de outro lado, patrões e governos aprovarem a ampliação da terceirização. É por isso que os setores patronais fazem pressão total sobre o governo e sobre o parlamento, pois sabem a importância da precarização do trabalho como forma de ampliar seus já altíssimos lucros.
Greve Geral
Os trabalhadores devem se conscientizar do risco que corremos com esses projetos de terceirização. Para derrotar esses projetos e avançar em novas conquistas, como o fim do fator previdenciário, a redução da jornada, a reforma agrária e urbana e a luta por investimentos vigorosos em políticas sociais como saúde, educação e transportes públicos, a INTERSINDICAL entende que devemos debater, a partir dos locais de trabalho, a necessidade de construir uma Greve Geral para derrotar a precarização do trabalho e dos serviços públicos. Até que isso aconteça, vamos jogar todo o peso na construção do Dia Nacional de Lutas do dia 30 de agosto, em conjunto com os demais setores do movimento sindical.
Mas que fique claro: é preciso uma Greve Geral contra o capital e a política econômica para levar ao atendimento das reivindicações dos trabalhadores e da juventude, particularmente acabando com a precarização do trabalho e a precarização dos serviços públicos. Sem mudar a política econômica e deixar de transferir bilhões e bilhões para os cofres dos bancos e das multinacionais não será possível atender ao clamor que vem das ruas e dos locais de trabalho.
Calendário:
Dia 06/08: paralisações e manifestações nas entidades patronais
Dia 13/08: atividades na Câmara para pressionar deputados da CCJ
Dia 30/08: Dia Nacional de Lutas Unificado
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Tucanoduto: Escancarado esquema de corrupção tucana no Metrô de São Paulo
Brasil de Fato
PSDB é apontado como base de esquema de cartel que envolvia empresas transnacionais no avanço sobre licitações públicas no Metrô e trens metropolitanos
Márcio Zonta
da Redação
Na última semana, uma denúncia da transnacional alemã Siemens escancarou de vez a relação de sucessivos governos do PSDB, em São Paulo, com empresas internacionais na formação de um cartel para se apoderar de licitações públicas no Metrô e trens metropolitanos. Há 20 anos, desde Mário Covas e mantido pelos governos de José Serra e Geraldo Alckmin, o esquema envolve volumosas cifras pagas em propinas por aproximadamente 11 transnacionais, além do desvio de dinheiro público das obras do Metrô e da Companhia Paulista de Transportes Metropolitano (CPTM).
A Siemens, que também fazia parte do esquema, revelou que as empresas venciam concorrências com preços superfaturados para a manutenção e a aquisição de trens e para a realização das obras de expansão de linhas férreas tanto da CPTM, quanto do Metrô.
Segundo investigações concluídas na Europa, a teia criminosa também vinculada a paraísos fiscais, teria onerado minimamente, até o momento, 50 milhões de dólares dos cofres públicos paulistas.
Ademais, informações recentes de um inquérito realizado na França apontam que parte da verba movimentada nas fraudes seria para manter a base sólida do esquema no Brasil, formada pelos governadores tucanos, funcionários de alto escalão do governo, autoridades ligadas ao PSBD e diversas empresas de fachada montadas para atuar na trama.
Dessa forma, o financiamento de campanhas eleitorais aos governadores do PSDB foi constante desde o início da fraude na tentativa de manter a homogeneidade do esquema ilícito.
“Não dá para manter uma armação dessas sem uma base, um alicerce que garanta a continuação das falcatruas. Por isso José Serra e Alckmin, que se alternaram no poder nos últimos anos, estão intimamente bancados e ligados a essa tramoia”, acusa Simão Pedro, secretário municipal de Serviços.
Um dos executivos da Siemens, que prestou depoimentos ao Ministério Público paulista, confirma as acusações de Simão. “Durante muitos anos, a Siemens vem subornando políticos, na sua maioria do PSDB e diretores da CPTM”, relata.
Agora, diante de provas contundentes, sobre o que seria um dos maiores crimes de corrupção da história envolvendo o transporte público no Brasil, políticos da oposição, autoridades no assunto e parte dos próprios metroviários questionam no momento a forma como a justiça brasileira vem tratando o caso.
Para eles, o episódio ganhou apenas mais um capítulo com a delação da Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), pois a situação já é investigada e denunciada com vigor desde 2008 por países europeus. Porém, no Brasil, algo parece amarrar o andamento dos 15 processos abertos pelo Ministério Público, só em São Paulo.
Há 20 anos, desde Mário Covas e mantido pelos governos de José Serra e Geraldo Alckmin, o esquema envolve volumosas cifras pagas em propinas por aproximadamente 11 transnacionais. Foto: Goveno SP
Nomes
A transnacional francesa Alstom, a canadense Bombardier, a espanhola CAF e a japonesa Mitsui são algumas das que fazem parte do esquema delatado pela Siemens. Após ganhar uma licitação, essas empresas geralmente subcontratavam uma outra para simular os serviços, e por meio da mesma realizar o pagamento da propina.
Em 2002, no governo de Geraldo Alckmin, a alemã Siemens venceu a disputa para manutenção preventiva de trens da CPTM. Para isso, subcontratou à época a MGE Transportes. A Siemens teria pagado a MGE R$ 2,8 milhões em quatro anos. Desse montante, ao menos R$ 2,1 milhões foram distribuídos a políticos do PSDB e diretores da CPTM.
Diversos nomes foram citados na delação da transnacional alemã que fariam parte da lista de pagamento de propinas das diversas empresas de fachada. São eles: Carlos Freyze David e Décio Tambelli, respectivamente ex-presidente e ex-diretor do Metrô de São Paulo; Luiz Lavorente, ex-diretor de Operações da CPTM; além de Nelson Scaglioni, ex-gerente de manutenção do Metrô paulista. Scaglioni, por exemplo, seria o responsável por controlar “várias licitações como os lucrativos contratos de reforma dos motores de tração do metrô, em que a MGE teria total controle” diz trecho do documento da delação.
No mais, outro ponto do depoimento do executivo da Siemens que vazou à imprensa cita Lavorente como o responsável por receber o dinheiro da propina e fazer o repasse aos políticos do PSDB e partidos aliados.
Silêncio no Tribunal
Se as provas estão às claras, a pergunta que paira no ar é por que a justiça brasileira, sendo previamente avisada por órgãos da justiça internacional europeia sobre casos parecidos que pipocavam, em outros lugares do mundo, envolvendo a Alstom, por exemplo, não tomou as devidas providências e permitiu que novos contratos fossem realizados com o governo paulista.
Em 2010, dois anos após as investigações terem se iniciado também no Brasil, José Serra estabeleceu um contrato de R$ 800 milhões com a Alstom para supostamente resolver o problema da superlotação dos trens do metrô. A alternativa era aumentar a malha ferroviária e modernizar o sistema do metrô nas linhas 1, 2 e 3.
Uma das exigências da Alstom, entretanto, era que os trens da composição fossem reformados pela mesma para que se adequassem ao novo sistema. “O orçamento apresentado pela transnacional francesa ficou mais caro do que se fossem comprar novos trens, mesmo assim Alckmin aceitou e bancou”, diz Paulo Pasim, secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.
Com o término da implantação do sistema previsto para 2011, até o momento a empresa não viabilizou o prometido. “A Alstom não tinha as mínimas condições técnicas para realizar o projeto e ganhar a licitação, tanto é que estamos em 2013 e a empresa não conseguiu fazer o que foi prometido”, afirma Pasim.
Diante dos fatos, a reportagem do Brasil de Fato tentou contato com diversos promotores de Justiça para apurar sobre o andamento das investigações já instauradas contra a Alstom. O responsável pela investigação sobre a empresa francesa, o promotor Silvio Marques do Ministério Público Estadual, não quis prestar declarações.
Outros dois promotores foram procurados pela reportagem, Marcelo Mendroni, que investiga as irregularidades da linha 5 do Metrô, e Roberto Bordini. Ambos também preferiram não comentar sobre o assunto. Por fim, o promotor Saad Mazum, que investiga a improbidade administrativa do caso não foi encontrado até o fechamento dessa edição.
“O único lugar que o processo de investigação não foi levado adiante foi no Brasil. Nos outros países o desfecho foi mais rápido”, lamenta Pasim. Na Inglaterra, França e Suíça, as investigações concluíram que a Alstom realizava pagamento de propina para ganhar licitações.
Também foi confirmado que os executivos da transnacional francesa estavam envolvidos em lavagem de dinheiro e fraude na contabilidade da empresa. O deputado federal Ivan Valente (PSOL) também reclama da demora e do silêncio da justiça brasileira frente aos crimes. Ele aponta que desde 2009 vem realizando uma série de denúncias contra as relações de irregularidades envolvendo o PSDB, a Alstom e a Siemens em licitações de obras públicas.
“Até agora esperamos resposta do promotor do processo Silvio Marques, mas sem sucesso”, reclama.
Para Valente, é necessário, diante dessas novas denúncias, cobrar com rigor a Justiça para que todos os envolvidos sejam punidos verdadeiramente. “Não cabe ao Cade ou ao Ministério Público conceder delação premiada a Siemens ou fazer acordo e aplicar multa às transnacionais envolvidas num caso de corrupção milionário como esse. Todos têm que pagar, inclusive Serra e Alckmin”, cobra.
Por que a Siemens delatou?
Ao expor à Justiça os detalhes do cartel formado por diversas transnacionais para avançar sobre licitações públicas envolvendo o metrô de São Paulo e os trens da Companhia Paulista de Transportes Metropolitano (CPTM), a alemã Siemens ficará livre de possíveis processos referentes ao caso.
Para o deputado federal Ivan Valente, não resta dúvida de que a Siemens agiu muito mais em busca de uma situação favorável a ela do que por um sentimento de honestidade ou arrependimento por fazer parte das irregularidades.
“A atitude da Siemens é a tentativa de limpar a barra dela caso a situação viesse a público de outra forma, ainda mais nesse clima anticorrupção que vivemos nas ruas”, pensa o deputado.
Ademais, a Siemens teria a intenção de formar um clima favorável para ganhar futuras licitações públicas no âmbito do transporte público na esteira dos grandes eventos esportivos, Copa do Mundo e Olimpíadas. Não por acaso, as empresas denunciadas pela Siemens: Alstom, Bombardier, CAF e a Mitsu apresentaram projeto para as obras do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, que será licitado em agosto. “Por isso, de olho nos diversos negócios futuros no Brasil, a Siemens não queria se comprometer”, conclui Valente.
(Foto do topo: Governo de SP)
(publicado originalmente em 25/07/2013)